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Dólar sobe 0,42% em meio à cautela com Previdência e alerta do Fed

Reforma da Previdência foi entregue nesta quarta-feira (20)

Publicado em 20/02/2019, às 19h23

O dólar terminou esta quarta-feira, 20, em R$ 3,7319 / Agência Brasil
O dólar terminou esta quarta-feira, 20, em R$ 3,7319
Agência Brasil
JC Online

O dólar chegou a cair abaixo de R$ 3,70 após a apresentação da proposta de reforma da Previdência pelo governo, mas em seguida os investidores preferiram adotar um tom de cautela e a moeda passou a subir. A divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), já perto do fechamento do mercado à vista, que alertou para aumento de riscos de desaceleração da economia mundial, ajudou a reforçar a prudência dos investidores e a moeda americana bateu máximas. O dólar terminou esta quarta-feira, 20, em R$ 3,7319, em alta de 0,42%.

As medidas que mudam as aposentadorias no Brasil foram consideradas "amplas e abrangentes", mas a percepção nas mesas de câmbio é de que o texto pode ser desidratado na tramitação no Congresso, reduzindo seu impacto. "Os mercados tiveram o que esperavam, uma proposta sólida de reforma, com economia de R$ 1 trilhão. A reação foi tímida porque essa economia fiscal provavelmente será reduzida no texto final", avalia o economista-chefe para a América Latina da consultoria norte-americana Continuum Economics, Pedro Tuesta. Para ele, o quanto o texto será desidratado durante a tramitação vai determinar o tipo de reação do mercado nos próximos meses. O economista vê o dólar entre R$ 3,70 a R$ 3,75 nos próximos dias. Na máxima desta quarta, a moeda chegou a R$ 3,73 e na mínima, a R$ 3,69.

Os estrategistas do banco norte-americano JPMorgan preveem que a proposta de reforma da Previdência terá um "longo caminho" no Congresso antes da votação final. Com a opção de Jair Bolsonaro de enviar nova Proposta de Emenda Constitucional (PEC) ao invés de aproveitar o texto de Michel Temer que já tramitou pelas comissões especiais e estava pronto para ser votado, o tempo de aprovação pode ser mais longo do que o estimado no cenário-base do banco, que previa apreciação na Câmara já no segundo trimestre e votação final no terceiro trimestre. O JP diz que vai reavaliar este cenário.

Já a ata do Fed acabou contribuindo para reforçar o tom de cautela no final da tarde. "A ata revelou que a decisão do Fed de adotar uma postura 'paciente' veio em resposta à fraqueza da economia mundial", avaliou o economista da consultoria Capital Economics, Paul Ashworth, citando a Europa e a China como as regiões com maior chance de desacelerarem. Ele nota que os dirigentes do Fed viram riscos "mais nítidos do que o esperado de desaceleração" da atividade mundial, o que levou alguns deles a reconhecerem que as chances de piora da atividade aumentaram. Pelo lado positivo, o Fed deve terminar em breve o programa de redução de seu balanço.

BOLSA

O Ibovespa iniciou o pregão desta quarta-feira, 20, em alta e quase chegou a superar a máxima histórica, em meio ao otimismo em relação ao texto da reforma da Previdência que foi entregue ao Congresso, considerada bastante robusta, com impacto total de R$ 1,164 trilhão em dez anos. Porém, ainda pela manhã o índice passou a operar com volatilidade e já reta final do pregão batia mínimas, sob o impacto também da divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), que alertou que os riscos para a economia global aumentaram. Segundo profissionais do mercado, investidores aproveitaram para realizar lucros recentes.



O índice doméstico fechou em queda de 1,14% pontos, aos 96 544,81 pontos, na mínima do pregão. O giro financeiro foi de R$ 17,5 bilhões. Na máxima intraday, chegou aos 98.543,68 pontos (+0,90%), perto da máxima histórica de 98.588,64 pontos, alcançada no último dia 4 de fevereiro.

"O texto da reforma da Previdência veio dentro do esperado pelo mercado, que agora opta pela cautela, colocando na balança o quanto dessa proposta deve ser aprovado, enquanto o governo ainda não conseguiu formar uma base no Congresso", comenta Victor Cândido, economista-chefe da Guide Investimentos.

"Uma vez apresentada a reforma da Previdência, devemos ver agora uma acomodação de preços na bolsa, que deve andar mais de lado", avalia Raphael Figueredo, sócio e analista da Eleven Financial. "O foco agora estará na capacidade do governo de comunicar o bom conteúdo da proposta para a sociedade e o Congresso, mas ela deve sofrer desidratação em alguns dos pontos", acrescenta.

Apesar de as bolsas em Nova York terem voltado ao campo positivo depois de terem renovado mínimas em reação à divulgação da ata do Federal Reserve, o Ibovespa firmou-se no campo negativo. Segundo analistas, pesou no mercado local a indicação dos dirigentes do Fed de que os riscos à economia mundial aumentaram, citando a desaceleração na China e na Europa, o Brexit, o aperto das condições financeiras e a rapidez na perda de força dos estímulos fiscais nos Estados Unidos. A paralisação parcial do governo americano (shutdown) também foi citada no documento como um fator negativo para o crescimento econômico.


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