Jornal do Commercio
Notícia
Votação

Campos Netos nega pressão do Banco Central por reforma da Previdência

O presidente do BC explicou que a instituição não trabalha sob hipóteses de processos que estão no Legislativo

Publicado em 27/06/2019, às 15h23

Campos Netos nega pressão do Banco Central por reforma da Previdência / Foto: PEDRO FRANÇA/AGÊNCIA SENADO
Campos Netos nega pressão do Banco Central por reforma da Previdência
Foto: PEDRO FRANÇA/AGÊNCIA SENADO
Agência Brasil

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campo Neto, disse nesta quinta-feira (27) que o Comitê de Política Monetária (Copom) não tem intenção usar sua política monetária para pressionar o Congresso Nacional a aprovar a reforma da Previdência.

“De nenhuma forma tem pressão no Congresso, é nossa forma de trabalhar. Quando, obviamente, existe fator de risco atribuído a isso [reformas estruturantes], nós temos que mencionar, porque faz parte da análise do Copom”, disse Campos Neto ao apresentar o Relatório Trimestral de Inflação.

Conversa

Na reunião da semana passada, o Copom decidiu manter a taxa básica de juros da economia (Selic) em 6,5%, seu menor nível histórico, e informou que os avanços concretos na agenda de reformas que reduzam os gastos públicos, como da Previdência, são fundamentais para consolidação do cenário benigno para a inflação. De acordo com Campos Neto, este é um dos fatores analisados pelo BC que compõem o balanço de riscos da inflação, que inclui também o mercado externo e a ociosidade da economia, em especial de mão de obra e na indústria.

“O mercado também tem essa sensibilidade [na expectativa da aprovação da reforma] porque entende que é fator predominante de risco”, ressaltou. “Não existe nenhum tipo de chantagem. Nós analisamos sempre o balanço de risco, mantemos a coerência [de] que esse era um dos fatores que vinham sendo analisados, mudamos nosso cenário e deixamos mais confortável o cenário benigno para a inflação analisando esses três fatores”, explicou.

O presidente do BC explicou que a instituição não trabalha sob hipóteses de processos que estão no Legislativo. Ele acrescentou que, quando e se a reforma da Previdência for aprovada, a situação será analisada e as decisões serão tomadas, levando em conta o canal de incertezas para a inflação e o balanço de risco, para “propor um caminho razoável para sustentabilidade da política monetária”.

Selic

Principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, a taxa Selic é medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em maio, o indicador fechou em 4,66% no acumulado de 12 meses. Depois de vários meses de alta no início do ano, o índice desacelerou em maio, atingindo o menor resultado para o mês desde 2006.



Para este ano, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabeleceu meta de inflação de 4,25%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O IPCA, portanto, não poderá superar 5,75% neste ano, nem ficar abaixo de 2,75%. No Relatório de Inflação, divulgado hoje, o Banco Central estima que o IPCA encerrará 2019 em 3,6% e continuará baixo até 2021.

Diminuição do PIB

O documento apresentou ainda uma redução da projeção de crescimento da economia para este ano. A estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país) passou de 2% para 0,8%.

De acordo com Campos Neto, essa projeção do Banco Central já inclui a expectativa de recuperação e melhora da economia no segundo semestre.

Entre os fatores para a redução da projeção, o BC cita o crescimento menor do que o esperado no primeiro trimestre deste ano e também condiciona o crescimento em 0,8% à recuperação da atividade econômica e à continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira.

Taxas de juros

Roberto Campos Neto reafirmou que o Banco Central não está contente com o nível das taxas de juros no país, já que o spread, diferença entre a taxa de captação de recursos pelos bancos e a cobrada dos clientes, não caiu na mesma proporção da Selic. Ele ressaltou que existem várias iniciativas para diminuir o spread, como incentivar a competição e buscar soluções junto aos bancos para entender a diferença das taxas de juros das tarifas emergenciais (que são mais altas, como o rotativo do cartão de crédito) e as demais.

Ele destacou a Agenda #BC, lançada em maio, com iniciativas divididas em quatro categorias: inclusão, precificação, tranparência e educação financeira. “Educação é uma medida que poucas pessoas comentam, mas que tem grande efeito sobre o spread. Hoje temos categorias emergenciais de juros, como cheque especial, que grande parte dos usuários tem renda abaixo de dois salários mínimos e educação até idade média, aqui temos claro um problema de educação financeira”, explicou.




Os comentários abaixo são de responsabilidade dos respectivos perfis do facebook.

OFERTAS

Especiais JC

Especial Nova Rotação Especial Nova Rotação
As cidades estão entrando em colapso. Refletem o resultado da mobilidade urbana convencional, um mal incorporado à sociedade e de difícil enfrentamento.Mas o momento de inverter essa lógica é agora. Criar uma nova rotação para as cidades, para as pessoas
JC Recall de Marcas 2019 JC Recall de Marcas 2019
Pitú e Vitarella são as marcas mais lembradas pelo consumidor pernambucano, de acordo com a edição 2019 do Prêmio JC Recall de Marcas. O ranking foi feito a partir de levantamento do Harrop Pesquisa para o Jornal do Commercio.
Especial Tempo de Férias Especial Tempo de Férias
O tempo das férias finalmente chegou e com ele os vários planos sobre o que fazer no período livre. O JC traz algumas dicas de como otimizar o período para voltar renovado do merecido descanso.

    SIGA-NOS

    LICENCIAMENTO

  • Para solicitação de licenciamento, contactar editores@ne10.com.br

Jornal do Commercio 2019 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE |

PRIVACIDADE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM