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Mercado imobiliário respira com classes média e alta retomando financiamento

Para que a classe média e alta tenha mais interesse pelos imóveis, bancos já deram início a uma nova rodada de redução dos juros

Publicado em 15/07/2019, às 13h40

Compradores de classe média e alta aos poucos vêm dando sinais positivos ao mercado imobiliário / Foto: Guga Matos/Acervo JC Imagem
Compradores de classe média e alta aos poucos vêm dando sinais positivos ao mercado imobiliário
Foto: Guga Matos/Acervo JC Imagem
Lucas Moraes

Com a turbulência eleitoral de 2018 e a economia travada, o mercado imobiliário vinha preparando o terreno para a fertilidade esperada em 2019. No ano passado, os principais players de financiamento à compra da casa própria iniciaram um ciclo de redução dos juros, o governo e os bancos ampliaram as condições para financiamento, mas mesmo assim as classes média e alta não foram às compras com a mesma ambição que, por exemplo, os mutuários do Minha Casa Minha Vida. Praticamente sete meses após o início do novo governo, o cenário econômico permanece estagnado. Com o andamento da reforma da Previdência, no entanto, empresários da construção já apostam num segundo semestre mais eficiente e com participação incisiva dos compradores de maior poder aquisitivo.

Mais cautelosos em relação aos investimentos, os compradores de classe média e alta aos poucos vêm dando sinais positivos ao mercado imobiliário. No mês de maio deste ano, os financiamentos com recursos das cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), destinados ao Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e Sistema Financeiro Imobiliário (SFI) – envolvendo, respectivamente, imóveis de até R$ 1,5 milhão ou mais – atingiram R$ 6,59 bilhões, alta de 20,6% em relação ao mês anterior e de 46,6% frente a maio de 2018, segundo dados da Abecip. “Esse mercado está bem mais lento do que o Minha Casa Minha Vida, mas a partir de agora se vislumbra uma volta desse crescimento. Esse público, às vezes, tem até o recurso para fazer a compra, mas é um perfil de comprador que investe e, no risco, prefere deixar o dinheiro aplicado para render. Por outro lado, existe também ainda pouca oferta para esse segmento”, afirma o presidente da Ademi-PE Gildo Vilaça. 

Nas contas da Cbic, mesmo que a passos lentos, os índices negativos começam a ficar para trás no mercado pernambucano. No 1º trimestre de 2019, as vendas (incluindo MCMV e médio e alto padrão) cresceram 61%, saltando de 1,1 mil para 1,7 mil frente a 2018. No mesmo período, os lançamentos aumentaram 238%, passando de 216 unidades para 732. “No mercado do Recife, o pior foi em 2018. A capital pernambucana lançava 6 mil unidades em 2016 e reduziu isso a 1 mil no ano passado. O estoque ainda influencia muito o mercado da região”, observa o vice-presidente da área de Indústria Imobiliária da Cbic, Celso Petrucci. 



Estoques no Nordeste

No Nordeste, os estoques caíram 16%, enquanto no País a média foi de 8% entre os três primeiros meses de 2019, comparado ao mesmo período de 2018. Se não há reposição de imóveis no mercado, no médio ou longo prazo isso pode se refletir no preço dos apartamentos. “A Previdência passou agora em primeira votação, daqui para setembro deve ser concluída e, depois, vem a reforma tributária. Cada passo desse devolve confiança para o mercado, tanto para o empresário que tá deixando de lançar quanto para quem quer comprar, mas não o faz. Tudo isso, com a queda dos estoques, pode fazer com que o preço suba. Quando? Não sabemos dizer”, pontua Petrucci.

Para que a classe média e alta tenha mais interesse pelos imóveis, bancos como a Caixa e o Santander já deram início a uma nova rodada de redução dos juros. No banco espanhol, até setembro, a taxa de 8,99% está em 7,99% + TR para clientes com renda mínima de R$ 2,5 mil financiarem até 80% do imóvel. Na Caixa, as taxas no SFH e SFI foram unificadas para 8,5% (para clientes) e 9,75%. 

“Estamos apostando num resultado diferente este ano, porque ainda tem a demanda reprimida que vinha consumindo uma sobreoferta (estoque) que hoje em dia já quase não existe. Acho que agora iremos embalar num era de prosperidade. Lançamos um empreendimento de R$ 9 mil por m², em Casa Forte, há três semanas e já estamos com 20% vendidos. Antes, esse percentual era alcançado dentro de um ano. Para o segundo semestre, iremos colocar no mercado um prédio com Valor Geral de Vendas de R$ 30 milhões”, comemora o diretor da Suassuna Fernandes Engenharia, Saulo Suassuna. No último IVV da Fiepe (março), dos 5,6 mil imóveis em oferta, 67% usaram recursos do sistema financeiro habitacional e representaram 56% das vendas, com valor do m² entre R$ 1,7 mil e R$ 9,1 mil.




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