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Decisão de Trump sobre aço e alumínio tem pouco impacto no Brasil

Presidente americano usou o Twitter para dizer que voltará a taxar aço e alumínio

Publicado em 02/12/2019, às 19h57

Bolsonaro e Trumo. Aço e alumínio: o que existe é bilateralidade entre Brasil e Estados Unidos / BRENDAN SMIALOWSKI / AFP
Bolsonaro e Trumo. Aço e alumínio: o que existe é bilateralidade entre Brasil e Estados Unidos
BRENDAN SMIALOWSKI / AFP
JC Online

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retomar as tarifas sobre o aço e alumínio provenientes do Brasil e da Argentina tem pouco impacto sobre o comércio desses dois países. Ontem pela manhã, Trump usou sua conta no Twitter para dizer que o Brasil e a Argentina têm desvalorizado as próprias moedas e que, por causa disso, iria voltar a taxar os produtos vindos dos dois países.

“Essa decisão não vai afetar as exportações brasileiras de aço e alumínio, até porque a venda desses produtos, tanto do Brasil quanto da Argentina, são baixas. O Brasil exportou US$ 2,7 bilhões para os EUA este ano, é 10% a menos do que exportou no ano passado. A exportação é baixa, assim como a da Argentina também. A exportação de aço representa 3% das vendas dos argentinos”, comentou o economista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus.

Empresas brasileiras que poderiam ser afetadas pela decisão do presidente americano operaram em alta durante o dia de ontem. Na Bolsa, as ações da Vale subiam 2,9% ao final do pregão, assim como as da CSN (5,4%), que ficaram entre as maiores altas do dia. O Ibovespa fechou em terreno positivo de 0,64%. Para Laatus, o posicionamento de Trump traz algumas lições. “Eles estão mais preocupados com os melhores interesses deles, e essa coisa de Bolsonaro dizer que é amigo de Trump não existe. O que existe é bilateralidade e países que buscam vantagens em comum. Então, a gente tem que entender isso e fazer a mesma coisa.”

Para Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), o Brasil poderia aproveitar a deixa de Trump para exigir maior reciprocidade dos americanos. Em agosto, o Brasil ampliou a cota de compra de etanol dos EUA de 600 milhões de litros para 750 milhões. “No caso dos ATRs (açúcares redutores totais), nós concedemos seis vezes mais isenção do que eles nos dão. O Brasil deveria sentar e renegociar como um todo todas as nossas plataformas de importação e exportação.”



A dependência brasileira do comércio com os americanos diminuiu desde o início dos anos 2000, depois que o Brasil ampliou seu comércio com a China. No ano passado, o Brasil exportou em 2018 US$ 29 bilhões e importou na mesma proporção. Foi o terceiro maior destino dos produtos brasileiros, depois da China e União Europeia.

RECADO

Há duas interpretações para a tuitada de Trump. A primeira é que seria um recado para brasileiros e argentinos num momento de guerra comercial e após o Brasil dar sinais de que vai aumentar os negócios com a China. A outra interpretação é que Trump estaria falando para o seu eleitor, num momento de crise de imagem, com o processo de impeachment correndo contra ele, a poucos meses das eleições de 2020, quando ele tentará a reeleição.

“Trump agora está focado no movimento da reeleição e quer esvaziar o discurso político do impeachment. Então, medidas como essa atingem setores da economia americana que são pouco competitivas”, observa o CEO da Consultoria Dharma, Creomar de Souza.

Além disso, a afirmação de que o Brasil e a Argentina manipulam o câmbio é considerada falsa, já que os dois países têm câmbio flutuante, que reflete os riscos globais. “Não tem fundamento, câmbio brasileiro está desvalorizando contra a vontade do Banco Central”, diz o diretor de investimentos da Finacap, Luiz Fernando Araújo.




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