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DÓLAR

Cotação em alta do dólar veio para ficar

Reflexos na economia da alta do dólar podem ser positivos ou negativos dependendo da atividade econômica

Publicado em 13/02/2020, às 20h07

Cotação do dólar nas casas de câmbio do Recife chegou a R$ 4,60 nesta quinta-feira (13) / Foto; Agência Brasil
Cotação do dólar nas casas de câmbio do Recife chegou a R$ 4,60 nesta quinta-feira (13)
Foto; Agência Brasil
JC Online

O dólar alto veio para ficar. Esta é a percepção de boa parte do mercado depois que o ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou que o câmbio recorde a R$ 4,35, registrado na última quarta-feira (12) é resultado de juros baixos. O ministro afirmou ainda que o Brasil está entrando “num novo modelo”, que estimula a exportação de produtos, apesar de desagradar a turistas brasileiros no exterior.

A moeda americana atingiu o pico de R$ 4,38 na manhã desta quinta-feita (13) e só cedeu depois da intervenção do Banco Central. O recuo fez com que a cotação chegasse a R$ 4,33 no final da tarde, patamar semelhante ao do início da semana. Para Edgard Leonardo, economista e professor da Unit-PE, é preciso entender que a oscilação do dólar é natural e não implica, necessariamente, na desvalorização do Real. Mas um câmbio alto também traz consequências ruins, diz o professor, como a elevação dos preços de insumos importados básicos como os alimentos (o principal seria a farinha de trigo, refletindo no preço do pão) e nos combustíveis (gasolina e diesel).

“Como a economia brasileira depende muito do modal rodoviário, a possível elevação nos preços dos combustíveis pode acabar provocando uma pressão inflacionária”, diz Edgar Leonardo. Já um setor que se fortalece com o câmbio alto é o agronegócio, que é a base da exportação brasileira, diz o professor. “Por outro lado, empresas que precisarão investir em tecnologia e equipamentos importados terão seus custos aumentados”, afirma o economista.

As agências de viagens e casas de câmbio já sentem os efeitos da elevação gradativa da cotação da moeda americana. A diretora comercial da SW Turismo, Sylvia Wolfenson, afirma que desde o início deste ano o movimento de compras de passagens e pacotes turísticos caiu 10%, mas ela acredita que ainda é cedo para atribuir a redução a alta do dólar.

“Normalmente o viajante a negócios não deixa de viajar , já o turista de lazer leva um tempo até assimilar a alta do dólar e reprogramar seus gastos”, explica Sylvia. Por outro lado, as empresas aéreas já começam a oferecer descontos em algumas taxas para não perder clientes. “O mercado vai se adequando de alguma forma”, diz Sylvia.



Paulo Victor, diretor da Europa Câmbio, diz que é comum o turista reduzir a compra de moeda estrangeira em momentos de dólar alto. “Nosso tíquete médio por cliente era de U$ 1.000 e agora deve ficar em torno de U$ 800”, diz Paulo. No inicio da noite de hoje (13) a cotação do dólar turismo nas casas de câmbio chegou a R$ 4,60.

INVESTIMENTOS EM DÓLAR

Para a advogada Gabriela Figueiras, gestora de Negócios Internacionais do escritório Queiroz Cavalcanti, é preciso aceitar os riscos e ver as oportunidades neste novo cenário. Para ela, investidores que pretendem se proteger contra a flutuação cambial, e aliviar seus efeitos negativos, podem utilizar ferramentas financeiras, como o hedge cambial e o swap cambial.

“Nas operações de swap o banco faz o pagamento da oscilação do dólar mais um premio. O investidor se compromete a pagar ao banco a diferença da taxa de juros durante o período do contrato. Ao fim do contrato, as partes trocam os rendimentos e, caso a taxa de câmbio aumente mais que os juros, os investidores ficam protegidos dessa flutuação”, explica Gabriela. “Na operação de hedge cambial se estabelece um compromisso de compra ou venda de dólar em data futura. Assim, o investidor negocia apenas o direito de assumir essa posição, não comprando de fato a moeda”, informa a advogada.

Gabriela diz ainda que há a opção de investimentos financeiros no exterior. “Dessa forma, a eventual alta do dólar também gera uma valorização dos ativos externos. Mas é importante que as empresas analisem os impactos fiscais desses movimentos”, pondera a advogada.




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