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Economia

AXA, gigante do setor de seguros, chega ao Recife. Presidente da empresa é uma figura

PERFIL Conheça o franco-suíço que comanda, no Brasil, uma mega seguradora. A empresa está prestes a abrir um escritório no Recife

Publicado em 04/06/2017, às 13h48

Executivo visitou a redação do Jornal do Commercio / Guga Matos/JC Imagem
Executivo visitou a redação do Jornal do Commercio
Guga Matos/JC Imagem
Saulo Moreira

O árido e sisudo mundo dos negócios também produz executivos fora do padrão. Philippe Jouvelot, 56 anos, é um deles. Cinco minutos de conversa e o franco-suíço demonstra um bom humor que rapidamente resvala para uma quase-excentricidade divertida e bastante incomum entre os que comandam grandes corporações. Philippe é presidente da AXA do Brasil, empresa que tem 720 funcionários, cerca de 25 mil clientes e deve faturar R$ 1,2 bilhão este ano.

Ainda pouco conhecida no Brasil, a francesa AXA é a maior seguradora do mundo em ativos. Nos 64 países onde está presente, emprega quase 180 mil pessoas e tem mais de 100 milhões de clientes. No ano passado, sua receita global foi de 100 bilhões.
Philippe é um otimista. Com o setor de seguros, com o Brasil, com a vida. E seus argumentos vêm sempre acompanhados de uma pergunta no fim do diálogo, como quem chama o interlocutor para o debate ou testa se suas palavras estão sendo mesmo assimiladas. Ele chegou ao Brasil em 2014, com a missão de abrir e comandar a filial da AXA no País. Era o fim do primeiro governo Dilma Rousseff, o País já sofria com a estagnação (ainda não era recessão) econômica e dez em cada dez analistas previam tempos tenebrosos.

Foi o ano em que o escândalo do mensalão foi julgado e o do petrolão começou a ser conhecido. “Estávamos no olho do furacão...”, relembro a Philippe, que me interrompe com o claro propósito de destacar o lado positivo do Brasil. “Do seu ponto de vista, sim, era o olho do furacão. Do meu, não. Cheguei num período com o câmbio favorável. E cheguei com euro. Tudo era mais barato. Você não concorda?” Concordei, claro.

BRASIL

Em meio a dados sobre seguro, sinistros, apólices e projeções, pergunto por que ele, após 32 anos de empresa, resolveu vir para o Brasil. Philippe destaca o potencial de consumo do País e logo começa a elogiar o povo brasileiro. “O brasileiro é um francês gentil”, diz com um sorriso de auto-ironia. “É acolhedor, trabalhador, sério. Óbvio que tem ladrões [NO BRASIL], como em todo país do mundo, mas as pessoas boas são muito mais numerosas. Você não concorda?”, completa o executivo para depois fazer mistério, com o sotaque característico que dobra os erres e transforma algumas proparoxítonas e paroxítonas em oxítonas. “Mas o brasileiro tem um defeito enorme. Enorme”, enfatiza. Qual defeito? “Ele critica o próprio país dele. Se ele viajar, vai ver o país maravilhoso que tem.”

De viagem, ele entende. Antes de ir morar em São Paulo, passou por 16 países, sempre trabalhando para a AXA.
Na América Latina, a empresa já está no México e Colômbia. No Brasil, começou em 2014 e já no ano seguinte faturou R$ 140 milhões. Em 2016, a receita saltou para R$ 651 milhões. As projeções passam ao largo de qualquer crise política ou econômica. A empresa comandada por Philippe planeja uma receita anual de R$ 20 bilhões nos próximos oito anos. Hoje, são 63 tipos de seguros oferecidos. Para varejo, vida, saúde, previdência, objetos valiosos e por aí vai. Um dos principais produtos são os seguros oferecidos a grandes empresas que, por sua vez, os repassam como benefícios aos seus funcionários e familiares.
Seguro de carro, porém, está fora de cogitação. Philippe argumenta que o investimento para se tornar competitivo no segmento é alto e, portanto, precisará de 20 anos para ter retorno. E em 20 anos, segundo ele, a forma como as pessoas se locomovem será totalmente diferente. “Meus filhos na França só usam Uber, táxi ou carros compartilhados com os amigos. O mercado do Brasil também vai mudar em 20 anos, você não concorda?”



Em se tratando de meio de transporte, a paixão de Philippe não tem nada a ver com carro. Ele gosta mesmo é de avião. A AXA tem em sua carteira mil aeronaves seguradas hoje no Brasil. E seu presidente pilota desde os 16 anos. Quando completou 40, recebeu um presente inusitado do irmão: comandar durante um voo de 45 minutos um caça soviético Delphin L29 usado pela Força Aérea da antiga Tchecoslováquia. Ao site Aviação & Mercado, contou que demorou dois meses para o governo francês conceder autorização para o voo. No primeiro ano no Brasil, sobrevoou o Pantanal e ficou encantado com as aves coloridas em contraste com o verde das áreas alagadas. Philippe tem dois filhos e três netos. Nasceu em Genebra. A dupla nacionalidade é decorrente de uma decisão do seu pai, que, ainda jovem, deixou a Grande Paris e foi ser diretor do Credit Lyonnais na Suíça. Lá, ele conheceu a esposa, também francesa, só que da cidade de Cannes.

A AXA tem uma estratégia definida para crescer no Brasil. E ela será aplicada a partir de um diagnóstico sobre o setor de seguros realizado pelo próprio Philippe. “As seguradoras no Brasil se tornaram muito lucrativas. Até demais. Exageradamente. Os produtos ficaram caros e com poucos benefícios. Se o produto não está bom, ninguém compra. Se tiver bom, o brasileiro compra. Um iPhone custa mais de R$ 3 mil e o brasileiro compra. Então temos que focar nisso, num produto que traga valor para o consumidor.” Dentro desta linha, a empresa se autodefine como popular e cita a Caixa Econômica como grande concorrente. Mas vai brigar também com Bradesco, SulAmérica, Banco do Brasil, ACE/Itaú e Chubb, cuja carteira de automóveis foi comprada pela Porto Seguro no ano passado.
“Vamos ser populares, sim, mas não quer dizer que não vamos conseguir fazer seguro de avião, de helicóptero ou de iate. Sabemos como fazer”, diz, confiante.

Após três anos no Brasil, a AXA está chegando ao Recife. Procura executivos, já conversa com corretores e negocia a abertura de um escritório no Centro. Será a primeira filial no Nordeste.
Na última segunda-feira, Philippe se encontrou com o prefeito Geraldo Julio, que comemorou a atração do investimento: “Vai gerar empregos e movimentar a economia da cidade num setor estratégico para o desenvolvimento do Recife que é o de serviços modernos.” Seguros, com se sabe, é uma das atividades que mais arrecadam Imposto sobre Serviços (ISS). No ano passado, o tributo garantiu R$ 700 milhões aos cofres da Prefeitura do Recife.
Dois dias depois de conversar com o prefeito, Philippe veio ao JC. Após a entrevista, conheceu a redação, tirou fotografias com o celular, conversou sobre futebol (é torcedor do Paris Saint-Germain) e sobre culinária, rejeitou um sorvete porque disse que queria se manter magro e brincou com repórteres.
Ao saber que a colunista social Mirella Martins havia morado na França, conversou em francês com a jornalista e elogiou sua fluência no idioma de Emannuel Macron.

Por falar em Macron, Philippe vibra ao mostrar um vídeo no smartphone em que, durante um encontro de chefes de Estado há quinze dias, o presidente francês deliberadamente dá as costas para o colega americano Donald Trump para cumprimentar, em primeiro lugar, a chanceler alemã, Angela Merkel. “É o espírito francês, o espírito da Europa. Você não concorda?”, analisa, orgulhoso. Para finalizar a conversa, cumprimento Philippe e o “entrego” ao fotógrafo Guga Matos, da JC Imagem.
Uma hora depois, Guga me procura preocupado para dizer que o francês não parou quieto durante a sessão de fotos e que, a todo momento, chamava quem passava por perto para que posasse ao seu lado. Sorrindo e brincando, sempre. Assim, fez fotos com vários funcionários, como Salomão Santiago, auxiliar de serviços gerais, e Ricardo Carneiro, secretário.
Bom humor facilita tudo, você não concorda?




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