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Negócio

Elógica S/A realiza sua última assembleia

Depois de crises financeiras e luta contra o câncer, o dono da lendária empresa de links de internet Elógica quer voltar a crescer

Publicado em 10/06/2012, às 06h25

Leonardo Spinelli

Na tarde de quinta-feira passada o empresário Belarmino Alcoforado tratava com seu engenheiro elétrico, conhecido de longas datas, a troca de uma subestação de energia. O prédio de 3 mil metros quadrados onde funciona a Elógica Processamentos de Dados S/A, empresa que fundou há menos de quatro décadas, está em reforma. Belarmino quer dar novas utilidades ao imóvel, em Peixinhos. Alugar para outros grupos empresariais interessados em se instalar na estrutura é um desses proveitos. 

Assim como o edifício, a própria Elógica está em fase de reestruturação. No dia 14 haverá assembleia que vai reduzir seu capital social de mais de R$ 2 milhões para cerca de R$ 14 mil. Apenas uma formalidade. A Elogica não é mais a empresa que à época da internet discada soava como sonho de consumo para qualquer recifense. Era uma das únicas a oferecer conexão digital ADSL. No seu auge, no ano 2000, foi provedora de mais de 70% do mercado local de banda larga, num link de pouco mais de 8 Megabytes (MB). Belarmino lembra que o negócio foi rebatizado de Pitaco e vendido para uma empresa norte-americana por US$ 8 milhões. “Levei um bolo de US$ 3 milhões”, diz resignado. A compradora não sobreviveu à bolha da internet que estourou no início do século.

 

 

Contratos de serviços de impressão de boletos e processamento de dados para grandes instituições e governos era o principal foco de sua empresa. O sucesso, no entanto, aconteceu uma década antes, nos anos 80, seu primeiro auge. Beneficiada pelo mercado brasileiro fechado, a Elogica criou o Corisco, primeiro computador desenvolvido no Nordeste. Vendeu mais de 5 mil unidades para clientes como o Banorte, além de comercializar sistemas de impressoras fiscais, hoje conhecidas como ECF.

Mas as coisas mudaram. Recentemente, depois de receber de volta 1/3 das ações da companhia de antigos funcionários, Belarmino se tornou o único sócio da Elógica. Resolveu problemas de insolvência e ainda este ano vai transformá-la em limitada. 



“É para reduzir custos. O patrimônio contábil é pequeno, não chega a R$ 10 mil. Em softwares temos de R$ 6 a R$ 10 milhões, mas estamos sem débito. Recebemos por serviços atrasados no valor de R$ 3 milhões (no ano passado)”, afirma. 

Quem devia essa fatura era o governo do Estado de Alagoas, pivô de uma briga jurídica que consumiu o empresário vários anos a partir de 2003, justamente a época em que ele lutava contra um câncer na garganta, hoje devidamente curada. A doença o afastou da liderança da companhia e a briga distanciou a empresa de novos negócios. “Perdemos a criatividade.”

A reestruturação societária marcada para esta semana é o fechamento de um ciclo para o empresário de 65 anos, mas não o fim. “Meu sonho sempre foi ter uma S/A, com participação minha, de um sócio capitalista e, na mesma proporção, dos funcionários. Voltarei a ter”, promete.

A confiança vem de seus novos projetos. O empresário pretende lançar serviços de integração de dados com ajuda de soluções que já estão disponíveis em plataformas e aplicativos de empresas como Google. Computação nas nuvens é o foco. Seus servidores estão instalados em países como Alemanha e Canadá. “Estamos crescendo novamente, contratando gente nova para desenvolver sistemas de gestão empresarial”, diz. “Hoje todo mundo tem smartphone, tablet. Essas ferramentas são usadas para gestão de negócios e queremos estudar novas formas de gestão, focar novos produtos para os pequenos empresários.”




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