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Contas públicas

Arena da Copa tem alta multimilionária

Estádio orçado em R$ 532 milhões, teve obras aceleradas e a nova fatura virá mês que vem. A "ordem de grandeza" é de R$ 650 milhões

Publicado em 30/05/2013, às 09h16

Giovanni Sandes

A Itaipava Arena Pernambuco, como foi rebatizada a arena pernambucana da Copa 2014, terá uma subida multimilionária no orçamento da obra. O contrato original do estádio previa entrega em dezembro que vem, por R$ 532 milhões. Mas o Estado determinou à Odebrecht, à frente do Consórcio Arena Pernambuco Negócios, a aceleração em 8 meses da obra, para a Copa das Confederações. Ontem, o secretário Extraordinário da Copa, Ricardo Leitão, disse que a nova cifra será apresentada pela empresa e validada até o final de junho, mas adiantou que a "ordem de grandeza", o número de referência do novo custo da arena, é de R$ 650 milhões.

"Como houve um esforço adicional para a antecipação do prazo, a conta será apresentada pelo consórcio", comenta Leitão. Ele explica que a Controladoria Geral do Estado (CGE), Procuradoria Geral do Estado (PGE) e a Secretaria de Governo (Segov) vão auditar os números, antes de validar a nova cifra. "A ordem de grandeza é de R$ 650 milhões", afirma o secretário.

Esse custo adicional para o governo pode ser pago em uma única parcela ou diluído durante um longo prazo. Isso porque a fase de construção da arena é só parte de um contrato muito maior, o da concessão do estádio, o que mistura a obra e sua operação, manutenção e conservação por 30 anos. É uma parceria público-privada (PPP), em que a maior parte da receita virá diluída durante as três décadas e não das obras, como normalmente as pessoas imaginam.

Uma das características de uma PPP é a necessidade de dinheiro público para equilibrar o negócio. No contrato, já era previsto o pagamento de uma contrapartida anual fixa de R$ 3,5 milhões, pelos 30 anos, fora uma parcela variável, que depende do desempenho comercial da arena.

Segundo Leitão, o governo pode pagar o custo adicional das obras elevando a fatura obrigatória de R$ 3,5 milhões por ano ou, por exemplo, ampliando o prazo de concessão.

Além disso, é preciso entender a fatia de dinheiro variável que o governo deve desembolsar. Ela tem a ver com a fase operacional da arena, que começará após a Copa das Confederações. Essa etapa está atrelada a uma espécie de "meta" de receita anual de R$ 73,2 milhões. Quando o valor for 10% acima disso, o governo lucra junto. Se for 10% menor, banca junto o prejuízo. Se for inferior a 50% (R$ 36,6 milhões) no ano, o governo banca sozinho todo o rombo.

A receita operacional está ligada à realização de eventos diversos, como grandes shows, mas principalmente ao futebol - além do Náutico, que já aderiu ao estádio em São Lourenço da Mata, a meta é fechar contrato com o Sport este ano.

Ricardo Leitão diz que um exemplo de receita operacional que surpreendeu foi a "venda do nome", o naming rights da arena, estimado em R$ 5 milhões. Há uma semana, a Itaipava anunciou um contrato de R$ 10 milhões ao ano, por uma década, para batizar a Itaipava Arena Pernambuco. Avanços como esse ajudam a equilibrar a receita operacional da arena e a reduzir a necessidade de aporte variável do governo, embora, em paralelo, a parcela fixa já esteja próxima de um primeiro grande aumento.

 




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