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Infraestrutura

Arena Pernambuco terá seu plano de negócios refeito

Mudança vai mudar projeções iniciais de receita privada do estádio da Copa

Publicado em 04/07/2013, às 00h18

Giovanni Sandes

O real custo da Arena Pernambuco para os cofres estaduais virou uma dúvida bilionária. O grupo Odebrecht não foi contratado só para obras, mas também para manter o estádio em perfeitas condições, com jogos e eventos, por 30 anos. A questão é que a elevação do gasto na construção, para cerca de R$ 650 milhões, fez o governo mandar rever todo o plano de negócios do estádio pelas próximas três décadas. Isso vai mudar os números originais: a “meta” de faturamento total de R$ 2,316 bilhões do grupo Odebrecht com a arena, até 2043, com ao menos R$ 1,278 bilhão garantidos com dinheiro público. Os novos números ainda não foram divulgados.

Dois dias após o fim da Copa das Confederações, que marcou o início formal do funcionamento da arena com a Odebrecht, a Secretaria do Governo (Segov) publicou no Diário Oficial o resultado da licitação que escolheu a IFL Empreendimentos e Tecnologia para “a objetiva constituição de novo plano de negócios da Arena e consequente aditivo contratual”. A data foi retroativa a 6 de maio.

As obras do estádio custariam R$ 532 milhões, com entrega em dezembro deste ano. Mas o Estado antecipou o prazo em 9 meses para a Copa das Confederações. A mudança vai levar as obras para uma “ordem de grandeza”, não valor fechado, de R$ 650 milhões, afirmou no último dia 30, ao JC, o secretário extraordinário da Copa, Ricardo Leitão. Desse valor, R$ 395 milhões já foram pagos com um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).



Mas a operação do estádio é a fase em que, pelo contrato, assinado em 15 de junho de 2010, o governo começou a cumprir duas obrigações. A primeira é pagar uma parcela fixa de R$ 4 milhões por ano. A outra está relacionada à projeção de R$ 73,2 milhões de receita anual do estádio com os 20 melhores jogos por ano dos três grandes times de Pernambuco, Náutico, Sport e Santa Cruz.

Como o contrato é uma parceria público-privada (PPP), o governo compartilha o lucro ou prejuízo, sempre que a receita for 10% maior ou menor que a “meta”, a projeção. Mas diante da dificuldade em levar os três clubes para o estádio, em São Lourenço da Mata, o governo criou uma garantia, algo comum em PPPs: se a receita for menos da metade da projeção anual, R$ 36,6 milhões, o Estado banca toda a diferença até a “meta”.

Mas as mudanças de prazo e condições de operação dispararam um gatilho de reequilíbrio econômico-financeiro da PPP, o que pode resultar em um contrato que dure mais tempo, seja mais caro ou que tenha menos obrigações para a Odebrecht. Tudo vai depender do cálculo da IFL e da decisão final do Estado.

Procurada, a Secretaria de Governo não respondeu até o fechamento da reportagem.





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