Jornal do Commercio
Mundial 2014

Orçamento da Arena Pernambuco sobe 18 vezes

Custo do estádio programado para este ano era R$ 5 milhões, mas já se aproxima de R$ 90 milhões

Publicado em 11/06/2014, às 00h13

Valor da obra vai sair de R$ 532 milhões para
Valor da obra vai sair de R$ 532 milhões para "o máximo de R$ 630,5 milhões", informa Estado
Alexandre Gondim/JC Imagem
Giovanni Sandes

O governo estadual aumentou mais ainda o gasto público com a Arena Pernambuco este ano. Inicialmente, o governo pagaria pelo funcionamento do estádio R$ 5 milhões em 2014 inteiro. Mas já gastou dez vezes mais, R$ 52,3 milhões. E ontem, segundo o Diário Oficial do Estado, destinou mais R$ 30 milhões para uma rubrica em que o estádio é disparado o maior custo. Com isso, o orçamento da arena este ano deve se aproximar de R$ 90 milhões.

Falta abertura sobre o verdadeiro custo público da arena, em contraste com o resultado do Instituto Ethos, que vê em Pernambuco a maior transparência nas obras do Mundial. Como o estádio está pronto há mais de um ano, só agora o governo começa a reconhecer que as obras podem sair de R$ 532 milhões para um “máximo de R$ 630,5 milhões”. Enquanto isso, seu orçamento anual, o custo pós-obras, segue desconhecido.

O estádio é uma parceria público-privada (PPP) e o maior gasto vem após a construção. A Arena Pernambuco Negócios, da Odebrecht, é a concessionária que construiu e vai e manter o estádio no padrão Fifa por 30 anos.
Mas as contas de hoje são muito diferentes de quatro anos atrás, quando em 10 de junho de 2010 Pernambuco assinou o contrato do estádio.

Na canetada, o governo se comprometeu a levar para a arena os 20 melhores jogos por ano de cada um, Náutico, Sport e Santa Cruz, até 2043. O cálculo na licitação era que as partidas renderiam por ano R$ 73,2 milhões. Com isso, fora os R$ 532 milhões das obras, o governo só pagaria R$ 5 milhões por ano, durante as três décadas.

Apenas seis meses depois, em 21 de dezembro de 2010, o Estado reconheceu o óbvio: não tinha como garantir os três times no estádio por tanto tempo. Para resolver a situação, fez um aditivo e garantiu um mínimo anual de R$ 36,6 milhões para a arena, até 2043. O impasse atrasou as obras em seis meses, o que gerou um outro custo, para acelerar a construção a tempo da Copa das Confederações.



No final, o contrato foi tão desfigurado que em abril de 2013 o governo contratou uma consultoria, a IFL Empreendimentos e Tecnologia, para rever todos os números. Em março passado, questionado pelo JC por meio da Lei de Acesso à Informação, o governo alegou não saber quanto custa qualquer fatura da arena, apesar dos pagamentos cada vez mais altos.

Depois de desembolsar R$ 390 milhões para pagar parte das obras, em 2013, em 24 de janeiro passado o Estado subiu o orçamento 2014 do estádio de R$ 5 milhões para R$ 57,6 milhões. A maior parte do dinheiro saiu do programa social Chapéu de Palha.

Agora, dos novos R$ 30 milhões, R$ 24 milhões saíram do Detran.

Procurado, o governo informou de modo genérico que o dinheiro vai bancar o estádio e contratos no programa de PPPs, “a serem calculados ao longo de 2014”. Mas três deles são de fiscalização e juntos, em 2013, custaram R$ 1,2 milhão. Além disso, a outra despesa da rubrica, o pedágio do Paiva, já começou 2014 com orçamento definido.

Segundo o governo, do dinheiro já pago à arena este ano, R$ 35,54 milhões foram para compensar o rombo na arena ano passado e R$ 16,76 milhões, o buraco do início de 2014.





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