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INOVAÇÃO

Reservatório de Sobradinho vai produzir energia solar

Serão colocadas placas fotovoltaicas em estruturas parecidas com balsas. O projeto é experimental da Chesf

Publicado em 08/11/2015, às 08h00

Sistema fotovoltaico instalado em lago numa fazenda que produz frutas na Inglaterra / Foto da internet
Sistema fotovoltaico instalado em lago numa fazenda que produz frutas na Inglaterra
Foto da internet
Angela Fernanda Belfort

O reservatório de Sobradinho, na Bahia, vai passar a produzir energia a partir da radiação do sol, experimentalmente, num projeto piloto da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). No Brasil, é a primeira vez vai se gerar energia solar dentro da água, mas já existem experiências similares na China, Índia, Inglaterra, Estados Unidos e Japão, sendo mais desenvolvido neste último. Maior reservatório do Nordeste, Sobradinho registra a cada dia um menor volume útil de água devido às estiagens que ocorreram nas nascentes do Rio São Francisco. A iniciativa terá um custo estimado em R$ 50 milhões e é bancado pelo Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da estatal.

O processo de contratação da empresa que vai fazer a implantação das placas fotovoltaicas deve ser concluído até 15 de dezembro. “A colocação dos painéis fotovoltaicos no lago reduziria o nível de evaporação do reservatório, ajudando a preservar a água em Sobradinho além de gerar uma energia limpa”, conta o diretor de Engenharia e Construção da Chesf, Antônio Varejão. Ele argumenta que a expectativa é de que Sobradinho tenha mais água, quando for finalizada a instalação do projeto num prazo de sete a oito meses (a partir de dezembro). Na última sexta-feira, o reservatório estava com 3,66% do seu volume útil, o menor desde 1979.

As placas fotovoltaicas ficarão em equipamentos similares a balsas feitas de PVC. Depois que for contratada a empresa que fará a implantação do sistema, a expectativa é de que esteja implantado um sistema piloto com a capacidade para gerar 1 megawatt (MW) num prazo de seis meses. A instalação total incluiria um sistema que pode gerar até 5 MW. Essa energia é suficiente para abastecer 15 mil residências, cada uma com um consumo médio mensal de 157 quilowatt-hora (kWh) por mês, segundo um cálculo realizado pelo gerente de P&D da Chesf, Willian Ramires Pires Bezerra. 



Depois de concluída a instalação do sistema, o projeto se estenderá por mais um ano com uma pesquisa que pretende avaliar o impacto da implantação das placas na água do reservatório, a temperatura, a umidade, além do monitoramento da própria energia produzida. Na área onde o projeto é implantado, os raios solares chegarão a água entre os espaços das estruturas que receberão as placas.

O lago de Sobradinho tem uma das melhores insolações do Brasil. Experiência similar será implantada no reservatório de Balbina, no Estado do Amazonas, pela Eletronorte, que pertence ao Sistema Eletrobras, assim como a Chesf. “A finalidade é ver o comportamento diferente da produção em Balbina e em Sobradinho. Esses dois projetos vão servir de base para projetos maiores de energia solar, trazer conhecimento, medir os impactos ambientais, entre outros aspectos”, afirma o diretor de Operações da Eletronorte, Wady Charone Júnior. O projeto da Eletronorte vai gerar até 5MW. 

Outras vantagens para a geração dessa energia: as empresas não terão custos de aluguel ou compra de terras e não será necessário implantar novas linhas de transmissão. Também há um aspecto complementar na geração solar porque nos períodos secos, em ambos os reservatórios, há uma maior incidência solar.




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