Jornal do Commercio
TECNOLOGIA

Hands Free, um exemplo de inclusão

Pernambucanos criam sistema que facilita vida de deficientes motores

Publicado em 01/05/2016, às 17h49

A partir de um dispositivo USB, pode-se usar comando de voz ou movimento de cabeça / Divulgação
A partir de um dispositivo USB, pode-se usar comando de voz ou movimento de cabeça
Divulgação
Editoria de Economia

“Cada vez que eu usava, me deixava maravilhada. Saber que eu poderia ligar o rádio, a televisão, acender e apagar a luz sem precisar pedir a ajuda de outras pessoas foi, para mim, de uma grande alegria”. O depoimento da funcionária pública Elaine Rodrigues diz respeito à sua experiência com o software Hands Free, tecnologia desenvolvida por um grupo de pernambucanos que permite maior autonomia no cotidiano de deficientes motores e concorre, no próximo dia 20 de maio, ao prêmio O melhor da inovação. A iniciativa vai selecionar profissionais que conseguiram colocar em prática soluções aplicadas ao cotidiano capazes de facilitar a vida dos usuários.

Quando conectado através de uma porta USB a dispositivos como computadores, rádios, televisão e aparelhos de DVD, o Hands Free permite ao deficiente utilizar, seja através do comando de voz ou movimento da cabeça, todos os equipamentos cotidianos sem nenhuma necessidade de adaptação. A tecnologia também pode ser para ligar e desligar lâmpadas, ar-condicionado, entre outros. Além da melhoria da qualidade de vida no dia-a-dia, é interessante notar que o programa também facilita a inserção das pessoas deficientes no mercado de trabalho. 

Outro diferencial do software é seu baixo custo de produção. Enquanto soluções similares no mercado custam em torno de R$ 100 mil por unidade, o Hands Free tem custo de produção aproximado de R$ 2,5 mil, e é destinado principalmente para usuários de baixa renda. “Atualmente, o equipamento é entregue a deficientes por meio de um regime de comodato. Ele é patrocinado por uma empresa pública ou privada e vai para a casa de alguém que precisa”, explica o diretor de comunicação do Instituto, Hands Free Philippe Magno. 



Caso uma pessoa que não seja de baixa renda deseje usar o produto, também pode adquiri-lo, mas pelo dobro do valor. “Com R$ 5 mil, fabricamos um produto para a pessoa que que solicitou e também conseguimos patrocinar outro para uma pessoa que não pode pagar o valor”, aponta Magno. 

O Instituto Hands Free já pensa em desenvolver novas soluções para deficientes, inclusive com outras limitações, como baixa visão e audição, e diz estar em busca de novos patrocinadores. Um novo produto deve ser apresentado já nos próximos quinze dias. 

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