Jornal do Commercio
Varejo

Centro do Recife se esvazia com a crise econômica

Mesmo com promoções, lojistas afirmam vender pouco

Publicado em 11/01/2017, às 07h42

De acordo com pesquisa do IBGE, comércio teve queda de 6,4% no acumulado de janeiro a novembro de 2016 / Foto: JC Imagem
De acordo com pesquisa do IBGE, comércio teve queda de 6,4% no acumulado de janeiro a novembro de 2016
Foto: JC Imagem
Yasmin Freitas

“Olhe, eu nunca vi uma crise como essa. Em dezembro do ano passado, a gente ficava aqui parado, conversando, porque não tinha cliente para atender, em pleno período de compras de Natal”. A declaração da comerciante Alexandra Pessoa, que vende camisetas com serigrafia no bairro de Santo Antônio, área central do Recife, reflete a situação pela qual estão passando muitos outros lojistas do centro. Enquanto alguns desistiram de abrir suas lojas aos domingos, outros seguem fechando as portas graças ao baixo movimento. 

Para se ter ideia, somente na Rua do Rangel, mesma localidade do estabelecimento em que Alexandra trabalha, a reportagem do JC encontrou nove lojas fechadas, além de uma galeria que abriga pelo menos outras sete, todas vazias. Outros pontos tradicionais do comércio recifense, como a Rua Santa Rita, Rua da Palma e Duque de Caxias também estão esvaziadas, mesmo diante das tradicionais promoções de janeiro. 

De acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, ontem, apesar da leve recuperação no mês de novembro – ainda não há dados sobre dezembro –, o varejo acumulou perdas durante todo o ano. De janeiro até novembro, a queda foi de 6,4% na comparação com o mesmo período de 2015. No caso do centro do Recife, o esvaziamento é tão grande que até o consumidor nota. “Eu vim no centro porque encontro preços melhores, mas todo mundo comenta que realmente tem cada vez menos gente circulando aqui”, diz a auxiliar administrativa Rebeca Rayanne. 

Para quem continua de portas abertas, o clima é, em grande parte, de desesperança. “Geralmente, a gente espera vender no Natal 100% do que vende durante o ano, mas agora em dezembro só vendi 50%. E quanto mais loja fechada ao redor, mais difícil é vender, porque ninguém vai ficar passando em uma rua que não tem lojas abertas”, diz o peruano Fredy Vitorino, que há dez anos trabalha no comércio do chamado “vuco-vuco”. 



Por outro lado, a expectativa de juros mais baixos e, por consequência, acesso facilitado ao crédito, além da queda da inflação, pode mudar o cenário de abandono do comércio. “O único fator que continuará preocupando é o desemprego, porque esse continua crescendo. Em 2017, a inflação deve cair cerca de quatro pontos percentuais, e com os juros mais baixos, as pessoas compram em maior volume”, aponta o economista da Fecomércio-PE, Rafael Ramos. 

Em Pernambuco, por outro lado, como a desmobilização de mão-de-obra foi acima da média nacional, o varejo pode demorar um pouco mais a sentir as mudanças. “Falamos muito em confiança do consumidor. Quando a pessoa tem medo de perder o emprego, não faz grandes compras no crédito nem parcela os produtos. Isso gera um desaquecimento de setores como eletrodomésticos, itens de informática e veículos, bens duráveis com valor mais alto”, aponta Ramos. 

Atualmente, o índice de desemprego, medido por uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), alcançou 64,8 pontos em dezembro, considerando uma escala de zero até cem. Por isso, além da redução de juros e da inflação, as melhoras só serão possíveis com a retomada da renda. 





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