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Infraestrutura

Suape precisa mais do que boa localização e infraestrutura

Especialistas internacionais em logística apontam ações para Suape se transformar em um porto de classe mundial

Publicado em 13/03/2018, às 07h00

Professor do MIT, Yossi Sheffi, apontou como foi o desenvolvimento de clusters logísticos no mundo / Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
Professor do MIT, Yossi Sheffi, apontou como foi o desenvolvimento de clusters logísticos no mundo
Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
ADRIANA GUARDA

O professor do Centro de Transportes e Logística do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Yossi Sheffi, é direto com as palavras: para o Porto de Suape se tornar um cluster logístico de classe mundial precisa ter mais do que uma boa infraestrutura e uma localização geográfica privilegiada. O especialista participou ontem no Recife do seminário Logística e Inovação: uma estratégia para Pernambuco, no Teatro RioMar. Um dos maiores estudiosos do assunto no mundo, Sheffi investigou a implantação de aglomerados logísticos ao redor do mundo e contou o que viu no livro Clusters logísticos. Além de Sheffi, o presidente do Canal do Panamá Jorge Quijano também trouxe a experiência da obra para o avanço do comércio marítimo mundial. O governador Paulo Câmara também marcou presença no evento.

Realizado pelo Cone - Condomínio de Negócios, o encontro reuniu empresários, profissionais do setor de logística e representantes do governo do Estado para discutir a vocação logística de Pernambuco e como a inteligência do Porto Digital pode contribuir para o desenvolvimento de soluções na área. “Não adianta Suape estar um dia mais próximo da África se for 25% mais caro. Nessa minha curta passagem pro Recife ouvi muitas explicações sobre as condições técnicas do porto, mas o que o cliente quer saber é quais são as vantagens comparativas do ponto de vista comercial, como preços, taxas, impostos e tempo de trânsito”, provocou Sheffi.

O professor comparou o preço da movimentação de contêiner entre nos portos de Suape, Santos e o Canal do Panamá. No porto pernambucano a movimentação de um contêiner custa R$ 1 mil, contra R$ 800 em Santos e R$ 300 no Panamá. O presidente do Porto de Suape, Marcos Baptista vez questão de destacar que os preços são parte do “Custo Brasil” e que o porto é mais competitivo na movimentação de outras cargas, como os granéis líquidos (combustíveis, óleos e derivados de petróleo), que representam hoje 74% da movimentação de cargas do complexo.



O especialista destacou alguns fatores que facilitaram a criação de clusters logísticos no mundo. “Estamos falando de geografia, de história-cultura do lugar e de um governo amigável. Foram com base nessas condições que surgiram os clusters de Cingapura, Holanda, Zaragoza, Memphis, Panamá e Chicago”, complementa o especialista do MIT.

CANAL DO PANAMÁ

O executivo Jorge Quijano mostrou como o Panamá, um país com uma população de 4 milhões de pessoas (equivalente a Região Metropolitana do Recife) se transformou em um dos principais corredores do comércio marítimo mundial, a partir da ampliação do Canal do Panamá, inaugurada em junho de 2016. Com a conclusão da obra, os Estados Unidos aumentou o trânsito de produtos pelo Canal, sobretudo contêineres e as cargas de GLP e GNL. Hoje os Estados Unidos são os principais clientes do Canal, com participação de 68%, seguido pela China, Chile, Japão, México e Colômbia.

“A decisão da rota dos navios é dos armadores. Hoje acreditamos que Fortaleza (Porto de Pecém) teria mais condições de receber os navios que atravessam o Canal do Panamá do que Suape, que está mais no centro da costa brasileira. Mas o porto pernambucano tem potencial por sua condição de infraestrutura, mas pode melhorar agregando outros modais como a ferrovia”, defende Quijano. O governador destacou a importância do debate para discutir o futuro do Estado.




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