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CONCORRÊNCIA

Aplicativo 99 quer crescer mais de 80% no Recife

Futura legalização dos aplicativos de transporte pela Prefeitura faz com que empresas de aplicativos traçem estratégias para atrair clientes

Publicado em 14/09/2018, às 08h10

Presidente da 99 vê finalidade social na atividade:
Presidente da 99 vê finalidade social na atividade: "Um motorista de aplicativo ganha cerca de 20% a mais que a média do trabalhador brasileiro".
Sergio Bernardo / JC Imagem
Edilson Vieira
Repórter de Economia

Na próxima semana, a Câmara Municipal do Recife deve colocar em votação o projeto de lei que regulamenta os aplicativos de transporte na capital. A liberação para que motoristas particulares possam operar oficialmente com transporte de passageiros acirrou a concorrência entre as empresas de aplicativos. Ontem (13), o presidente da 99, segunda maior empresa de aplicativos de transporte individual, no Brasil, e principal concorrente da Uber no País, esteve no Recife para anunciar estratégias de expansão no mercado. “Crescemos 44% nos oito primeiros meses no Recife e, com a regulamentação, acreditamos que possamos aumentar o market share na mesma proporção até o final deste ano”, projeta Matheus Moraes, presidente da 99.

A 99 não divulga números de faturamento, “a concorrência neste setor é muito grande”, justifica-se Ricardo Kauffman, gerente de Relações Públicas da empresa, mas revela que são 300 mil motoristas parceiros atuando em 500 cidades brasileiras. A 99 atua com motoristas de carros particulares e também táxis. O grande desafio para uma empresa deste setor é o ponto de equilíbrio entre os interesses do passageiro e do motorista. “Não adianta eu baratear a corrida para o cliente e continuar cobrando o mesmo do motorista. A gente prefere reduzir os custo para os dois e ganhar no volume de viagens”, diz Matheus Moraes. Ele revela o impacto social do negócio. “Um motorista de aplicativo ganha cerca de 20% a mais que a média do trabalhador brasileiro. Além disso, 70% das corridas no Recife começam ou terminam em bairros de baixa renda. Eram pessoas que antes não usavam o transporte individual por ser muito caro.”, afirma.

Para atrair mais profissionais para o seu sistema, a empresa zerou a taxa que cobra dos taxistas por 30 dias (até 07 de outubro) e reduziu também a taxa para condutores particulares. Em maio era 19,9%, passou para 14,9%  e agora passa a ser 12,9% em cima do valor de cada corrida. “No caso do motorista particular a redução não tem prazo determinado, é uma forma de estudarmos a reação do mercado”, diz Matheus Moraes. O presidente da 99 acredita que o mercado brasileiro tem muito o que amadurecer ainda. Segundo um estudo feito pela empresa, em horário de pico, os carros com aplicativos representam apenas 1% do tráfego na cidade de São Paulo e durante a madrugada, quando a maioria das pessoas se desloca por lazer, 50% do carros que circulam em São Paulo são de aplicativos. “Os aplicativos não contribuem para piorar o trânsito nas cidades, como se acredita”, diz Moraes.

A 99 vê com bons olhos a regulação do número de carros nas grandes cidades, mas não necessariamente a limitação. A lei que deve ser aprovada no Recife prevê um estudo de impacto econômico e ambiental depois de um ano da liberação do serviço de transporte. “O ideal é a regulação de acordo como a demanda. Nós estamos prontos a contribuir com as prefeituras que regulamentam o serviço para planejar a mobilidade”, diz Moraes. Um alvo da empresa é convencer os proprietários de veículos particulares a deixar o carro em casa, ou mesmo, trocar a posse do automóvel pelo serviço prestado.



Um estudo da 99 com a Fundação Instituto Pesquisas Econômicas (FIPE), em São Paulo, mostrou que o uso de aplicativos aumenta o acesso a vagas de emprego por facilitar a conexão da população com trens, metrôs e ônibus, e libera cerca de 78 mil vagas de estacionamento diariamente na cidade. “Se tem muito trânsito não conseguimos fazer corridas. A gente na verdade tem prejuízo. Não temos interesse nenhum em aumentar o trânsito, tenho interesse em melhorar a mobilidade porque nossa empresa cresce com isso”, diz o presidente.

APLICATIVO

O executivo da 99 diz que a companhia tem a missão de acabar com o trânsito congestionado no Brasil em 10 anos. “Parece magia mas quando você lembra que há quatro anos ninguém usava aplicativos não parece uma meta tão impossível de acontecer”, reflete Moraes. Segundo ele, um exercício para saber como será a mobilidade do futuro é olhar o que está se fazendo hoje na China, onde, diz, existem diversos modais para um mesmo aplicativo oferecendo serviços como mini-ônibus, fretados, entregas de comida e caronas.

A 99 foi fundada no Brasil em 2012. Em Janeiro de 2017, a empresa recebeu um aporte de US$100 milhões de dólares da chinesa Didi Chuxing, líder global em aplicativos de transporte. No início deste ano a DiDi Chuxing adquiriu o controle total da 99 por 960 milhões de dólares tornando a 99 a primeira Unicórnio do mercado brasileiro (startups com valor de mercado acima de 1 bilhão de dólares).


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