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infraestrutura

Suape precisa se tornar competitivo em âmbito global

Política de governo, gestão azeitada e conhecimento de mercado são algumas das exigências

Publicado em 09/11/2018, às 12h21

Novos projetos dependem de investimentos e decisão política / Foto: Edmar Melo/Acervo JC Imagem
Novos projetos dependem de investimentos e decisão política
Foto: Edmar Melo/Acervo JC Imagem
Adriana Guarda

Suape completa quatro décadas de história com o desafio de planejar o futuro se quiser se transformar num porto de classe mundial. Reconhecido como o melhor equipamento público do setor no Brasil, o complexo tem potencial de crescimento incontestável, mas precisa se alinhar às exigências do mercado global. Isso se consegue com política de governo, gestão azeitada, conhecimento de mercado, atração de negócios e investimento permanente na melhoria da infraestrutura. Ao longo desses 40 anos, a atividade portuária se transformou no Brasil e no mundo. Terminais privados se multiplicaram pelos portos, concorrentes regionais ganharam competitividade e a ampliação do Canal do Panamá mudou o desenho do comércio marítimo global. A formulação de uma estratégia para os próximos anos precisa levar em consideração esse novo cenário.

“O Complexo de Suape tem uma localização extraordinária, um grande território e uma infraestrutura muito superior a dos portos públicos brasileiros. Apesar de parecer muito, isso não é suficiente para transformá-lo em um hub port, porque um porto não cresce sozinho. Ele precisa atender a uma demanda de mercado, estar amparado pelo crescimento estadual do PIB e ser impulsionado por um mercado consumidor atrativo”, analisa o consultor portuário da Agência Porto, Ivam Jardim Arienti.

O discurso de que a localização privilegiada e a infraestrutura bastam também foi desconstruído por especialistas internacionais, durante o evento "Logística e Inovação", realizado no Recife em março deste ano pelo Cone S.A, em parceria com a Amcham. Além de apontar o concorrente Porto de Pecém, no Ceará, como uma localização mais viável para receber os navios que atravessam o Canal do Panamá, o presidente da estatal, Jorge Quijano, também questionou a ausência de outros modais para tornar Suape mais competitivo, fazendo referência sobretudo à ferrovia.

Em relatório da Transnordestina Logística S.A apresentado na semana passada à comissão da Câmara dos Deputados que analisa a situação da obra coloca em xeque a chegada da ferrovia a Suape. O levantamento aponta a necessidade de investir mais R$ 6,4 bilhões na obra (depois de já terem sido desembolsados R$ 6,8 bilhões), além de priorizar o trecho em L entre Eliseu Martins (PI) e o Porto de Pecém, adiando a conclusão da ligação com Pernambuco para 2027. O texto foi apresentado a deputados do Ceará e do Piauí, sem a presença de nenhum dos cinco parlamentares da representação pernambucana.



O presidente do Complexo de Suape, Carlos Vilar, destaca que a ferrovia é definitiva para viabilizar a implantação de um terminal de minério e o próprio terminal de grãos vegetais que está em funcionamento, mas precisa ter ganho de escala para ser competitivo. Os dois terminais fazem parte da estratégia de expansão do porto nos próximos anos. “Empresários chineses demonstraram interesse no projeto e já têm expertise porque construíram um terminal e uma ferrovia em São Luís”, pontua.

POLÍTICA

Nos últimos anos, o componente político tem trazido prejuízos ao Porto de Suape. A candidatura do ex-governador Eduardo Campos (PSB) à Presidência da República, em contraponto ao governo de Dilma Rousseff, estremeceu as relações com o PT na época e fez minguar os repasses de recursos federais para Pernambuco. De lá para cá, Suape não recebeu mais nenhum centavo da União. O realinhamento político com o PT na eleição presidencial e a vitória de Jair Bolsonaro (PSL) também vão exigir um esforço do governador para voltar a captar recursos federais para o porto.

No plano estadual, a descontinuidade na gestão do complexo também foi nociva. Durante a gestão do governador Paulo Câmara, Suape mudou cinco vezes de comando (Bernardo D’Almeida, Evandro Avelar, Thiago Norões, Marcos Baptista e agora Carlos Vilar) e deixou de tocar pequenas obras de infraestrutura e manutenção interna do porto. Em pleno aniversário de 40 anos, a escultura na entrada de Suape está com as letras caídas e a festa passou praticamente despercebida, na última quarta-feira. A comemoração se limitou a um almoço interno dos funcionários, sem a presença do governador. Bem diferente da festa de 30 anos, comandada pelo ex-governador Eduardo Campos, na Oficina Cerâmica Brennand, na Várzea, com a presença de seis ex-governadores. Adversário político de Eduardo, o senador eleito na chapa de Paulo Câmara, Jarbas Vasconcelos, não compareceu ao evento naquele ano, alegando compromissos pessoais.

No mercado, a entrega da presidência de Suape para angariar apoio político vem sendo bastante criticada. Hoje, tanto a Secretaria de Desenvolvimento Econômico quanto Suape atendem à indicação do PP de Eduardo da Fonte. Especialistas do setor defendem que a gestão de todos os equipamentos do Estado (Suape, Recife, Petrolina e Fernando de Noronha) seja concentrada para que se crie uma política portuária estadual.



Comentários

Por Carlos,09/11/2018

O impressionante eh que a ferrovia eh um sonho dos PERNAMBUCANOS desde a epoca do imperio. Então a Transnordestina fica nas mãos dos cearences e muda a rota de chegada do porto. Incrivel como estamos sem força politica. Veja o caso da transposilão do São Francisco. Levaram agua para os outros estadose tem ribeirinho morrendo de sede ao lado do rio. E o governo do Estado nada.



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