Jornal do Commercio
21º Prêmio ISS

'Não consideramos aumento de impostos', diz Geraldo Júlio

Descartando a possibilidade de aumentar impostos, o gestor deve seguir cortando custos excessivos

Publicado em 06/12/2018, às 17h16

Em entrevista ao Jornal do Commercio, o prefeito do Recife, Geraldo Julio, falou sobre o desafio de equilibrar despesas e receitas / Foto: Andrea Rego Barros/PCR
Em entrevista ao Jornal do Commercio, o prefeito do Recife, Geraldo Julio, falou sobre o desafio de equilibrar despesas e receitas
Foto: Andrea Rego Barros/PCR
Editoria de Economia

Em entrevista ao Jornal do Commercio, o prefeito do Recife, Geraldo Julio, falou sobre o desafio de equilibrar despesas e receitas. Descartando a possibilidade de aumentar impostos, o gestor deve seguir cortando custos excessivos. Em desacordo com o Tesouro Nacional, que aponta o Recife como uma capital dependente do financiamento de terceiros, o prefeito reforça os investimentos feitos com recursos próprios e fala em educação como prioridade em 2019.

Confira a entrevista

JC - O ISS passou a ser a maior fonte de receita para o Recife. O que muda na vida do contribuinte e na forma de investir no município?

GERALDO JULIO – Isso dá o tamanho da força do setor de serviços no Recife. Costumo dizer que nossa cidade é especial por um fator muito específico: somos uma cidade territorialmente pequena, portanto não há área para a instalação de um grande parque industrial, não temos uma grande reserva de recursos naturais como petróleo ou minérios, nem uma grande fronteira agrícola, portanto, a economia e o futuro do Recife dependem das pessoas, da qualificação e do espírito inovador dos recifenses. Então o destaque do ISS na receita municipal é um indicativo de que esse é o caminho do futuro do Recife e que toda a sociedade tem a ganhar com isso, porque incrementa uma fonte de receita própria, que dá autonomia ao Recife para decidir sobre os investimentos públicos que serão realizados.

JC- O que a prefeitura tem feito para reduzir a despesa de custeio da máquina pública?

GERALDO – O desafio ficou ainda maior porque além da receita escassa em função da crise, tínhamos que fornecer ainda mais e melhores serviços para a população. O conceito da eficiência na despesa acreditando que sempre é possível cortar gastos sem reduzir a qualidade do serviço prestado, aliado a uma máquina de arrecadação capaz de garantir os recursos sem aumento da carga tributária, mas combatendo a sonegação e premiando o contribuinte que paga em dia, foram as bases para enfrentar este momento com equilíbrio fiscal, e realizar as entregas que a população precisa.

JC- Recife está abaixo da média nacional de investimentos com recursos próprios, segundo o Tesouro Nacional. O crescimento do ISS sinaliza uma mudança desse panorama?

GERALDO – Do nosso ponto de vista o Recife foi capaz de investir mais recursos próprios (R$ 82,2 milhões) do que o primeiro e segundo colocados (R$ 36,5 milhões, Natal e R$ 51,9 milhões, São Luís) no relatório do Tesouro Nacional e ainda foi competente para alavancar recursos de outras fontes de modo a fornecer as obras de infraestrutura necessárias para a cidade.



JC- Espera-se aumento dos investimentos na cidade? Com que dinheiro?

GERALDO - Além dos investimentos com recursos próprios, nós continuamos buscando alternativas para continuar investindo na cidade. Governamos durante a maior e mais prolongada crise financeira da história do Brasil e, nesse período turbulento, elevamos o patamar de investimento na cidade: em infraestrutura, educação, saúde, cidadania. Foi nesse período que o Recife conheceu e ganhou o Hospital da Mulher, os Compaz, a conclusão da Via Mangue, as Upinhas e tantas outras melhorias e novidades que conseguimos implantar, com muito esforço e capacidade de gestão nesses últimos anos. A tendência é que, se confirmada alguma recuperação econômica, consigamos fazer mais investimentos e o ISS se destacando como fonte prioritária de receita do município nos dá autonomia na alocação desse investimento.

JC- Há possibilidade de aumentar impostos?

GERALDO – Não consideramos aumento de impostos. Enfrentamos a crise com muita ferramenta de gestão e capacidade de cortar onde era possível cortar e buscar receita onde era possível encontrar receita. Essa foi a fórmula de sucesso que o Recife utilizou e é assim que continuaremos a gerir as contas do Recife, com muita responsabilidade e compromisso com os recifenses.

JC- Além da questão fiscal, um dos principais problemas enfrentados hoje pela sociedade é o problema da segurança. Como a prefeitura atua na área?

GERALDO – O Recife faz parte do comitê gestor do Pacto Pela Vida do Governo do Estado, e temos uma política pública municipal de Segurança Urbana alinhada com a estratégia estadual, que é o Pacto Pela Vida do Recife, cujo o foco é a prevenção, fomento da cultura de paz e cidadania em áreas de alta vulnerabilidade. O carro chefe desse processo são os dois Compaz, o Governador Eduardo Campos, no Alto Santa Terezinha, e o Ariano Suassuna, no Cordeiro. Os dados mais recentes da Secretaria de Defesa Social (SDS) apontam uma redução nos números de homicídios e roubos aqui na capital. Se compararmos os dez primeiros meses de 2018 como o mesmo período de 2017, o Recife teve uma redução de 26% nos homicídios. Também obtivemos um decréscimo nos índices de roubos no período de janeiro a outubro deste ano. Uma redução de 23,22%.

Em números absolutos, podemos afirmar que evitou-se 8.283 crimes deste gênero. Esses dados mostram que estamos conseguindo reverter esse problema sério, mas não é motivo de comemoração. Continuaremos trabalhando duro para ter uma cidade cada vez mais segura e humana para todos



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