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CAGED

Pernambuco teve em março o 4º pior saldo do Brasil em geração de empregos

O saldo negativo coincide com a queda de expectativas de crescimento econômico, embora especialistas atribuam os dados à uma questão sazonal

Publicado em 25/04/2019, às 08h40

Em março, foram fechadas 6.286 vagas em Pernambuco / Foto: Agência Brasil
Em março, foram fechadas 6.286 vagas em Pernambuco
Foto: Agência Brasil
Da Editoria de Economia

O mercado de trabalho formal fechou o mês de março no vermelho. Segundo dados divulgados na última quarta-feira (24) pelo Ministério da Economia, o saldo entre admissões e demissões no País ficou negativo em 43.196 vagas. Em Pernambuco foram fechadas 6.286 vagas no último mês, o quarto pior resultado do Brasil. Em fevereiro, o Estado havia ficado em primeiro lugar entre os piores desempenhos, com baixa de 12.396 vagas. Os números fazem parte do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), compilados pela Secretaria de Previdência e Trabalho.

Considerando o dado sem ajuste sazonal, o País fechou o trimestre com criação de 164,2 mil vagas, uma queda de 15,8% em relação aos 195,2 mil empregos criados em igual período do ano passado. Em 12 meses, o acumulado é positivo em 472.117 vagas. Já no Estado, tanto no acumulado dos primeiros três meses de 2019 quanto nos últimos 12 meses, o saldo é negativo, em -26.298 e -3.862, respectivamente.

Na avaliação do secretário do Trabalho, Bruno Dalcomo, o resultado negativo no Brasil foi influenciado por uma questão sazonal. “Em fevereiro, as contratações superaram as demissões em mais de 173 mil vagas, superando em muito as expectativas de economistas do mercado, que estavam na casa dos 80 mil postos. Ou seja, os empresários que costumam demitir no início do ano seguraram as dispensas. Como compensação, essas demissões represadas acabaram chegando em março”, disse.

O dado negativo, no entanto, coincide com a reversão de expectativas de crescimento econômico. De acordo com o boletim Focus, compilado de projeções de economistas divulgado pelo Banco Central, o mercado começou o ano esperando que o PIB cresceria 2,5% neste ano e, hoje, já prevê alta de apenas 1,7%. 

Em março do ano passado, o mercado formal de trabalho havia criado 56.151 vagas com carteira assinada. O resultado deste ano é o terceiro pior para o mês da série histórica iniciada em 2002. O número foi puxado principalmente pela perda de 28.803 postos de trabalho no comércio. O setor de serviços, em contrapartida, ajudou a evitar um resultado ainda pior, ao registrar saldo positivo de 4.572 contratações.



Todas as regiões tiveram resultados negativos, com destaque para o Sudeste, onde a perda chegou a 10.673 postos. Entre os Estados, o pior índice foi o de Alagoas (-9.636 vagas), seguido de São Paulo (-8.007) e Rio de Janeiro (-6.986).

PERNAMBUCO 

Quarto no ranking dos piores resultados, Pernambuco registrou o pior saldo de empregos na indústria de transformação, com 4.050 demissões, sendo que somente a indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico fechou 2.498 postos. O segundo pior resultado foi o do comércio, com 908 demissões em março. Depois, vem o setor de serviços, com menos 773 vagas. Historicamente, por causa da sazonalidade e das demissões na indústria canavieira, Pernambuco registra resultados negativos em março. É assim pelo menos há 16 anos. “ Pernambuco tem um problema estrutural, com corte de empregos tanto na indústria de transformação, como na construção civil e no comércio, ou seja, na base do crescimento econômico. Sem estimular geração de crescimento, vai continuar ruim”, disse o economista Thobias Silva.

"Os índices mais preocupantes em Pernambuco são os da Construção, Indústria da Transformação e Comércio Varejista. São os setores que mais empregam e que mais têm demitido”, observa o economista Jorge Jatobá e sócio da Ceplan Jorge Jatobá. 

Para além dos efeitos sazonais, no entanto, a crise e o cenário político desfavorável são as principais causas das demissões, na avaliação do economista. “Quando o investimento público cai e o setor privado enfrenta uma situação instável, o crescimento da economia acaba não se refletindo no mercado do trabalho. As empresas não só demitem, como sequer contratam. É preciso ter segurança na economia para voltar a contratar”, analisou.




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