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Verão é sinônimo de comércio agitado para ambulantes das praias do Grande Recife

Fim do inverno já leva o pernambucano às praias e aquece os negócios de sol e mar

Publicado em 08/09/2019, às 09h31

Somente no Recife, há mais de mil ambulantes cadastrados no Semoc / Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Somente no Recife, há mais de mil ambulantes cadastrados no Semoc
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Marília Banholzer

Quem trabalha nas areias das praias do Grande Recife diz que, tradicionalmente, a abertura do verão acontece no dia 7 de setembro. A estação do sol, portanto, já começou. Embora não haja dados oficiais que comprovem a importância dos negócios à beira-mar para a economia do Estado, os comerciantes esperam ansiosamente por esse período de temperaturas elevadas, sol de rachar e céu azul.

Somente no Recife, a Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano do Recife (Semoc) tem 489 ambulantes fixos cadastrados e outros 603 circulantes que ficam em carrinhos pelas areias do Pina e de Boa Viagem. Já em Jaboatão dos Guararapes, há outros 240 barraqueiros registrados junto à prefeitura. Em Olinda são 63 palhoças fixas na faixa de areia e outros 15 quiosques no calçadão. A concorrência é grande, por isso, é preciso se renovar para agradar o cliente.

Com 20 anos de praia, o barraqueiro José Luiz Pereira, 47 anos, sabe bem a importância de renovar o empreendimento. Mais conhecido na praia de Piedade como Lula, hoje ele tira o sustento da família do ponto fixo quem mantém em frente ao Edifício Eldorado, na Av. Beira Mar, em Jaboatão dos Guararapes. Para o verão 2019, Lula decidiu investir R$ 22 mil na reforma do quiosque que usa. Comprou 15 piscinas infláveis de 2.300 litros e fez até parceria com empresa fornecedora de gelo.

“A diversão da classe média e dos mais pobres é praia. Temos que estar preparados, investir para melhor atender e não perder o cliente. O inverno é muito ruim para os negócios, ainda mais quando é chuvoso como foi o deste ano. Por isso decidimos ter piscina para cada guarda-sol, wi-fi, banheiro privativo, sucos naturais. Temos que ir inovando”, contou.

De acordo com Lula, o faturamento cai até 60% nos dias nublados. Nos chuvosos não há movimento. Mas entre os meses de setembro e fevereiro ele chega a atender 400 pessoas por fim de semana. Para isso, contrata até 12 pessoas para dar suporte ao negócio entre a sexta e o domingo. “A gente chama o 7 de setembro de abertura do verão, mas os feriados de 12 de outubro e 2 de novembro também são muito movimentados”, conta.

Já na praia de Boa Viagem, no Recife, o Point da Índia, próximo à Padaria Boa Viagem, também resolveu incrementar produtos e serviços para o verão 2019. A partir deste mês de setembro, a promessa é de novos sabores de caldinhos, implementação do pagamento com cartão de crédito e instalação de wi-fi.

Maxwell Silva, 24, conhecido como Suel, é esposo da proprietária do Point da Índia e fornecedor exclusivo de caldinhos para a barraca. Para ele, é preciso oferecer um diferencial no cardápio e no atendimento para fidelizar os frequentadores. “A barraca tem que ter tudo que o cliente precisa, por isso vamos investir em wi-fi e maquineta de cartão, mas também vamos melhorar os drinques, como caipirinha e caipirosca. Os caldinhos também ganharão novos sabores”, ressaltou.



Somente em caldinhos, a barraca vende entre cinco e sete litros durante o inverno. Para o verão, a quantidade mais que dobra e são comercializados entre 10 e 15 litros. Hoje o Caldinho do Suel, no Point da Índia, conta com sete variedades, mas o barraqueiro pretende inovar com sabores como caranguejo, salmão e aratu. “Meu sonho é colocar vendedores para percorrer toda a praia com meus caldinhos, mas hoje já fico feliz em oferecer sabores diferenciados para os clientes aqui da barraca”, disse Suel.

PRAIA PREMIUM

Além das barracas mais tradicionais, novas propostas têm surgido para um público mais exigente. Lounges, espreguiçadeiras, almofadas, espumante. Voltadas para frequentadores mais abastados, as barracas premium se propõem a levar o chique para a beira do mar. Uma delas é a novata Califa Beach (@califabeachoficial), localizada nas proximidades do Primeiro Jardim de Boa Viagem. O negócio existe há apenas um ano e já está pronto para encarar o segundo verão. Para isso, a dona da barraca, a jornalista Daniela Gouveia, 42 anos, investiu R$ 55 mil para renovar toda estrutura.

“Temos um mar que, por conta dos tubarões, não é tão convidativo, então é preciso oferecer o máximo de serviços e conforto na areia. Por isso, trocamos todo cenário, investimos num melhor balcão de drinks, capacitação dos garçons e novas opções saudáveis e veganas no cardápio”, enumerou Daniela. “Esse inverno castigou muito. Fiquei três semanas sem montar a estrutura. Além do prejuízo, minha equipe sofre. Tenho que dispensar as pessoas. Mas agora estamos todos com os olhos brilhando, esperando por um verão de muito sol, céu azul e calor de torrar, como o pernambucano gosta de curtir a praia.”

SOL E MAR

Oficialmente o verão só começa no dia 1º de dezembro, mas o fim do inverno já leva o pernambucano às praias e aquece os negócios de sol e mar. Na visão do economista da Fecomércio Rafael Ramos, o setor ambulante das praias carece de dados oficiais sobre geração de emprego e renda, faturamento médio, entre outros. “Como o comércio do litoral é muito informal, não se tem dados oficiais. Geralmente, são famílias que cuidam desses bares e não se tem muito controle dessas vendas no litoral”, ponderou Rafael Ramos.

No entanto, para o economista, é impossível desconsiderar a importância do verão para a economia de uma região litorânea, como Pernambuco. “É um período importante, que gera um fluxo maior de vendas. As pessoas vão poder contratar, seja formal ou informalmente. Isso também contribui para a cadeia produtiva, porque as pessoas vão deixar de estar desocupadas”, comentou Rafael Ramos.

Questionadas, as prefeitura do Recife, Paulista e Jaboatão dos Guararapes, todas na Região Metropolitana, não informaram uma expectativa de movimentação financeira gerada a partir dos negócios à beira-mar. No entanto, a Prefeitura de Olinda avaliou que os ambulantes conseguem renda de 2,5 salários por mês, enquanto os barraqueiros faturam cerca de R$ 15 mil. Na baixa temporada, no entanto, a queda varia entre 30% e 40%.




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