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Produção industrial cai e Pernambuco registra 2º pior desempenho do País

Indústria pernambucana apresentou queda em sete dos 13 segmentos industriais analisados

Publicado em 11/09/2019, às 08h36

Resultado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) / Foto: Renato Spencer/ Acervo JC Imagem
Resultado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
Foto: Renato Spencer/ Acervo JC Imagem
Da Editoria de Economia

A produção industrial de Pernambuco despencou 10,2% em julho, na comparação com o mesmo período do ano passado. Com o resultado, o Estado cravou o segundo pior desempenho do País, atrás apenas do Espírito Santo (-14,2%). Dos 13 segmentos industriais analisados, a indústria pernambucana apresentou queda em sete, com destaque para a construção naval, que assistiu ao fechamento do Estaleiro Atlântico Sul (EAS) no início de agosto e apresentou um recuo de 74,5% em relação a julho de 2018. No Brasil, a produção industrial caiu 2,5% no período. O resultado foi divulgado nesta terça-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ao longo dos sete primeiros meses do ano, a produção industrial de Pernambuco teve comportamento instável, com crescimento positivo nos dois primeiros meses, queda, crescimento e depois três quedas consecutivas. Na avaliação do coordenador do Núcleo de Economia da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), Cézar Andrade, além do resultado negativo da indústria naval, o agravamento da crise argentina também contribuiu para o resultado negativo.

“O freio nas exportações para o país fez com que alguns setores diminuíssem a produção, a exemplo dos produtos químicos, borrachas e plásticos. No ano passado, o desempenho desses segmentos estava bem melhor, enquanto este ano se percebe uma queda nas vendas externas e na produção”, observa.

O economista diz que o resultado negativo de julho surpreendeu porque, tradicionalmente, o segundo semestre costuma ser melhor do que o primeiro e a reação começa a aparecer logo em julho. “Mas acreditamos que ela ainda vai acontecer porque agora em setembro começou a colheita da safra da cana-de-açúcar e a atividade tem uma participação importante no setor de produtos alimentícios, que tem um peso de 29,24% na indústria de transformação do Estado”, contextualiza.



O presidente do Sindicato das Indústrias do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, adianta que a estimativa é de uma safra 9% superior a 2018/2019, com a produção saltando de 11,4 milhões para 12,5 milhões de toneladas de cana. “A demanda por etanol está aquecida e a estimativa é que a produção atinja 400 milhões de litros e os empregos cheguem a 60 mil postos diretos”, calcula o executivo.

No acumulado do ano, a indústria de Pernambuco apresenta queda de 1,6% na produção industrial, mas a estimativa do economista da Fiepe é que o exercício ainda feche com resultado positivo. Em 2018, o setor comemorou crescimento de 4,1%.

BRASIL

No País, o setor industrial caiu 2,5% e sete dos quinze locais pesquisados acompanharam essa queda. Além de Espírito Santo (-14,2%) e Pernambuco (-10,2%) com as maiores quedas, a região Nordeste (-7,9%), Minas Gerais (-6,5%), Bahia (-5,6%), Mato Grosso (-3,2%) e São Paulo (-2,7%) completaram o conjunto de locais com recuo na produção em julho, na comparação com igual mês de 2018. Por outro lado, as maiores altas foram no Paraná (4,8%) e no Rio de Janeiro (4,8%).

Analisando os resultados do IBGE, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), apontou que a tendência do setor é caminhar para um ano sem crescimento. “A produção da indústria não cresce desde o final do ano passado, o que vem significando uma clara interrupção de sua trajetória de recuperação antes mesmo de sequer compensar aquilo que perdeu no triênio de crise 2014-2016. Depois de um primeiro semestre recessivo, a segunda metade de 2019 começou também no vermelho: -0,3% em julho frente a junho, já descontados os efeitos sazonais. Resultado disso é que o nível de produção do setor em julho é o mesmo de abril de 2017, quando a indústria mal tinha voltado a crescer”, diz em carta.




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