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Lixo urbano foi principal responsável pela emissão de gases em Pernambuco

A constatação está no Inventário Estadual de Emissões de Gases de Efeito Estufa (2015-2018)

Publicado em 07/11/2019, às 09h25

Tasso Azevedo, coordenador do Observatório do Clima (OC), na Conferência Brasileira de Mudança do Clima (CBMC) / Foto: Adriana Guarda / JC
Tasso Azevedo, coordenador do Observatório do Clima (OC), na Conferência Brasileira de Mudança do Clima (CBMC)
Foto: Adriana Guarda / JC
ADRIANA GUARDA
adrianaguarda@gmail.com

A produção de resíduos urbanos, o popular lixo, foi a principal responsável pela emissão de gases do efeito estufa em Pernambuco em 2018. A constatação está no Inventário Estadual de Emissões de Gases de Efeito Estufa (2015-2018), divulgado nessa quarta-feira (06) durante o primeiro dia da Conferência Brasileira de Mudança do Clima, no Recife. Apesar de o Estado não se posicionar entre os mais poluidores do País, chama atenção a diferença em relação ao panorama nacional, que tem nos setores de mudança de uso da terra, agropecuária e energia os principais causadores das emissões. No ano passado, Pernambuco emitiu 21 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e) e quase um terço (29,2%) foi proveniente dos resíduos urbanos. Realizada no Arcádia Paço Alfândega, no Bairro do Recife, a abertura solene da Conferência, na manhã de ontem, teve auditório lotado e presença de governadores do Nordeste, recepcionados pelo anfitrião Paulo Câmara.

Leia mais: Entenda como a energia limpa do Nordeste freou emissão de gases no Brasil

O secretário estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade, José Bertotti, destaca a importância do Inventário de Pernambuco nas contribuições para o enfrentamento às mudanças climáticas. “Elaborado em tempo recorde e trazendo levantamento de 2015 até 2018, o Inventário é um instrumento que nos dá condição de medir qual pode ser a contribuição de Pernambuco na redução das emissões dos gases que causam o aquecimento global e formular políticas a partir disso. O trabalho também tem um caráter de pioneirismo, porque não são todos os Estados que têm esse instrumento. O nosso tem certificação da ONU e foi inspirado no do Recife, que já permite ao município captar recursos internacionais pela redução de emissões”, observa.

Apesar de parecer contraditório, o aumento das emissões de gases do efeito estufa foi provocado pela destinação correta dos resíduos sólidos nos aterros, ao invés do descarte nos lixões. “É uma questão complexa, mas ao mesmo tempo interessante e que gera oportunidades de negócios. A questão é que no aterro o fator de correção para o metano é equivalente a 1 e no lixão, a 0,6. Na prática, isso quer dizer que a emissão é maior no aterro do que no lixão. E o metano é um gás mais poluente do que o CO2. Por isso, é importante que o ciclo da Política Nacional de Resíduos Sólidos se cumpra por completo, e o trabalho não se encerre no aterro. É necessário que esse metano seja queimado e aproveitado como biogás”, explica o coordenador técnico do Observatório do Clima, Tasso Azevedo, que também está participando da Conferência Brasileira de Mudança do Clima no Recife.



COMPROMISSOS

Sem presença de representantes do governo federal, a Conferência também foi espaço para críticas à política ambiental do governo Jair Bolsonaro e preocupação com o cumprimento das metas do Brasil no Acordo de Paris. O presidente do Instituto Ethos, um dos correalizadores do evento, Caio Magri, lamentou o fato de o Brasil ter declinado de sediar a COP-25 (que vai acontecer em dezembro na Espanha) e do maior desastre do derramamento de óleo no Nordeste. “Lamentamos que a conferência que acontece aqui no Recife seja contemporânea do maior desastre ambiental sofrido pela região. Realizar essa Conferência é quase tão ousado e comprometido como a atitude de muitos cidadãos do litoral do Nordeste que limparam as praias”, disse Magri, tratando a Conferência como o evento mais importante das Américas no atual cenário de crise climática.

O governador defendeu a importância de promover o desenvolvimento sustentável e assinou, junto com representantes dos Estados do Nordeste, A Declaração do Recife, que apresenta metas para priorizar o cumprimento de uma agenda de descarbonização até 2030. O prefeito do Recife, Geraldo Julio, assinou um decreto reconhecendo a emergência climática global no município, apontado como o 16° mais vulnerável às mudanças climáticas do mundo, segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).




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