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Pernambuco deve receber cerca de 700 mil turistas no São João

Nas cidades onde há tradição de festejos juninos, a perspectiva é de ocupação média de 95%, chegando a 100% em grandes polos, como o de Caruaru

Publicado em 16/06/2019, às 08h00

 O Secretário de Desenvolvimento Econômico de Caruaru, João Melo Neto, estima um impacto de R$ 200 milhões na economia no São João / Foto: Divulgação
O Secretário de Desenvolvimento Econômico de Caruaru, João Melo Neto, estima um impacto de R$ 200 milhões na economia no São João
Foto: Divulgação
JC Online

Em sua primeira viagem pelo Nordeste, há sete anos, a fonoaudióloga carioca Vânia Pereira, 55 anos, percorreu o litoral, da Bahia ao Maranhão. Na passagem por Pernambuco, dançou forró, encantou-se pelo artesanato de Olinda e decidiu que voltaria ao Estado para curtir o Carnaval e o São João. O sonho vai virar realidade na próxima terça-feira, quando ela desembarca com o marido no Aeroporto do Recife, em direção ao Agreste. “As formas de expressão da cultura nordestina sempre me fascinaram. Quero muito conhecer o Alto do Moura, a Feira de Caruaru e as obras dos mestres artesãos de perto”, diz Vânia, que pretende alugar um carro para visitar o máximo de atrativos nos cinco dias de passeio.

Atraídos pelo compasso da zabumba, pelas manifestações culturais e pelas delícias de milho típicas da festa, pelo menos 700 mil turistas como Vânia devem circular pelo interior de Pernambuco neste mês de junho para aproveitar o São João. Ligeiramente maior que o número registrado em 2018 (664 mil), a projeção da Secretaria de Turismo do Estado se baseia na animação de visitantes que confirmaram suas viagens com meses de antecedência. “A antecipação das reservas demonstra um sinal de retomada do fluxo turístico e melhora do cenário em relação a 2018”, confirma o vice-presidente da Associação Brasileira de Hotéis em Pernambuco (ABIH-PE), Eduardo Cavalcanti. De acordo com ele, em alguns estabelecimentos, como o Portal de Gravatá, os quartos já estão lotados há mais de 30 dias. O hoteleiro garante que, diante da crise, os preços das diárias e pacotes não foram alterados.

Nas cidades onde há tradição de festejos juninos, a perspectiva é de ocupação média de 95%, chegando a 100% em grandes polos, como o de Caruaru. Com 200 mil pessoas (quase metade da população da cidade) recebidas somente na abertura oficial da festa, em 1º/6, a Capital do Forró se enche de otimismo. Até o dia 14 de julho, quando se encerra a programação de mais de 500 atrações artísticas e culturais, a cidade espera atrair 2,5 milhões de pessoas para a festa.

E os benefícios não são só para o turismo. O Secretário de Desenvolvimento Econômico de Caruaru, João Melo Neto, estima um impacto de R$ 200 milhões na economia, 15% a mais que em 2018, com geração de sete mil empregos. “O São João é o primeiro Natal de Caruaru. Só que o efeito do ciclo junino se dá em pelo menos quatro meses do ano. Com o incremento que teremos no recolhimento de ISS (Imposto sobre Serviços), chegaremos perto do custeio total da festa”, diz João Melo, revelando que o investimento chega a R$ 14 milhões, sendo R$ 3,1 milhões da prefeitura, R$ 400 mil conveniados com o governo do Estado e R$ 10,5 milhões captados com 26 patrocinadores. “Temos apostado na descentralização e multiculturalidade, com a diversificação das atrações e o São João na Roça, que faz a economia girar também nas localidades rurais mais afastadas e gera um turismo de experiência diferenciado”, detalha.



Apesar de ter menos atrações, com a festa a partir deste fim de semana, Gravatá está investindo R$ 2,5 milhões (R$ 600 mil a mais que em 2018) e também espera forte movimentação. “Devemos receber um milhão de pessoas em junho, com injeção de R$ 150 milhões na economia”, diz o secretário de Desenvolvimento Econômico, Edson Carvalho.
Já em Arcoverde, no Sertão, o investimento foi de R$ 2,5 milhões, com impacto esperado de R$ 30 milhões na cidade, que já está com todos os 1,2 mil leitos reservados para o próximo fim de semana.

Qual a festividade mais democrática?

O Carnaval leva a fama, mas o São João é a verdadeira festa democrática do Nordeste, pelo menos do ponto de vista econômico, diz Rafael Ramos, economista da Fecomércio-PE. “Não só pela quantidade de municípios envolvidos, mas pela duração e pelo número de segmentos impactados, é o maior evento do Estado e da Região. Há aumento do consumo do Litoral ao Sertão, principalmente nos segmentos de alimentação, vestuário, calçados, transportes, bares e restaurantes”, explica.

O efeito sentido na prática por moradores, turistas e comerciantes também é comprovado cientificamente. Estudo internacional desenvolvido pela professora do departamento de Hotelaria e Turismo Carla Borba, em parceria com a Universidade Erasmus Roterdã, aponta que o São João é a festa com um dos maiores graus de interação social entre várias celebrações no mundo. “O engajamento tanto de residentes quanto de visitantes é muito alto, graças aos componentes cultural, identitário e afetivo, que fazem a experiência positiva superar a de eventos como o Festival Gastronômico de Portugal e carnavais mundo afora”, conta.





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