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Turismo em Salvador vive momento de renovação; Confira o roteiro

Salvador vive um novo momento de otimismo, que enche os moradores de orgulho e contagia os visitantes

Publicado em 15/09/2019, às 12h14

Patrimônio da Humanidade pela Unesco desde 1985, o Centro histórico da capital baiana é o que melhor sintetiza esse processo de renovação / Foto: Mona Lisa Dourado/JC
Patrimônio da Humanidade pela Unesco desde 1985, o Centro histórico da capital baiana é o que melhor sintetiza esse processo de renovação
Foto: Mona Lisa Dourado/JC
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Se o soteropolitano já tem a autoestima elevada, imagina com uma cidade cheinha de novos equipamentos e atrações culturais, limpa, colorida e bem iluminada. Pois bem. Investimentos públicos e privados dos últimos anos devolveram o vigor à terra de Jorge Amado. Com uma série de obras de requalificação – entre elas, a ampliação do metrô até o aeroporto –, Salvador vive um novo momento de otimismo, que enche os moradores de orgulho e contagia os visitantes.

HOTELARIA

Patrimônio da Humanidade pela Unesco desde 1985, o Centro histórico da capital baiana é o que melhor sintetiza esse processo de renovação. Antes mesmo de chegar ao Pelourinho, nas imediações da Praça Castro Alves, dois imponentes edifícios art déco chamam a atenção, ambos com uma vista privilegiada para a Baía de Todos-os-Santos. O antigo prédio que sediou o jornal A Tarde por 45 anos foi completamente restaurado, trazendo à tona a fachada original, em pó de pedra, assim como o revestimento de paredes e do piso do lobby. Um trabalho que custou R$ 85 milhões, aportados pela Prima Empreendimentos. Desde o fim de 2018, a construção abriga o primeiro hotel no Nordeste da luxuosa rede Fasano. A decisão do grupo de se instalar em Salvador deve-se justamente à vocação histórica e cultural do turismo da cidade, “com apelo muito grande para o hóspede estrangeiro”, diz a gerente-geral do hotel, Leticia Alcazar.

A poucos metros do Fasano, o Fera Palace Hotel é outro empreendimento de luxo instalado em um imóvel histórico. O antigo Palace Hotel, erguido em meados dos anos 1930, herda a arquitetura triangular do nova-iorquino Flatiron Building. A decoração retrô-chique valoriza o legado arquitetônico do edifício, que tem como um dos principais atrativos um lounge na cobertura onde fica a piscina de borda infinita mais famosa da cidade. A instalação de novos equipamentos é um alento diante da crise recente que atingiu o setor hoteleiro de Salvador. Entre 2015 e 2018, 22 hotéis foram fechados, incluindo os icônicos Pestana, no bairro do Rio Vermelho, e Othon, na praia de Ondina.

INCENTIVO

Uma das ações que têm viabilizado a retomada é a criação de programas de incentivo fiscal que preveem descontos nos impostos municipais (IPTU e ISS) a quem promove o retrofit e a requalificação de imóveis para implantação de atividades comerciais relacionadas ao turismo, especialmente na área do Centro. É o que conta o secretário de Turismo de Salvador, Cláudio Tinoco. Segundo o gestor, para transformar a cara da cidade, de 2014 para cá a prefeitura investiu R$ 2 bilhões em recursos próprios e mais US$ 105 milhões captados junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento, via Prodetur. Do taxista à dona do mercadinho, os soteropolitanos comentam que a capital baiana colhe também os frutos da saudável competição entre governantes de lados opostos da arena política. Ambos com mais de 70% de aprovação da população, Rui Costa (governador da Bahia filiado ao PT) e ACM Neto (prefeito de Salvador pelo DEM) buscam conquistar com obras de infraestrutura, mobilidade e acessibilidade a simpatia do eleitor. Ganha o cidadão.

A RUA MAIS ANTIGA

Em uma caminhada despretensiosa pela cidade alta, é visível o “banho de tinta” nas fachadas de casarões, lojas de artesanato, igrejas e monumentos, além da reforma de calçadas e telhados. As melhorias são resultado do projeto Pelas Ruas, do governo da Bahia, que está investindo R$ 124 milhões na recuperação de 313 vias, 17 delas no Centro Histórico, incluindo a Rua Chile (a mais antiga do Brasil). Ali, a pavimentação está sendo refeita em paralelepípedos, e a fiação aérea será substituída pela subterrânea para valorizar imóveis históricos, como os dos hotéis Fasano e Fera.

TERREIRO DE JESUS

De tão aprazível que se tornou, o Centro de Salvador pede horas de contemplação tranquila e repleta de boas surpresas, como a repaginação do Terreiro de Jesus, na entrada do Pelourinho. Após a primeira intervenção na estrutura do local desde a década de 1950, quando ganhou projeto do paisagista Burle Marx, a praça foi entregue no último mês de junho com nova iluminação cênica, bancos de granito e recuperação do piso, arborização e chafariz original, entre outros equipamentos.

Aproveite para visitar também alguns dos templos mais emblemáticos da capital baiana, como a Catedral Basílica, que passou por uma reforma recente, e a Igreja de São Francisco, de fachada barroca e interior folheado a ouro, além da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em estilo rococó. Os atrativos revitalizados ainda incluem a Casa do Carnaval, que abriga exposições interativas, o Teatro Gregório de Mattos e o Espaço Cultural da Barroquinha, reduto da cultura afro dedicado às artes cênicas, dança e música, além de cursos e palestras.



AMADO JORGE

Também não esqueça de reverenciar o maior escritor baiano na Fundação Casa de Jorge Amado. Ainda vale dedicar bons minutos esparramado na escadaria para observar o vai e vem de turistas e moradores, que não raro se juntam ao redor de uma percussão.
Outra instituição local, neste caso da gastronomia, é o Restaurante Sorriso da Dadá, recomendado tanto para o aperitivo e um (nada) básico acarajé quanto para refeições completas à base de muito dendê, como a avassaladora moqueca de peixe.

NA ORLA

Assim como o Centro, os 46 km da orla de Salvador também receberam várias intervenções urbanas. Da Barra a Itapuã, para ficar em duas das praias mais conhecidas, sente-se as melhorias tanto na vida do cidadão como na experiência do turista. “Implantamos um novo conceito de compartilhamento de calçadas, paisagismo, áreas para a prática de esportes, rampas de acesso e vilas gastronômicas”, diz o secretário Cláudio Tinoco. As reformas mais recentes incluem o boêmio bairro do Rio Vermelho, em que as noites de fim de semana costumam ser das mais animadas de Salvador.

Proprietária de um restaurante (Solar Rio Vermelho) no bairro, a chef de cozinha Andréa Nascimento enxerga com otimismo os investimentos públicos, na esperança de recuperar os prejuízos dos anos mais severos da crise. “A novela Segundo Sol (exibida em horário nobre da TV Globo) estimulou a vinda de muita gente, que tem se surpreendido com a cidade. Acredito que vamos sentir o impacto nos negócios no médio prazo, principalmente depois que o Centro de Convenções ficar pronto”, observa.

PERSPECTIVAS

Com inauguração prevista para o fim do ano, o Centro de Convenções é a grande aposta para atrair um milhão a mais de visitantes ao ano. Em 2018, Salvador bateu o recorde de 9,3 milhões de turistas (5% superior a 2017), que elevaram a taxa média de ocupação nos 39 mil leitos da hotelaria para 63%. A estratégia para chegar ao fim de 2020 com mais de 10 milhões de visitantes também passa pela contratação de uma agência de marketing digital especializada na promoção turística.

O Estado também projeta novos investimentos no turismo religioso, que deve ganhar impulso com a canonização da Irmã Dulce, e no turismo náutico, com a recuperação de atracadouros e terminais, além do naufrágio controlado de um antigo ferry boat na Baía de Todos-os-Santos, que deve atrair mergulhadores interessados nos seus tesouros submersos.

GARGALO

Realidade comum às grandes cidades brasileiras, a violência urbana ainda é um gargalo relevante para o turismo de Salvador, mas que tem sido minimizado com uso da tecnologia, de acordo com a gestão municipal. Sistemas de videomonitoramento e de reconhecimento facial em áreas turísticas e de grande concentração de pessoas, como as estações de metrô, são algumas das táticas para combater a criminalidade. “Temos que reconhecer que Salvador é uma capital que mantém diferenças sociais e econômicas e que as ocorrências estão associadas a isso, embora não atinjam tanto o turista”, justifica Cláudio Tinoco. Se é assim, então avisa lá que eu vou.




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