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EXPERIÊNCIA

O mundo pelos pernambucanos

Profissionais do Estado ligados ao futebol relatam experiências e curiosidades em outros países fora do continente americano

Publicado em 02/07/2017, às 08h37

Hernanes é um dos pernambucanos que ganharam o mundo pelo futebol. / Reprodução / Instagram
Hernanes é um dos pernambucanos que ganharam o mundo pelo futebol.
Reprodução / Instagram
Gabriela Máxima e Leonardo Vasconcelos

O futebol é o passaporte para muitos atletas, preparadores físicos e técnicos conhecerem o mundo. Com os pernambucanos não é diferente. Seja no campo, na quadra ou na areia, o futebol faz com que diversos profissionais do Estado atuem em outros continentes e entrem em contato com a cultura deles. 

Fernando DDI

O nome de batismo é Fernando Luiz de Oliveira Valença, mas só é conhecido pelo apelido: Fernando DDI. Natural de Garanhuns, começou a jogar aos 17 anos no futebol de campo no Recife Futebol Clube. Depois teve contato com o beach soccer. Defendeu clubes como Sport e Corinthians. Na carreira internacional, passou por equipes da Alemanha, Itália, Suíça, Espanha, Portugal e Rússia. Com a camisa da seleção brasileira, tem 98 jogos, 58 gols e diversos títulos, entre eles o da Copa do Mundo deste ano. Atualmente defende o russo Locomotiv.

FRIO DE -30 GRAUS

"A gente costuma jogar a temporada no verão, mas já teve ocasião da gente jogar no inverno um campeonato de 15 dias e a gente pegou temperatura de menos 30 graus. É um frio bem pesado. Não é fácil, a gente não está acostumado a isso. Na primeira semana eu não saí do hotel, foi meio assustador. Na segunda, o único contato que tive com a rua foi da porta do hotel para a porta do ônibus. Visualmente é muito bonito, mas pra viver o dia a dia é bem melhor o calor daqui.”

VODKA É AGUA

"Eu não costumo beber e a vodka de fato é muito forte. Já aconteceu tipo no meio do campeonato com jogos importantes os jogadores russos beberem um dia antes. Eles estão acostumados a isso, então claro que a gente respeita. É uma tradição deles. Pra gente parecia até um pouco exagerado, mas pra eles não. Tanto que estavam tranquilos um dia depois por estarem acostumados. Particularmente, pra mim, bebida não combina com esporte, mas é uma coisa que se a gente fosse acompanhar o ritmo deles não iríamos conseguir levantar no outro dia.”

DIFICULDADE COM A LÍNGUA

"A dificuldade de entender russo era grande no início, tem dez letras a mais. Tudo era complicado, desde pegar um táxi até no restaurante. No jogo também. Assim quando eu cheguei houve uma partida amistosa e eu levei três porradas consecutivas do mesmo jogador. Na terceira vez, ao perceber que eu estava ficando chateado, ele veio e falou uma palavra. Só que a forma que os russos falam soa muito ríspida. Como eu não entendi, eu respondi até de forma enérgica com um palavrão em português. Mas aí depois meu treinador veio explicar que na verdade a palavra que ele falou era desculpa”

Alexandre Julião

Com 32 anos dedicados ao futebol, Alexandre Julião é um andarilho do futebol. Começou sua carreira como treinador nas categorias de base e depois auxiliar técnico de Náutico e Santa Cruz. Teve passagens em times do Ceará, Pará, Distrito Federal, Paraná, Sergipe. O currículo internacional também é vasto. Comandou a seleção de futebol 7 Society e de beach soccer de Portugal e depois passou três anos na África. Lá esteve à frente das seleções sub-17 e sub-20 de Moçambique, do Alexander United da África do Sul e do Al Hilal do Sudão.

ORAÇÃO COM A TORCIDA

"O Sudão fica no Norte da África, mas é um país muçulmano. Ainda muito retrógrado, porque ainda tem outros países que você tem um pouco mais de liberdade. Lá, às vezes, tinha toque de recolher, o jogador tem que rezar. Então você tem o horário do jogo e antes de começar a partida os jogadores rezam e até a torcida entra em campo para rezar todo mundo junto. Eles fazem isso descalços, então aí os jogadores não estão preparados pro jogo”

TEM QUE TER VENCEDOR

"As partidas do campeonato nacional que acabassem empatadas, as duas equipes ganhavam um ponto, mas tinha que ter a cobrança de pênalti. E essa disputa não dava nada a mais, mas mesmo assim tinha que ter. Tanto que a gente foi campeão na casa do adversário. A gente lá comemorando o título e o árbitro chamando o pessoal pra cobrar os pênaltis. Aí claro ninguém queria cobrar. Então os próprios jogadores empurraram aqueles que não estavam acostumados a cobrar pra ir lá. Aí o jogador foi lá, bateu e perdeu rápido pra voltar a comemorar o título.”

POBREZA E SORRISOS

"Há sim dificuldade de alimentação. Eu vi gente pegando comida no lixo tanto no Sudão como em Moçambique. Mas o moçambicanos são mais alegres. Você aponta um celular ou máquina fotográfica para tirar foto e eles vêm todos. Eles sorriem com tudo apesar de toda a desgraça, de toda a pobreza.”

O HIPÓPOTAMO NA PISCINA

"No caminho para a praia aparecia uma girafa ou um elefante. Em um hotel na África do Sul tinha um rio do lado e você via jacarés pequenos. Teve uma noite que um hipopótamo entrou na piscina do hotel. Daí o pessoal ficou com medo dele atacar alguém e avisaram nos quartos que havia um hipópotamo na piscina, pra ninguém ir pra lá.”



MARCELINHO SALAZAR

Marcelinho Salazar começou a carreira no futsal. Jogou no Bandepe e Sport e clubes da Bélgica e Espanha. Integrou a seleção portuguesa que disputou a Copa do Mundo de 2004. Em 2011, deu início à carreira de treinador em uma equipe de futsal do Kuwait. Depois voltou ao Brasil e fez cursos de qualificação de técnico da CBF, onde tirou a licença A. Em 2015, foi assistente técnico na seleção dos Emirados Árabes Unidos e hoje atua como assistente técnico no Al Shabab do Kuwait.”

HAJA ORAÇÃO

"Tudo impacta porque foi a minha primeira experiência em país de cultura islâmica. Todas as mesquitas tem auto-falantes. Cinco vezes por dia existe as chamadas para a reza e a primeira é de quatro horas da manhã! Então nos primeiros dias de repente eu acordava com aquele barulho e não sabia o que era”

CALOR DE 40 GRAUS

"Durante o verão a região do Oriente Médio é muito quente, no Kwait mesmo as temperaturas chegavam a 60 graus. Quando digo 60 graus não é sensação térmica, é temperatura mesmo marcada no termômetro. Lógico que isso é o extremo, mas o normal é entre 45 e 55 graus. Durante a noite, não baixa tanto assim, fica na casa dos 40 graus. Eu costumo usar uma comparação que quando faz vento a sensação é de que alguém está colocando um secador de cabelo no seu rosto. É difícil! Recife por exemplo é muito úmido e lá no Kwait é seco, então eu entendo que as pessoas aqui chamem a cidade de “Hellcife”, mas quando volto pra cá e vejo um colega meu reclamando do calor eu brinco dizendo que vou mandar uma passagem pra ele ir pra lá e ver o que é calor de verdade”

DE MADRUGADA

"É impossível treinar com uma temperatura dessa, então os treinos era mais tarde lá pras 21h e 22h. Mas durante o Ramadã, que é o mês sagrado da religião islâmica, eles não comem entre o nascer e o pôr-do-sol. Então alguns treinadores preferem treinar duas da manhã porque aí o treino acaba às 3h30. Daí os jogadores se alimentam e vão dormir. É uma coisa bastante interessante".

MÃOS À OBRA

"Tradicionalmente os povos do deserto eram nômades, então eles comiam com as mãos. E até hoje eles guardam esse costume. Não no dia a dia, mas às vezes eles fazem algumas comidas no deserto ou então no próprio time. Eles gostam de apresentar essa cultura para os visitantes. Daí eles colocam um prato muito grande de arroz com carneiro que é a comida típica deles lá. Se chama Khaled. E aí todo mundo come com as mãos. Eu já tentei, mas confesso que não tive muito sucesso não. Eu ainda peço a colherzinha.”

Anderson Hernanes Lima

Natural do Recife, Anderson Hernanes Lima iniciou a carreira como jogador de futsal do Santa Cruz, entre 1996 e 1998. No ano seguinte, defendeu o extinto Unibol de Paulista, ganhou notoriedade e foi transferido para o São Paulo, onde ficou até 2010. Considerado um fenômeno, foi vendido para a Lazio. Na Itália, o volante fez um bom trabalho e permaneceu no país até o início de 2017. Vestiu a camisa do Internacionale e da Juventus. Há quatro meses, está no Hebei China Fortune.

About adapting yourself in other place!

Uma publicação compartilhada por Anderson Hernanes Lima (@hernanesoj) em

DESENROLADO

"Aos pouquinhos estou melhorando meu chinês. Agora já consigo pedir aquilo que necessito. Já consigo não morrer de fome ou de frio. Consigo dizer as coisas básicas. Mas longe de ser fluente”

CALOR ITALIANO

"Primeiro momento na Europa foi muito agradável. Quando cheguei em Roma, imaginava que seria muito frio e organizado. Para minha surpresa, foi justamente o oposto. Fui surpreendido e consegui me adaptar rapidamente”

GRANDEZA CHINESA

"A grandeza da China é o que mais impressiona. Aqui tem muitos prédios, muitas construções, muita modernidade, muitas pessoas. É muito tudo em proporção desproporcionada. E o modo de eles encararem e pensarem a vida é bem interessante. Algumas coisas eles simplificam outras eles complicam”

CONFUSÃO DE IDIOMAS

"Assim que eu cheguei, eu tive um final de semana livre e fui a Pequim acreditando que a maioria das pessoas sabia falar inglês. Cheguei na estação de trem, peguei um táxi, estava com o endereço com as letras no alfabeto ocidental, mas escrito em chinês. O taxista começou a gritar dizendo que não me levaria. Eu questionei. Foi uma confusão de idiomas. Só depois eu me dei conta que ele não entendeu nada”


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