Jornal do Commercio
Investigação

Testemunha diz que suspeito chamou Daniel para relações com sua esposa

Jogador Daniel foi morto na Região Metropolitana de Curitiba

Publicado em 08/11/2018, às 16h40

Jogador foi espancado antes de ser morto / Divulgação
Jogador foi espancado antes de ser morto
Divulgação
Com Estadão Conteúdo

A Polícia Civil do Paraná descartou a hipótese de que o jogador de futebol Daniel Freitas tenha estuprado uma mulher antes de ser espancado e morto no último dia 27. O principal suspeito do crime, o empresário Edison Brittes, afirmou em depoimento que havia flagrado o atleta tentando estuprar sua mulher, Cristiana Brittes. Além disso, uma testemunha, conhecida de Brittes, afirmou que Daniel foi convidado para ter relações com Cristiana, e que todos sabiam disso. Nesta quarta-feira, 7, a Justiça decretou a prisão preventiva de outros três suspeitos, que estavam no mesmo carro que o empresário. Brittes já foi detido.

"Ele disse que estava muito louco, que convidou Daniel para dormir com a mulher dele. Ele sabia, a mulher também, foi um acordo. E depois que ele viu que realmente os dois estavam juntos na cama ele se revoltou e resolveu matar Daniel", disse a testemunha ao site Massa News.

Daniel, de 24 anos, era jogador do São Paulo e estava emprestado ao São Bento, time de Sorocaba que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro. Ele tinha amigos na capital paranaense porque já havia jogado pelo Coritiba. No dia do crime, foi a São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, para participar de uma festa de aniversário da filha do casal Brittes, Allana, de 18 anos. No ano anterior, o jogador já havia ido à comemoração da jovem.

O empresário de 38 anos, que confessou o homicídio, disse ter flagrado Freitas tentando estuprar Cristiana. Ela chegou a dizer, em depoimento à polícia, que acordou com Daniel sobre ela "com pênis ereto para fora da cueca". Há imagens feitas por celular que mostram Daniel ao lado de Cristiana.

O corpo foi encontrado em uma plantação de pinos. Tinha sinais de corte no pescoço, espancamento e o pênis foi decepado. Conforme a polícia, ele foi espancado na casa de Brittes, colocado no porta-malas do carro do empresário e levado ainda vivo a essa plantação.

O laudo da perícia mostra que Daniel tinha 13,4 dg/L de álcool no sangue. "Pelo grau de embriaguez, dificilmente, ele iria conseguir estuprá-la", declarou o delegado Amadeu Trevisan. Para ele, Daniel fez a foto só para enviar aos amigos. "Ele tem um grupo de amigos em que postavam fotos para competir quem pegava mais mulher." Os depoimentos dados pela família, segundo Trevisan, foram discrepantes.



Prisões

Brittes, Cristiana e a filha estão detidos e serão indiciados por homicídio e coação de testemunhas. Os três homens que tiveram prisão decretada já haviam confessado à polícia estar no carro do empresário. Só um deles, de 19 anos foi detido, em Foz do Iguaçu (PR).

Em novo depoimento nesta quarta, segundo a TV Globo, Brittes mudou alguns trechos de sua versão. Alegou que foi um dos três rapazes quem arrombou a porta do quarto onde estariam Daniel e Cristiana e disse ter mentido para defender os outros. Ainda segundo a Globo, uma testemunha disse ter tentado impedir a agressão, mas foi empurrada. Outras duas relataram, também conforme a TV, que foram chamadas por Brittes para um encontro em um shopping para combinar uma versão.

Procurada pela reportagem, a defesa da família não se manifestou até a publicação desta matéria

Rapaz tímido

As circunstâncias em torno do assassinato de Daniel surpreenderam colegas no São Bento, time de Sorocaba (SP). "Não condiz com a imagem que temos dele. Era um rapaz tímido, recatado, pouco dado a bebida e balada. Ficamos muito chocados", contou Giovanni Coutinho, supervisor de futebol do clube.

Segundo Coutinho, a única vez em que o lateral falou para todo o grupo no vestiário foi após uma partida contra o Guarani (SP) no último dia 6, pela Série B do Campeonato Brasileiro. "Ele era super-responsável. Nunca se atrasou para um treino."

Dois jogadores, que pediram anonimato, acharam estranha a bebedeira atribuída a Daniel. Segundo eles, o atleta era convidado para festas e preferia ficar em casa. Nos quase quatro meses em que viveu em Sorocaba, nunca foi visto alcoolizado.

O atleta, de Juiz de Fora (MG), morava sozinho, num apartamento alugado por ele, na região central da cidade. O último treino com a equipe no estádio local foi no dia 16, antes de viajar para o Paraná. Ele foi à festa porque foi dispensado do jogo seguinte, contra o CRB. A diretoria do clube, onde ele tinha contrato até dezembro, disse acompanhar o caso.


Palavras-chave




Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

JC 100 anos JC 100 anos
Para marcar os 100 anos de fundação, o JC publica este especial com um panorama do que se passou neste período em que o jornal retratou o mundo, com projeções de especialistas sobre o que vem por aí e com os bastidores da Redação do Jornal do Commercio
Sozinha nasce uma mãe Sozinha nasce uma mãe
Uma palavra se repete na vida dela: sozinha. Porque estava sozinha na gravidez. Sozinha na hora do parto. Sozinha nas primeiras noites de choro. Sozinha nos primeiros passos. Sozinha no registro civil. O JC conta histórias de luta das mães sozinhas
Segunda chance - Caminhos para ressocializar Segunda chance - Caminhos para ressocializar
Eles saem das prisões, mas as prisões não saem deles. Perseguem-nos até o final de suas vidas. Como uma condenação perpétua. Pena. Eles lamentam. Mas precisam seguir. E neste difícil caminho da ressocialização, o trabalho é uma espécie de absolvição.

    SIGA-NOS

    LICENCIAMENTO

  • Para solicitação de licenciamento, contactar editores@ne10.com.br

Jornal do Commercio 2019 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE |

PRIVACIDADE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM