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Pernambucanos rememoram passagem da seleção tetracampeã no Recife

Após conquistar o tetracampeonato mundial da Copa de 1994, a seleção brasileira desfilou pelas ruas da capital pernambucana para agradecer o carinho da torcida

Publicado em 17/07/2019, às 11h41

Campeões mundiais de 1994 / Divulgação/CBF
Campeões mundiais de 1994
Divulgação/CBF
Karoline Albuquerque

O que você estava fazendo no dia 19 de julho, há 25 anos? A data, assim, solta pode não trazer lembranças exatas. Mas, destacar que neste dia a seleção brasileira tetracampeã do mundo desembarcou no Recife para comemorar a vitória na Copa do Mundo EUA-1994, vencida dois dias antes, deixa tudo mais claro. Para quem estava lá, pequenos detalhes ficaram na memória afetiva.

A gerente Elaine Carla tinha 15 anos na época. Aquela vitória é, em seu repertório, o momento mais marcante de sua paixão pelo futebol. Exaltando o orgulho sentido pelos torcedores, Elaine também não larga a mania pernambucana de sentir orgulho da terra. “Quando recebemos a notícia da seleção vindo para cá, era como se a gente tivesse o reconhecimento. Naquela época, em amistoso e outros jogos, a recepção no Recife era muito expressiva”, destacou.

Esse reconhecimento da capital pernambucana como primeiro lugar para exibir o novo troféu, após um jejum de 24 anos em Copas do Mundo, é corroborado pelo ex-zagueiro Ricardo Rocha. Descer no Recife foi uma quebra de protocolo, segundo o pernambucano. “Em primeiro lugar, porque todos os jogadores, quando fomos campeões do mundo, queriam descer no Recife. Foi a gente que deu a primeira opção. Porque normalmente o protocolo é ir à Brasília e depois espalha cada um para sua cidade. A gente mudou esse protocolo parando no Recife”, explicou.

Segundo o ex-jogador, a cidade foi um marco nas eliminatórias. Naquele tempo, as eliminatórias sul-americanas eram divididas em dois grupos. Na chave dois, o Brasil tinha como adversários Bolívia, Uruguai, Equador e Venezuela. A seleção começou mal. Como visitante nos primeiros quatro jogos, foram dois empates, uma derrota para a Bolívia e uma vitória sobre a Venezuela.

ARRANCADA

Mas, ao chegar em terras tupiniquins, recobrou o ritmo. Venceu o Equador por 2x0 e deu a arrancada decisiva para a classificação no estádio do Arruda, ao golear a Bolívia por 6x0, com gols de Raí, Müller, Branco, Ricardo Gomes e dois gols de Bebeto. “Para a gente foi uma alegria muito grande. Quando falamos de parar no Recife, todos os jogadores aceitaram. Foi muito legal. Mais de um milhão de pessoas em Boa Viagem, foi uma loucura aquilo ali. Uma coisa que está na memória até hoje. O carinho do torcedor pernambucano.”, emendou Ricardo Rocha.

O abraço ao time começou logo após o grito de “tetra” sair da garganta, quando Baggio perdeu a última cobrança de pênalti da Itália, no dia 17 de julho, em Los Angeles. Confirmado o horário da chegada da equipe logo no Recife, a família de Elaine iniciou a organização. Ela, os pais e uma prima saíram cedo para pegar um bom lugar. Mesmo assim, já tinha muita gente.



“Eu lembro que o avião fez um sobrevoo pela praia e foi tão emocionante, porque fugia totalmente ao que a gente esperava. Foi uma gritaria, uma festa. Até que começou o desfile, já sentia emoção percebendo que tudo que passamos torcendo, sofrendo, gritando nos gols, se estressando com os gols levados, era muito palpável. À medida que via o caminhão chegando, a taça tão cobiçada ali, era nossa. Estava à nossa vista”, lembrou.

Jovens, velhos, mulheres e homens. Todos tomados pela alegria e as lágrimas. Sem redes sociais, aquele era o contato mais próximo a ter com os ídolos.

O mar de pessoas em que Elaine estava presente também tinha o bancário Leandro Moraes. Por ter só seis anos de idade, a memória dele é um pouco menos detalhada que a da torcedora. Enquanto andava na orla para procurar um lugar, ele e a mãe se perderam do pai e do irmão. “Quando o avião chegou, a gente viu e ficou esperando passarem no caminhão do corpo de bombeiros. Lembro que ficamos perto de uma banca de revista. Minha mãe me colocou no teto da banca para eu ver, porque eu era pequeno. Eles passaram bem na frente da gente, com Branco bem na frente”, contou.

Para ovacionar o time vencedor, as pessoas chegavam de todo jeito, em carros particulares, ônibus e até pegando caronas. Uma tia de Elaine não conseguiu pegar o transporte público e pegou carona em um caminhão já com a carroceria cheia. Nas palavras da gerente, era algo surreal. “Até hoje, vez ou outra, a gente está conversando em reunião de família e lembra do esforço que fez para estar lá”, completou a gerente.

19 de julho foi a data em que os jogadores da seleção vieram para a capital pernambucana festejar o tetra 6x0 foi o placar do jogo do Brasil, no Recife, contra a Bolívia antes da Copa de 94. A partida deu confiança ao time.




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