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Carlyle Paes Barreto: Boleiro raiz, Nereu Pinheiro formou craques e atuava sem frescura

''Enquanto treinadores de forma geral querem ser chamados de professores, Nereu era apenas Nereu''. Leia o comentário de Carlyle Paes Barreto

Publicado em 12/12/2019, às 10h25

Antes mesmo de o termo raiz ganhar projeção, Nereu Pinheiro já o era / Foto: Alexandre Severo/Acervo JC Imagem
Antes mesmo de o termo raiz ganhar projeção, Nereu Pinheiro já o era
Foto: Alexandre Severo/Acervo JC Imagem
Carlyle Paes Barreto, colunista do Planeta Bola

Carlyle Paes Barreto é titular da coluna Planeta Bola, do JC*

Antes mesmo de o termo raiz ganhar projeção, Nereu Pinheiro já o era. Técnico sem frescura. E com talento de descobrir craques.

Enquanto treinadores de forma geral querem ser chamados de professores, Nereu era apenas Nereu. Cabelos despenteados, barriga projetada para frente. E popular.

Nada de extremos desequilibrantes, jogo apoiado ou externos. Com ele era zagueiro, volante, meia e atacantes. Jogou bem, fica. Jogou mal, sai.

Foi assim com o Sport em 1989, levando o Leão ao vice-campeonato na primeira edição da Copa do Brasil. E com erros de arbitragem na final com o Grêmio, que poderia ter lhe colocado em outro patamar.

Dez anos depois, afastou todos medalhões do Santa Cruz. Queriam nada, dizia na época. Preferiu a garotada que nao saira da base. Com eles eliminou o poderoso São Caetano, dono da melhora campanha na fase classificatória da Série B. E que viria a ser a sensação do País nos anos seguintes. Vice-campeão brasileiro. Vice da Libertadores.


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Nereu também fracassou. Claro. Como qualquer um. Foi e voltou do Sport quatro vezes. Do América. Confiança, Ferroviário, Olinda. Deixando história e estórias por onde passou.

Nunca dava ré ao dirigir. Também não permitia que motoristas o fizesse. Muitas vezes fazendo com que o ônibus que levava seus times desse volta no quarteirão, para não voltar alguns metros. Sem falar nas camisas da sorte. Se ganhava um jogo no inicio do campeonato, iria até o final com ela.



Técnico raiz. E que deixa belos frutos.

Carlyle Paes Barreto é colunista do Jornal do Commercio*

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Acesso histórico

Em 1999, o Santa Cruz montou um time com medalhões, inclusive com a presença do argentino Mancuso. Mas a temporada não foi positiva para o Tricolor. Foi derrotado no Estadual e por pouco não caiu para a Série C. Foi então que Nereu assumiu a equipe coral, apostando nos jovens da base. A Série B de 20 anos atrás apresentava outro formato. No mata-mata, o Santa Cruz superou o São Caetano e, no quadrangular final, conseguiu o acesso junto com o Goiás. Bahia e Vila Nova permaneceram na segunda divisão. 

"Nereu é uma lenda vida. Passou por grandes clubes e vai deixar o saudade enorme. A Federação (Pernambucana de Futebol) lamenta muito a morte de Nereu e vai tomar todas as medidas protocolares para prestarmos a homenagem que ele merece", pontuou o presidente da FPF, Evandro Carvalho.  

O Santa Cruz usou as redes sociais para homenagear o ex-técnico e lembrar o grande feito que marcou a história do clube. "Uma figura totalmente volta para o futebol. Grande descobridor de talentos. O santa cruz tem que prestar uma homenagem. É uma grande perda para o futebol", falou o ex-presidente do Tricolor, João Caixero.

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