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Velocidade

Pra entrar na história: o milésimo GP de Fórmula 1

A China receberá o histórico Grande Grêmio de Fórmula 1

Publicado em 13/04/2019, às 13h52

O brasileiro Ayrton Senna entrou para história da Fórmula 1 / Foto: Eric Feferberg/AFP
O brasileiro Ayrton Senna entrou para história da Fórmula 1
Foto: Eric Feferberg/AFP
Diego Borges
esportes@jc.com.br

Na madrugada deste domingo, às 3h10, quando as luzes vermelhas apagarem e os vinte pilotos acelerarem os seus carros, a Fórmula 1 alcançará um feito único no Grande Prêmio da China. Será o de número 1000 da história, que começou em 1950 na pista de Silverstone, na Inglaterra, e até aqui proporcionou momentos ímpares de competitividade e adrenalina, mas também de tristezas e revoltas.

Até então, as corridas já eram disputadas antes, cada prova em seu respectivo país e regras próprias. Até que foram unificados os regulamentos e estabelecidos na década de 50, com carros que eram apelidados de 'charutos', pela semelhança de formato. Àquela época, segurança não era o forte da categoria. E foi assim por um bom tempo.

Ao todo, 46 pilotos perderam as vidas em acidentes relacionados a corridas, treinos e eventos de testes na Fórmula 1, sendo 29 deles durante as décadas de 50 e 60. Só a partir da morte de Ayrton Senna, no circuito de Ímola, em 1994, as normas de segurança foram intensificadas de forma mais brusca. Ainda assim, não conseguiram evitar a fatalidade que envolveu o francês Jules Bianchi, em 2014 no Japão, última desde então.

A busca por segurança e eficiência na pilotagem transformaram a Fórmula 1 em um dos principais laboratórios de desenvolvimento em tecnologia automotiva. Engenheiros se destacaram ao longo dos anos, emprestando seus nomes a grandes escuderias. Carros, motores, peças, pneus e combustíveis, tudo passou a ser desenvolvido projetando a melhor eficiência na busca pelas vitórias.

Mas de nada adiantariam se não houvesse o talento dos pilotos. E não foram poucos. Ao longo dos anos, nomes como Juan Manuel Fangio, Jack Brabham, Jackie Stewart e o precursor da genialidade brasileira na F1, Emerson Fittipaldi, se destacaram e conquistaram torcedores ao redor do mundo à medida em que as rodas giravam.



E com tantos pilotos talentosos, era inevitável que as rivalidades aflorascem nas pistas. James Hunt e Niki Lauda iniciaram nos anos 70, abrindo os caminhos, como um anúncio para as temporadas que foram batizadas como 'anos de ouro' na Fórmula 1.
Em 1986, no GP de Estoril em Portugal, o fotógrafo Keith Sutton reuniu Ayrton Senna (seria tricampeão mundial), Alain Prost (tetra), Nigel Mansell (um título) e Nelson Piquet (também foi tri) enfileirados. Juntos, os quatro pilotos protagonizaram ultrapassagens e até toques propositais nos onze títulos que somaram no total, entre outros pilotos de talento notável que também roubavam as atenções.

Em contraste com a competitividade, entre os anos 90 e 2000 a Fórmula 1 mergulharia em um período de hegemonia do alemão Michael Schumacher, maior campeão da história com sete títulos, sendo cinco em sequência pela Ferrari. Ótimos pilotos como o espanhol Fernando Alonso e os finlandeses Kimi Raikkonen e Mika Hakkinen também se destacaram.

Perto de completar mais uma década, é possível dizer que a Fórmula 1 hoje se divide pela disputa principal entre o alemão Sebastian Vettel e seus quatro mundiais, e o inglês Lewis Hamilton, dono de cinco troféus e apontado com potencial para superar Schumacher. Além de outros jovens promissores que despontam, como Max Vertappen e Charles Leclerc.

LOCAL

Apesar das críticas pela escolha de um circuito pouco tradicional para sediar o GP 1000, é possível apontar coerência entre a decisão dos gestores da Fórmula 1, que buscam disseminar a modalidade ainda mais. Seja alcançando o público por novas ferramentas da mídia, como a série documental 'Drive to Survive', da Netflix, ou investindo em corridas em países economicamente emergentes.

A certeza é que esse domingo não será o encerramento de uma era, mas um marco para a continuidade da principal categoria do automobilismo mundial se renovar. Sob críticas ou elogios, a Fórmula 1 segue encantando cada vez mais espectadores.




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