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REUNIÃO

Arnaldo Barros e Martorelli são suspensos do quadro de sócios do Sport e serão investigados pelo MP

Os ex-presidentes podem ser obrigados a indenizar o clube caso se comprovem irregularidades em suas gestões

Publicado em 13/08/2019, às 23h39

Conselho Deliberativo do Sport vai acionar o Ministério Público contra os ex-presidentes João Humberto Martorelli e Arnaldo Barros / Foto: Alexandre Gondim/ JC Imagem
Conselho Deliberativo do Sport vai acionar o Ministério Público contra os ex-presidentes João Humberto Martorelli e Arnaldo Barros
Foto: Alexandre Gondim/ JC Imagem
Filipe Farias
Twitter: @_filipefarias

Após reunião ordinária do Conselho Deliberativo do Sport, realizada na noite desta terça-feira (13), ficou decidido que os ex-presidentes João Humberto Martorelli e Arnaldo Barros estão suspensos de suas atribuições estatutárias. A decisão foi tomada em votação unânime, entre os 71 conselheiros que compareceram ao encontro, com base no relatório apresentado pela comissão especial responsável por analisar as contas do clube das duas últimas gestões. Além disso, o CD rubro-negro vai acionar o Ministério Público para investigar as contas do Sport e uma Assembleia Geral será convocada para deliberar que o Sport possa processar os ex-dirigentes por má e temerária gestão, como prevê no estatuto do clube - a ação seria na Justiça Cível para que haja uma eventual indenização à entidade.

“Essa é uma atitude de responsabilização disciplinar administrativa. Isso se dá por conta do estatuto. Os sócios que cometam faltas disciplinares podem receber punições. A falta disciplinar que foi verificada pela comissão e acatada pelo Conselho foi causar dano ao Sport. Essa falta funcional é passível, segundo o estatuto, da pena máxima, que é a exclusão do próprio quadro social. A competência para excluir o sócio é do Conselho. Com a instauração do processo ele (Martorelli e Arnaldo) já ficam suspensos. Vai se encaminhar a representação disciplinar para a comissão de ética, que vai se responsabilizar de notificá-los, oportunizar defesa e o regimento do conselho permite também a constituição de advogado. E aí se marca a sessão para o julgamento”, explicou Ricardo Sá Leitão, vice-presidente do Conselho Deliberativo do Sport.

Os principais pontos destacados pela comissão especial responsável por averiguar as contas do clube foram a redução do patrimônio líquido do clube, que em dezembro de 2015 estava em cerca de R$ 115 milhões e em dezembro de 2018 caiu para R$ 20,4 milhões. Outro ponto abordado na apresentação do relatório para o Conselho Deliberativo foi o crescimento das dívidas tributárias, que segundo a comissão saltou de pouco mais de R$ 2,8 milhões (em dezembro de 2015) para R$ 59 milhões (em dezembro de 2018).



“Tivemos um faturamento de R$ 400 milhões (nas duas últimas gestões), mas não sabemos onde todo esse dinheiro foi parar. Não tivemos acesso ao fluxo de caixa. Pelos números apresentados no balanço, tiveram gastos com despesas, mas não temos como saber o que exatamente aconteceu. Diversas despesas estão no balanço, no passivo do clube, e que não foram pagos... Como fornecedores, impostos e até atletas que adquirimos, como o caso André (o Sport ainda estaria devendo o Sporting, de Portugal). Infelizmente, os números mostram uma queda absurda de patrimônio de aproximadamente R$ 90 milhões”, declarou o conselheiro Fábio Monterazzo, um dos membros da comissão que analisou as contas do Sport.

ACIONAR MINISTÉRIO PÚBLICO

Diante do que foi exposto na reunião, os conselheiros presentes também aprovaram que o Conselho acione o Ministério Público para investigar as contas do Sport nos últimos anos. “Vamos encaminhar as informações, as conclusões do relatórios, a documentação comprobatória, para que o Ministério Público Estadual e Ministério Público Federal examinem se há, de fato, algum ilícito. O que houve aqui foi a identificação de umas situações anormais e que demandam uma maior identificação. Cabe o Ministério Público verificar com seus poderes investigativos, se há algum indício de que houve algo mais que uma gestão ruim e propor eventuais ações penais”, falou Ricardo Sá Leitão.




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