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Paraná

Em greve, professores do Paraná passam Carnaval acampados

Durante o dia, o grupo organiza atividades culturais, como oficinas de caricatura e rodas de samba

Publicado em 16/02/2015, às 15h38

 / Foto: Joka Madruga / APP Sindicato
Foto: Joka Madruga / APP Sindicato
Da Folhapress

Depois de protagonizarem uma invasão à Assembleia Legislativa e impedirem a votação de um pacote de corte de gastos do governo Beto Richa (PSDB), os professores estaduais do Paraná passam o Carnaval acampados em frente à sede do governo, em Curitiba.

Em greve desde o dia 9, eles pretendem permanecer no local pelo menos até quinta-feira (19), quando haverá uma reunião entre o sindicato e o governo sobre a paralisação.

O acampamento fica sob uma cobertura de lona, montada pelo sindicato ainda no primeiro dia de greve. Barracas foram armadas embaixo da cobertura. À noite, cerca de cem pessoas dormem no local, em um esquema de revezamento.

Há banheiros químicos à disposição, e uma cozinha foi improvisada, com geladeiras e estantes para armazenar pães, frutas e bolachas. Durante o dia, o grupo organiza atividades culturais, como oficinas de caricatura e rodas de samba.

Até um baile de Carnaval foi improvisado: no domingo, o bloco Garibaldis e Sacis esteve no acampamento tocando marchinhas. "Foi embaixo de chuva, mas foi animado", conta a funcionária de escola Nádia Brixner, um das diretoras da APP Sindicato (que representa a categoria).

Uma música chegou a ser composta no local em "homenagem" a Richa: "Jaguara, traíra; tome cuidado, esse menino é um engodo. Deu calote, deu calote em todo mundo, só pra depois colocar a culpa nos outros", diz a canção.

Os professores reclamam de falta de estrutura e de dinheiro nas escolas.

Em crise financeira há pelo menos dois anos, o governo Richa cortou milhares de servidores temporários da educação às vésperas do início do ano letivo, diminuiu o número de turmas e deixou de repassar dinheiro para a manutenção dos colégios. O terço de férias dos docentes está atrasado desde dezembro, e outros milhares de professores não receberam a rescisão de seus contratos.



"Tem escola que não tem nem papel higiênico", conta Brixner. "Os diretores compraram material fiado, estão com dívida na praça. Tem salas em que não cabem os alunos. É desumano."

O governo admite que a pasta da Educação foi a mais atingida pelo recente corte de gastos do Estado, mas que as medidas foram "duras, porém necessárias".

A secretaria da Educação argumenta que tem chamado novos funcionários temporários e concursados para suprir o deficit de profissionais, e que depositou a primeira parcela da verba para manutenção das escolas no início do mês. O governo promete pagar os salários atrasados até o final de fevereiro.

CAMBURÃO

Em frente ao acampamento dos professores, uma van estacionada chamava a atenção: era o "Bloco do Camburão", numa alusão aos deputados estaduais do Paraná.

O veículo foi adesivado com a foto dos parlamentares da base de Richa, que chegaram à Assembleia na última quinta (12) em um ônibus do Bope, escoltados por policiais.

O local estava cercado por milhares de professores e manifestantes, que impediam a votação de um pacote de corte de gastos proposto por Richa. Os deputados só conseguiram entrar escoltados, após a polícia abrir uma fenda no portão dos fundos da Assembleia. A sessão acabou suspensa e o projeto foi retirado de pauta.

A APP Sindicato diz que não foi responsável pela montagem do carro. O dono do veículo não foi encontrado pela reportagem.

Em nota emitida na semana passada, Richa disse que o cerco e a invasão da Assembleia foram patrocinados por "baderneiros infiltrados no movimento dos professores".




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