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CIDADANIA

Internet: movimento busca melhorar acesso de pessoas com deficiência

A base do trabalho é uma plataforma que disponibiliza informações para facilitar a navegação dessa população

Publicado em 20/09/2017, às 17h34

O portal também está aberto para receber contribuições dos usuários / Foto: Bruno Fortuna/Fotos Públicas
O portal também está aberto para receber contribuições dos usuários
Foto: Bruno Fortuna/Fotos Públicas
ABr

Foi lançado nesta quarta-feira (20) o movimento Web para Todos que reúne organizações da sociedade civil para melhorar a acessibilidade na internet brasileira para pessoas com deficiência. A base do trabalho é uma plataforma que disponibiliza ferramentas para avaliar páginas e disponibilizar informações para facilitar a navegação dessa população.

O portal também está aberto para receber contribuições dos usuários, que podem relatar suas experiências de uso da rede ou trazer práticas bem-sucedidas. “Todo o portal foi construído para que a gente receba colaborações da sociedade para tornar essa plataforma viva”, enfatizou a idealizadora do projeto, Simone Freire.

O movimento tem o apoio de entidades que trabalham com pesquisa e desenvolvimento da internet, como o Comitê Gestor da Internet no Brasil e o Consórcio World Wide Web (W3C), de instituições que atuam com pessoas com deficiência - Fundação Dorina Nowill para Cego e Organização Nacional de Cegos do Brasil – e outros parceiros, como a Fundação Roberto Marinho.

“A gente acredita que essa é uma ação de longo prazo. A gente tem mais ou menos 95% de páginas da web brasileira que não são acessíveis. Quando a gente fala de movimento, a gente quer trazer institutos, fundações, associações, empresas, desenvolvedores”, destacou Simone.

Avaliação

Como parte das ações do Web para Todos, será feita a avaliação periódica de uma amostragem de páginas de um setor específico. “Faltam dados em relação tanto a navegação das pessoas com deficiência, quanto de maneira geral. Então, a gente resolveu começar o processo de elaboração de pesquisas. A gente vai a cada seis meses pegar um segmento de mercado e analisar os sites de determinadas instituições”, acrescentou a idealizadora do movimento.



Para essa primeira edição dos estudos, foi feita uma avaliação das páginas das 10 melhores universidades e 10 melhores escolas do ensino médio, segundo dados do Ministério da Educação. Os resultados, que envolveram testagem automática e por especialistas, indicaram que 31,7% das páginas têm problemas na descrição das imagens e 21,7% não têm descrição de nenhuma das imagens.

Em relação à navegação, segundo dos três itens avaliados, 55% apresentaram problemas em parte dos links e 4,7% não tinham link navegável a partir das ferramentas usadas por pessoas com deficiência. Sobre o tamanho dos elementos, 10% tinham elementos muito pequenos, dificultando o uso, e 35% tinham parte dos elementos com tamanho inapropriado.

Dificuldades cotidianas

O técnico da Laramara, instituição que trabalha com reabilitação de deficientes visuais, Leonardo Gleison, ressaltou que a acessibilidade também significa facilitar a vida de outras parcelas da população, como a de idosos. “A nossa sociedade está envelhecendo e com a idade avançada, muitas das limitações que nós, pessoas com deficiência, temos vão ser adquiridas pela média da população. Então, nós precisamos que a internet esteja acessível hoje para beneficiar a sociedade de amanhã”, disse.

Cego, Gleison conta que tarefas cotidianas na internet se tornam extremamente complexas para os deficientes, apesar das possibilidades da tecnologia. “Você encontra dificuldades das mais diversas. Para comprar um ingresso de cinema, uma coisa que qualquer pessoa faz com a mão amarrada nas costas, para a gente é uma dificuldade. Qualquer pessoa faz em dois minutos, a gente leva, às vezes, 30 ou 40 minutos”, exemplifica sobre problemas que poderiam ser solucionados com a adoção de medidas simples.





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