Jornal do Commercio
pesquisa

Discussão sobre pena de morte no Brasil ainda está no início

Apesar da maioria da população defender a aprovação da medida, parlamentares acreditam que o tema precisa ser muito debatido

Publicado em 09/01/2018, às 06h41

Complexo do Curado, que reúne presídios, tem superlotação / Foto: JC Imagem
Complexo do Curado, que reúne presídios, tem superlotação
Foto: JC Imagem
JC Online

Uma pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada nessa segunda (8), apontou que 57% dos brasileiros são favoráveis à aplicação da pena de morte no País. O dado é o maior já registrado desde 1991, quando o instituto iniciou pesquisas sobre o tema. Em 1993 e 2005, o índice chegou a 55%. A pesquisa mostra, ainda, que 39% da população são contrários à punição; e 1% afirmou ser indiferente. Outros 3% não souberam responder. Foram ouvidas 2.765 pessoas em 192 cidades brasileiras, nos dias 29 e 30 de novembro de 2017.

A pena de morte só é autorizada no Brasil em caso de guerra declarada, conforme prevê o inciso 47 do artigo 5º da Constituição. Caso o Congresso Nacional decida a discutir sobre aprovar a aplicação da pena de morte no Brasil, os deputados federais pernambucanos afirmam que o tema precisa ser debatido exaustivamente.

“O sentimento do cidadão comum, amedrontado, não poder ser o sentimento daqueles que têm a responsabilidade de decidir políticas públicas”, disse Tadeu Alencar (PSB). “Acho que tudo o que a população almeja, a Câmara deve debater. O que eu noto é que a população quer justiça, que as pessoas que fazem o mal paguem pelo mal que fizeram. Pessoalmente, não sou a favor da pena de morte, mas sou a favor de leis mais duras e que façam cumprir os malfeitores serem punidos de uma forma mais severa”, declarou Augusto Coutinho (SD).



“Pena de morte não resolve absolutamente nada, na minha opinião ela só agrava o problema. Tudo se resume a uma coisa chamada educação, formação”, opinou Silvio Costa (Avante). “Eu, à princípio, sou contra. Eu acho que existem outros caminhos para combater a violência. O Estado, o Congresso Nacional, a sociedade, os poderes e governos devem discutir outros caminhos de combater a violência que não seja pela pena de morte”, pontuou Ricardo Teobaldo (Pode).

INCLUSÃO SOCIAL

Para o promotor de Execuções Penais do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Marcellus Ugiette, o resultado da pesquisa representa um desespero da sociedade. “Há um descrédito nas políticas de segurança pública, do Executivo, e também um descrédito nos políticos e nas instituições como o Ministério Público, o Judiciário, as Polícias Militar e Civil”, disse.

Na opinião do promotor, a saída para a violência está na inclusão social. “Quando há a aproximação da igualdade social, a criminalidade diminui. Não vai ser com a pena de morte, com atitudes extremadas, que a gente vai diminuir a criminalidade e a violência”, pontuou.


Recomendados para você




Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

BRT: E agora? BRT: E agora?
Ele está ferido, sofrido. Esquecido. E sem perspectivas de melhoria. Tem sobrevivido como é possível e, apenas pontualmente, esboça reações positivas. O sistema BRT, Bus Rapid Transit, tem sofrido de inanição em todo o País. E poderá se perder.
Especial educação Especial educação
E se você descobrisse que o futuro ligado às tendências que irão norteá-lo já chegou? O mundo hoje é um mar de oportunidades, para conhecimento, informação e inovação. Cada vez mais o profissional precisa evoluir. Por isso veja o caminho a seguir
A revolução da ciclomobilidade: o exemplo de Fortaleza A revolução da ciclomobilidade: o exemplo de Fortaleza
A capital cearense, diferentemente da pernambucana – embora nordestina também – deu um salto na infraestrutura viária voltada para as bicicletas. A cidade está repleta de ciclofaixas. Por toda parte. E a grande maioria conectada

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2018 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM