Jornal do Commercio
Goiás

Prostituição, mortes e saídas: agentes acobertavam presos em Anápolis

Promotores descobram um esquema que existia dentro do presídio de Anápolis, em Goiás; até assassinatos entre presos era indicado como "suicídio" pelos agentes

Publicado em 14/01/2018, às 11h24

Prostituição, assassinatos,
Prostituição, assassinatos, "saídas" e tráfico eram acobertados pelos agentes
Foto: Divulgação/MP-GO
JC Online

Ao investigar um esquema de corrupção no presídio de Anápolis, em Goiás, promotores descobriram que existia acordo entre agentes penitenciários e presos até mesmo para o acorbertamento de assassinatos. No dia 07 de março de 2016, “Nicolau”, presidiário, foi asfixiado com uma corda feita de lençóis, por motivos de dívida. No relatório policial, o que constava era um “suicídio” indicado pelos agentes penitenciários. As informações são do UOL.

O autor do crime foi “Gaguinho”, preso que aplicava punições determinadas pelo “comando” de Bola, apelido de um detento que é traficante de drogas e chefe da ala C do presídio. Segundo o relatório, a testemunha do suposto suicídio era o próprio  Gaguinho.  Segundo depoimento de outro detento ao Ministério Público (MP) de Goiás, os agentes não se importam com a situação e até ficam “alegres”.

Três meses depois da morte de Nicolau, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) começou a Operação Regalia, em 1º de junho de 2016. A operação investigava um esquema entre agentes penitenciários e presos em “regime de sociedade”, que incluía tráfico de drogas, prostituição e venda de celulares. Também eram permitidas saídas noturnas dos presos que chefiavam as alas, além de saídas escoltadas pelos servidores para o saque do dinheiro da propina.



O MP de Goiás pediu à Polícia Civil a reabertura do caso da morte de Nicolau e de outro assassinato que também foi indicado como suicídio dentro do presídio de Anápolis. A unidade já era conhecida como propícia para a corrupção, levando criminosos a elogiar a vida na cadeira, como mostra uma gravação da Polícia Federal em 2015.

Prostituição

A investigação do Gaeco ainda apontou que das quatro guaritas, três eram vigiadas por policiais militares, sendo a quarta livre para os presos escaparem. Só entre 2011 e 2017, 48 fugas foram registradas na prisão. A prostituição também era comum; no esquema, os agentes ligavam para as mulheres dos detentos alegando que os mesmos estavam de “castigo”, quando, ao mesmo tempo, ligavam para as “meninas”, que eram levadas ao motel do presídio.

Os familiares também iam ao presídio às quintas para levar alimentos e produtos aos presos. As mulheres dos “chefes” das alas entravam no presídio livremente e comandavam o tráfico de drogas fora da prisão. Suspeita-se que uma delas possuía um projeto social de uma igreja evangélica de fachada que aliciava menores para trabalhar como traficantes.  


Recomendados para você




Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

Cantos e Recantos Cantos e Recantos
A temporada de sol está nos espreitando, e a Praia de Boa Viagem é sempre uma opção de passeio. Mas que tal ousar um pouquinho na quilometragem e desbravar outros destinos? Pernambuco tem muitos lugares fantásticos e você vai adorar o roteiro que o JC fe
As Paixões de José Pimentel, o eterno Jesus As Paixões de José Pimentel, o eterno Jesus
O JC preparou um hotsite especial em homenagem ao ator e diretor Jose Pimentel, o eterno Jesus Cristo do teatro pernambucano
Nordeste Renovável Nordeste Renovável
Com a força dos ventos e a incidência solar, o Nordeste desponta como oásis. Não só para o turismo, nem apenas no Litoral. Na geração de energia sustentável está a nova fonte de riqueza da Região, principalmente no interior

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2018 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM