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assassinada

Estudante pernambucana é morta a tiros na Nicarágua

A pernambucana, de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata, não participava de nenhum tipo de manifestação no país

Publicado em 24/07/2018, às 11h40

Raynéia era estudante da Universidade Americana (UAM) / Foto: Reprodução/Facebook
Raynéia era estudante da Universidade Americana (UAM)
Foto: Reprodução/Facebook
JC Online e AFP

A estudante de medicina Raynéia Gabrielle Lima, de 31 anos, foi morta a tiros na noite dessa segunda-feira (23) em Manágua, capital da Nicarágua, que passa uma onda de protestos que pedem a saída do presidente Daniel Ortega. Segundo informações de amigos, a pernambucana, de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata, não participava de nenhum tipo de manifestação no país. "Ela não participava de nenhum protesto, estava cumprindo o seu internato no hospital militar", disse Anderson Felipe, amigo da estudante.

"Quando ela foi atingida, o seu namorado saiu do carro gritando que não fazia parte de nenhum grupo politico. Logo depois os atiradores fugiram", contou Anderson.

O assassinato, divulgado pela imprensa local, foi confirmado pela Embaixada do Brasil na Nicarágua. Raynéia era estudante da Universidade Americana (UAM) e teria sido metralhada por manifestantes.

Onda de violência

O país, vive desde abril uma onda de protestos que pedem a saída do presidente Daniel Ortega. O governo respondeu com violência aos manifestantes e ao menos 360 pessoas já foram mortas, a maior parte civis.

O governo nega ter ligação com os grupos paramilitares que são acusados de serem os responsáveis pela maioria das mortes, apesar deles usarem bandeiras do partido do presidente, a Frente Sandinista de Libertação Nacional.

Polícia nega responsabilidade

A Polícia negou responsabilidade e atribuiu a morte da brasileira a um vigilante privado. "Um guarda de vigilância privada, em circunstâncias ainda não determinadas, efetuou disparos com arma de fogo, um dos quais atingiu (Raynéia), provocando-lhe ferimentos", segundo um comunicado da Polícia.



O autor dos disparos "está sendo investigado para o esclarecimento do fato", acrescentou.

Itamaraty

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores lamentou o ocorrido e disse estar buscando, junto com as autoridades da Nicarágua, os esclarecimentos do assassinato da jovem. O Itamaraty também condenou ações de força e violência que acontecem neste momento no país.

Confira a nota completa abaixo:

"O governo brasileiro recebeu com profunda indignação e condena a trágica morte ontem, 23 de julho, da cidadã brasileira Raynéia Gabrielle Lima, estudante de Medicina na Universidade Americana em Manágua, atingida por disparos em circunstâncias sobre as quais está buscando esclarecimentos junto ao governo nicaraguense. Neste momento difícil, estende sua solidariedade e expressa suas mais sentidas condolências à família da jovem.

Diante do ocorrido, o governo brasileiro torna a condenar o aprofundamento da repressão, o uso desproporcional e letal da força e o emprego de grupos paramilitares em operações coordenadas pelas equipes de segurança, conforme constatado pelo Mecanismo Especial de Seguimento para a Nicarágua instalado para implementar as recomendações da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

 Ao repudiar a perseguição de manifestantes, estudantes e defensores dos direitos humanos, o governo brasileiro volta a instar o governo da Nicarágua a garantir o exercício dos direitos individuais e das liberdades públicas."

 O governo brasileiro exorta as autoridades nicaraguenses a envidarem todos os esforços necessários para identificar e punir os responsáveis pelo ato criminoso."

Universidade também se pronunciou

Por meio de um comunicado digital, La Universidad Americana declarou profunda tristeza pela morte da estudante Raynéia. Afirmaram ainda fazer uma referência à pernambucana em sinal de luto e dor e em solidariedade aos estudantes da universidade e de todos os outros lugares do país. Confira:

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