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Onda de ataques

Ceará: número de detidos por envolvimento em ataques sobe para 287

A atualização foi divulgada nesta quinta-feira (10) pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social

Publicado em 10/01/2019, às 21h59

As ações de facções criminosas tiveram início na semana passada  / Foto: José Cruz/Agência Brasil
As ações de facções criminosas tiveram início na semana passada
Foto: José Cruz/Agência Brasil
ABr

O número de suspeitos presos ou apreendidos em razão da onda de ataques no Ceará chegou a 287. A atualização foi divulgada nesta quinta-feira (10) pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social. As ações de facções criminosas tiveram início na semana passada e deixaram em alerta todo o estado. Prédios públicos, viadutos, estradas, ônibus e locais com veículos foram incendiados ou atingidos de alguma forma pelos grupos.

A administração estadual não divulga balanço oficial dos incidentes.

A prefeitura de Fortaleza informou que dois ônibus foram incendiados e dois centros de assistência social, invadidos nos bairros de Palmeiras e João Paulo II. Em razão dos episódios, as duas unidades ficaram sem atendimento. Um viaduto foi incendiado, no bairro de Parangaba, também na capital. Esse episódio prejudicou a circulação do metrô da cidade, que atrasou cerca de uma hora e meia no início do dia.

A Empresa de Transporte Urbano da cidade (Etufor) informou que, apesar dos ataques, a frota de ônibus circulou normalmente. “A escolta policial está sendo realizada nos ônibus e [há] também alguns policiais embarcados nos coletivos; já o efetivo policial está garantido nos terminais. Porém, os desvios ainda estão sendo realizados em áreas de risco potencial, e a frota está sendo escoltada ou com policiais embarcados à paisana, ou não”, acrescentou o comunicado.

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do estado disponibilizou o número 181, o Disque Denúncia do órgão, e um número de WhatsApp (98969-0182) para receber denúncias de atos criminosas ou atitudes suspeitas.

Defensoria pública
À Agência Brasil, a Defensoria Pública do Ceará informou que está acompanhando a atuação das forças de segurança em diálogo com lideranças de organizações sociais para garantir o respeito aos direitos nas operações realizadas e verificar eventuais violações, como proibição de uso de serviços públicos, toques de recolher, expulsões, fechamento de estabelecimentos comerciais e violação de domicílios.

A Defensoria disse ainda que criou uma força-tarefa para atuar nos presídios na região metropolitana de Fortaleza coletando informações para apresentar um relatório à nova direção de administração penitenciária.



Abusos

O Conselho Estadual de Direitos Humanos divulgou nota hoje na qual critica os ataques, atribuindo-os à crise do sistema penitenciário do estado, e cobrou medidas que resolvam o problema “pautadas na garantia e promoção de direitos humanos”. A nota alertou para o fato de que, a partir da atuação de forças de segurança, foram registradas denúncias de abusos.

“Este Conselho também tem recebido notícias de arbitrariedades e de uso excessivo da força cometidos por agentes de segurança pública, tais como invasão de domicílios, violência em abordagens policiais, suspeita de flagrantes forjados e prisões arbitrárias nas periferias das cidades cearenses”, pontua a nota.

O órgão informou que vai instar outras instituições voltadas para a defesa dos direitos humanos para uma atuação coordenada com vistas a monitorar a atuação das forças de segurança e no sistema penitenciário do estado para avaliar violações e “para que haja uma abertura cada vez maior desses órgãos à população cearense, que vem sofrendo os efeitos dessa operação e aos familiares de pessoas que estão custodiadas nas unidades prisionais cearenses”.

Medidas

Nessa quarta-feira (9) o governador do Ceará, Camilo Santana, anunciou a transferência de 20 presos para a Penitenciária Federal de Mossoó, no Rio Grande do Norte. Os detentos poderão ser redistribuídos para outras unidades prisionais do governo federal. No dia 7, 23 presos haviam fugido da cadeia pública da cidade de Pacoti, a 122 quilômetros da capital.

O Executivo Federal entrou no caso no dia 5, após Santana pedir apoio da Força Nacional de Segurança. O ministro da Justiça, Sérgio Moro, destacou um grupo de 300 agentes e oficiais da Força e de tropas militares. Eles começaram a atuar no dia 6.

No dia seguinte, o Ministério da Justiça anunciou um reforço do efetivo, com mais 106 integrantes. O governo do estado da Bahia enviou 100 oficiais da Polícia Militar local.




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