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CONDUTA

Compartilhamento de imagens de vítimas de violência é crime

Divulgar fotos ou vídeos de pessoas mortas em acidentes ou crimes violentos pode dar de 1 a 3 anos de reclusão e multa

Publicado em 14/03/2019, às 18h02

Vídeos com cenas do massacre de Suzano foram muito compartilhados nas redes sociais / Foto: Reprodução de vídeo
Vídeos com cenas do massacre de Suzano foram muito compartilhados nas redes sociais
Foto: Reprodução de vídeo
JC Online
Com informações do UOL e Estadão Conteúdo

Logo após o massacre de Suzano, em São Paulo, vídeos e fotos com imagens das vítimas mortas foram muito compartilhados nas redes sociais. Esse tipo de prática, tão comum em grupos no WhatsApp, é crime. A informação é do UOL. A prática pode ser enquadrada no artigo 212 do Código Penal, que diz que vilipendiar -- tratar como indigno ou rebaixar -- um corpo pode dar pena de 1 a 3 anos de prisão e multa.

Tragédia banalizada

Como apurou a equipe do jornal O Estado de S. Paulo, o tio de uma das vítimas, que é professor na rede pública de ensino em São Paulo, ficou sabendo do atentado porque alunos dele começaram a receber pela internet imagens do ocorrido.

Os dois atiradores chegaram à Escola Estadual Raul Brasil por volta das 9h40 da quarta-feira (13). Já às dez da manhã, um tio de Douglas Murilo Celestino, de 17 anos,  -- morto no atentado -- professor em outra escola de Suzano, começou a ser informado pelos alunos de um ataque no colégio próximo.

"Não conseguia mais dar aula porque os alunos começaram a receber mensagens, fotos e vídeos no WhatsApp", contou Robson Belchior Chaves, de 42 anos, à reportagem do Estadão. "Quando deu 11 horas, minha esposa me ligou falando que estava com a mãe do Douglas e que ele não atendia o celular", afirmou.

Influência para outros atiradores

Também conversou com a reportagem do Estado o psiquiatra Daniel Martins de Barros, do Hospital das Clínicas de São Paulo. "Divulgar essas informações pode perpetuar o mesmo comportamento", explicou.



O neuropsiquiatra Dartiu Xavier, professor da Faculdade Paulista de Medicina, alertou que casos como esse devem ser tratados com distanciamento e respeito, sem banalização. A exposição às informações, diz, afeta as pessoas de maneira diferente e, por isso, é preciso cuidado. "Às vezes, um padrão de comportamento acaba sendo imitado. Isso vale para agressão e também para suicídio. Acaba servindo de estímulo", comentou.

Um estudo publicado pela Universidade do Alabama, nos EUA, em 2017, concluiu que a divulgação de conteúdos relacionados a tiroteios em escolas podem influenciar novos atiradores a agir.

Denúncias nas redes

Se você recebeu esse tipo de imagens em qualquer rede social, há mecanismos para denúncia.

No Facebook, quando você clica nos três pontinhos no canto superior direito da publicação aparece a opção. Selecione "Dar Feedback sobre essa publicação" > "Violência"> Enviar.

No Twitter, é possível clicar na seta que também está na parte superior direita do tweet. Selecione "Denunciar Tweet" > "Mostra Imagem Sensível ou imprópria".

No WhatsApp, esse tipo de denúncia também existe. Abra sua conversa > Clique no nome (ou número do contato na parte superior do chat) > Clique em “Dados do contato”. Desça toda a tela e selecione "Denunciar Contato" > "Denunciar". Este recurso funciona tanto em conversas particulares quanto em grupos. O denunciado, envolvido com a divulgação das imagens, pode ser banido da rede social.





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