Jornal do Commercio
INVESTIGAÇÕES

Advogado nega participação de terceiro adolescente no ataque em Suzano

''A minha convicção é de que ele é inocente'', disse a defesa do adolescente apreendido por suspeita de participação no massacre

Publicado em 25/03/2019, às 16h55

O ataque na Escola Estadual Professor Raul Brasil aconteceu no no dia 13 de março e deixou dez mortos, incluindo os dois atiradores  / Foto: NELSON ALMEIDA / AFP
O ataque na Escola Estadual Professor Raul Brasil aconteceu no no dia 13 de março e deixou dez mortos, incluindo os dois atiradores
Foto: NELSON ALMEIDA / AFP
ABr

O advogado Marcelo Feller, defensor do adolescente apreendido na semana passada, acusado de ser um dos mentores do ataque à Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), negou nesta segunda-feira (25), que o jovem tenha qualquer ligação com o crime. “A minha convicção é de que ele é inocente”, enfatizou o defensor indicado pelo Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD). A Defensoria Pública não pode atuar em favor do adolescente, uma vez que está representando as famílias das vítimas do atentado.

Para Feller, há uma “sede da polícia em dar uma resposta para a sociedade com alguém vivo”. O advogado afirmou que algumas provas foram vazadas de forma parcial para dar sustentação a tese da participação de uma terceira pessoa no planejamento do atentado. Entre essas evidências, ele destacou alguns trechos de conversa apresentados sem o diálogo completo, que permite outras interpretações.

Em uma delas, o adolescente avisa o próprio autor do crime sobre as notícias do atentato. Não obtendo resposta, aparentemente, ele conclui sobre a participação do amigo e finaliza enviando a mensagem “te odeio”. Em outra, ele fala para outro colega que já tinha ouvido sobre os planos do atirador, mas afirma que não teve nenhuma participação.

Amizade

O defensor disse que o adolescente, de 17 anos, realmente fantasiou atacar a escola com um dos autores do massacre, também de 17 anos, em 2015, quando ambos tinham entre 13 e 14 anos. Porém, segundo o advogado, os dois brigaram em outubro daquele ano, voltando a se falar somente em outubro de 2018.

De acordo com o advogado, o adolescente apreendido não acreditava que o amigo pudesse realmente fazer o atentado. Mostrando conversas dele por Whatsapp logo após a divulgação do ataque, Feller disse que ele ficou surpreso de que o amigo tivesse mesmo participação no crime. “É bastante comum que o atirador conte a amigos e pessoas próximas as fantasias que ele têm”, ressaltou o advogado, baseado em pesquisas, especialmente feitas nos Estados Unidos, sobre esse tipo de ação. Segundo o defensor, na maioria dos casos os autores dos crimes não são levados a sério até a efetivação do ataque.



Também a partir dessa literatura, que inclui o livro School Shooters [Atiradores em Escolas], do psicólogo Peter Langman, Feller disse que o adolescente acusado foge ao padrão dos autores de massacres, que buscam notoriedade pelos seus feitos. “Todos os atiradores que sobreviveram confessaram os ataques, muito para aparecer”, comparou. O jovem apreendido nega participação seja no planejamento, seja na ação.

Investigações

O jovem foi apreendido no último 19, segundo Ministério Público, após diligências da polícia analisarem o conteúdo de celular e tablet do jovem e indicarem a participação dele no planejamento das mortes. A investigação tramita em sigilo.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de Estado de São Paulo, o caso é investigado em um inquérito policial da Delegacia de Suzano, com apoio do Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa da Seccional de Mogi das Cruzes. Pelo menos 31 testemunhas já foram ouvidas.

O ataque à escola, ocorrido na manhã da última quarta-feira (13), foi provocado por dois ex-alunos - um adolescente de 17 anos e um rapaz de 25 anos - encapuzados e armados. Dez pessoas morreram: duas funcionárias da escola, cinco alunos, um comerciante que era tio de um dos atiradores e os dois atiradores. O atentado deixou ainda 11 feridos.


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