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Catador que ajudou família baleada com 80 tiros é enterrado nesta sexta

Ele foi atingido por três tiros nas costas o tentar ajudar a família que teve o carro atingido por mais de 80 tiros disparados por militares do Exército

Publicado em 19/04/2019, às 20h13

Macedo morreu na manhã de quinta-feira (18) no Hospital Carlos Chagas, onde estava internado / Foto: Reprodução/Redes Sociais
Macedo morreu na manhã de quinta-feira (18) no Hospital Carlos Chagas, onde estava internado
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Estadão Conteúdo

O corpo do catador de materiais recicláveis Luciano Macedo, de 27 anos, foi enterrado na tarde desta sexta-feira (19) no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, zona norte do Rio. Macedo foi baleado ao tentar ajudar a família que teve o carro atingido por mais de 80 tiros disparados por militares do Exército no no dia 7 de abril, em Guadalupe, na zona norte.

Macedo morreu na manhã de quinta-feira (18) no Hospital Carlos Chagas, onde estava internado. Ele foi atingido por três tiros nas costas, na mesma ação em que foi morto também o músico Evaldo Rosa do Santos, de 46 anos, que levava a família para um chá de bebê. Nove dos dez militares envolvidos na ação estão presos.

O catador chegou a tirar o filho de Evaldo de dentro do carro, antes de ser baleado. A mulher de Macedo, Daiana Horrara, de 27 anos, foi testemunha de toda a ação. Ela está grávida de 5 meses.

"Quando ele viu a mulher correndo e a criança no banco de trás do carro, ele saiu correndo e tirou a criança lá de dentro", disse Antonio Carlos Costa, da ONG Rio da Paz, que está dando apoio à família do catador e conversou com Daiana. "Ela me contou que ele era muito ligado em criança, por isso correu para salvá-la."



Ainda segundo o relato de Daiana, depois de deixar a criança a salvo, Luciano voltou ao carro para tentar socorrer Evaldo. Foi então atingido pelas costas com três tiros. "Foi como se tivessem me quebrado os dois braços e as duas pernas", comparou Daiane em depoimento a Antônio. "Ele era meu companheiro, meu amigo, fazia todas as minhas vontades, vivia beijando a minha barriga. Seu maior sonho era ver o rosto do filho."

Luciano chegou a ser submetido a uma cirurgia que, segundo o advogado João Tancredo, que está atendendo à família, não teria sido autorizada pelos familiares.

Determinação judicial

Havia ainda uma determinação judicial para transferir Luciano a um hospital com maiores condições de atendimento, que não foi cumprida. O advogado afirmou que pretende entrar na Justiça pedindo a execução imediata das multas fixadas pelo não cumprimento da determinação judicial.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde afirmou que "o paciente apresentava estado de saúde gravíssimo desde a entrada na unidade, o que impossibilitava sua transferência". A nota sustenta ainda que "a secretaria reitera a confiança nos profissionais da unidade durante o caso e acredita que o atendimento precoce prestado ao paciente foi fator decisivo na busca para salvar a vida de Luciano, apesar da gravidade da lesão".





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