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Ministério estima que 135 mil pessoas vivem com HIV e não sabem

Segundo números do Ministério da Saúde, no total, 900 mil brasileiros vivem com o vírus. No Dia Mundial de Luta contra a AIDS, ato realizado no RJ cobrou medidas de prevenção mais eficientes

Publicado em 01/12/2019, às 19h00

ONG Grupo Pela Vidda mobilizou pessoas de diferentes estados do país em ato no RJ / Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil RJ
ONG Grupo Pela Vidda mobilizou pessoas de diferentes estados do país em ato no RJ
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil RJ
Com Agência Brasil

O Ministério da Saúde estima que 900 mil pessoas vivam com HIV no Brasil, sendo que 135 mil não sabem que estão infectadas. Nos últimos cinco anos, o número de mortes pela doença caiu 22,8%, passando de 12,5 mil, em 2014, para 10,9 mil, em 2018. Em todo o mundo, a ONU estima que cerca de 1,7 milhão de pessoas tenham sido infectadas ao longo do ano passado. Embora seja 16% inferior ao observado em 2010, a disseminação da doença preocupa o organismo internacional. 

Instituído 31 anos atrás pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o Dia Mundial de Luta contra a aids, celebrado no dia 1º de dezembro, é ocasião para conscientizar sobre o HIV. Neste domingo, pessoas que vivem com o vírus, familiares e amigos cobraram ações de prevenção mais efetivas do Governo e protestaram contra o enfraquecimento da políticas públicas voltadas para a doença. 

Na cidade do Rio de Janeiro, debaixo dos arcos da Lapa, área central da capital, um ato foi realizado pela organização não governamental (ONG) Grupo Pela Vidda, que mobilizou pessoas de diferentes estados do país. Houve espaço para falas de ativistas e apresentações artísticas com grafiteiros que pintaram painéis com alusão à data.

Aos 66 anos, Francisco Dalton vive com o vírus há 38 anos e avalia que são necessárias mais medidas para fazer frente ao avanço da doença. Ele saiu de Belo Horizonte para participar do ato nos arcos da Lapa e cobrar ações voltadas para a prevenção e o diagnóstico. Dalton acredita que a escola deva ser estimulada a discutir o assunto. "Quando você não previne, você terá um gasto maior com medicamento. Eu acho que um jovem bem informado é um agente de prevenção. O Brasil já foi líder mundial nas ações de prevenção. Hoje somos meros coadjuvantes", diz.

As manifestações também tiveram questionamentos sobre decisões estruturais como a prevista no Decreto 9.795/2019, que substituiu o Departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), AIDS e Hepatites Virais pelo Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. "Isso enfraqueceu a política de enfrentamento à AIDS e reduziu a visibilidade", disse Maria Eduarda Aguiar, presidente do Grupo Pela Vidda. 

Em nota publicada no site, o Ministério da Saúde garante que a mudança no regimento estrutural não prejudica a estratégia de respostas brasileira ao HIV e afirma que o orçamento destinado a este fim saltou de R$1,7 bilhão em 2018 para R$2,2 bilhões em 2019. A pasta argumenta que a alteração busca reordenar as ações e a tomada de decisão em favor da população, melhorando a gestão do SUS.



"A reformulação foi identificada a partir de necessidades de implementar ações mais efetivas, eficientes e contemporâneas e está sendo realizada de forma a priorizar ações de assistência à saúde da população por meio das melhores evidências científicas e da incorporação das tecnologias que trazem benefício à população, sempre visando tornar mais eficaz o gasto público (...) As pessoas vivendo com HIV, por exemplo, têm maior risco de desenvolver a tuberculose, além de ser um fator de maior impacto na mortalidade nesses casos. Também é comum que o diagnóstico da infecção pelo HIV seja feito durante a investigação da tuberculose", destaca o texto.

Cidadania

O Grupo pela Vidda foi fundado em 1989 pelo escritor, sociólogo e ativista Herberth Daniel. Devido a complicações decorrentes da infecção pelo HIV, ele faleceu aos 45 anos, apenas três anos após criar a entidade. A ONG foi idealizada para lutar por cidadania. "É um grupo que acolhe e mostra à pessoa com diagnóstico recente que ela tem vida, que não precisa se esconder. Não precisa ter vergonha. A vida continua. Temos o direito de viver e ser respeitado", diz Francisco Dalton.

De acordo com Maria Eduarda, a entidade surgiu em um contexto onde as mortes eram muito mais frequentes. "A mortalidade atualmente é devido à não adesão ao tratamento e à falta de política pública. Naquela época, era por falta de tecnologia e medicamento. E além de existir a morte física, existia a morte civil. Havia um estigma social muito maior. Hoje ainda existe. Mas, antes, praticamente se decretava sua morte civil. Então o grupo nasceu para tentar conferir dignidade às pessoas", lembrou.

Ela explica que a grafia Vidda, duplicando a letra d, ocorre por se tratar de uma sigla que significa valorização, integração e dignidade do doente de AIDS. "Mantemos o nome como resgate histórico do contexto daquela época. Mas hoje em dia não se fala mais em doente de Aids e nem em portador de HIV. Hoje se fala em pessoa vivendo com HIV/Aids para que ela não tenha de carregar o estigma de portar um vírus, mas que seja alguém com vida. Isso retira um pouco do estigma enfrentado no dia a dia", diz.

Transmissão

Uma recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) aos países é a busca da denominada meta 90-90-90, para garantir que 90% das pessoas que vivem com o vírus sejam diagnosticadas. Dessas, ao menos 90% precisam ter acesso ao tratamento. E 90% dos pacientes que estão tratando devem conseguir reduzir o vírus a níveis indetectáveis. Estudos apontam que a pessoa com carga viral indetectável não transmite o HIV.

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