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PLANETA

Estudo indica que aquecimento global também interfere nas nuvens

As nuvens agem como um cobertor para minimizar a perda de calor

Publicado em 12/07/2016, às 12h32

As nuvens regulam a temperatura da Terra, enviando para o espaço uma parte da radiação solar antes que elas alcancem o chão / Foto: Gianni Crestani / Pixabay
As nuvens regulam a temperatura da Terra, enviando para o espaço uma parte da radiação solar antes que elas alcancem o chão
Foto: Gianni Crestani / Pixabay
AFP

As nuvens, reguladoras térmicas do planeta, também mudaram em razão das mudanças climáticas, o que poderia contribuir para aumentar o aquecimento global, segundo um estudo publicado nesta terça-feira na revista Nature.

Desde os anos 1980, a nebulosidade diminuiu nas áreas temperadas de latitude média, com uma expansão das zonas secas subtropicais em direção aos polos, revela a análise de cerca de 20 imagens de satélite. E em todas as partes as nuvens subiram sua latitude.

"Essas mudanças reforçam a absorção pela Terra da radiação solar e reduzem o retorno das radiações térmicas para o espaço", explicou Scripps Institution of Oceanography, da Universidade da Califórnia em San Diego, que participou do estudo.

"Isso exacerba o aquecimento mundial, aumentando as concentrações de gases do efeito estufa (GES)".

As nuvens regulam a temperatura da Terra, enviando para o espaço uma parte da radiação solar antes que elas alcancem o chão. À noite, elas agem como um cobertor para minimizar a perda de calor.

Sua influência nas alterações climáticas é "uma dos principais áreas de incerteza para os cientistas que trabalham sobre o clima e que tentam antecipar sua evolução futura", disseram os pesquisadores.

Os satélites, originalmente concebido para prever a meteorologia, não são estáveis o suficiente para acompanhar a evolução das nuvens ao longo das décadas. Mas a equipe foi capaz de corrigir os dados, agindo sobre a órbita dos satélites, na calibração dos instrumento e na degradação de sensores.



Desta forma, os resultados mostraram claras alterações na distribuição das nuvens, que os autores logo colocaram em paralelo com a história das concentrações de gases do efeito estufa na atmosfera.

Os pesquisadores estabeleceram que "o comportamento das nuvens pareceu consistente com o aumento, gerado pelo homem, das concentrações de gases do efeito estufa", aponta o instituto de pesquisa em um comunicado.

Enquanto nenhuma correlação foi estabelecida com outros fatores potenciais, tais como os níveis de ozônio, aerossóis de origem antropogênica, ou mudanças naturais na radiação solar.

Em contrapartida, outro fator de influência, duas grandes erupções vulcânicas - a erupção do Chichon no México em 1982 e do Monte Pinatubo nas Filipinas em 1991 - agiram sobre as nuvens e tiveram um efeito de resfriamento por alguns anos, enviando poeira para o ar refletindo a luz solar.

"Mas, a menos que um novo evento vulcânico desse tipo aconteça, os cientistas esperam que as tendências que afetam as nuvens continuem, enquanto o planeta está se aquecendo como resultado do aumento das concentrações de gases do efeito estufa", advertem os autores.




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