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Conflito

Síria: operação de retirada de moradores suspensa na região de Aleppo

Para as quase 3.300 pessoas, a espera era longa nos 60 ônibus parados nas zonas de trânsito na periferia de Aleppo, no norte da Síria.

Publicado em 20/04/2017, às 11h28

Na quarta-feira, 3.000 pessoas foram retiradas de cidades leais ao governo, Fua e Kafraya. / AFP
Na quarta-feira, 3.000 pessoas foram retiradas de cidades leais ao governo, Fua e Kafraya.
AFP
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Milhares de sírios de localidades sitiadas permaneciam bloqueados nesta quinta-feira (20) na região de Aleppo (norte do país), onde a retirada de moradores foi suspensa, à espera da libertação de prisioneiros pelo regime.

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Para as quase 3.300 pessoas, a espera era longa nos 60 ônibus parados nas zonas de trânsito na periferia de Aleppo.

"Estamos muito cansados. Distribuíram água, pão e queijo, mas não há banheiros", declarou à AFP Abu Nidal. "A maioria das pessoas passou a noite nos ônibus".

Nidal era o diretor do último hospital rebelde em Zabadani, uma das três localidades controladas pelos insurgentes inclusas no acordo de evacuação concluído com o regime de Bashar al-Assad.

Quase 300 pessoas, incluindo muitos combatentes, deixaram na quarta-feira a cidade de Zabadani, Serghaya e Jabal Sharqi, cercadas pelas forças do regime na província de Damasco, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Ao mesmo tempo, na quarta-feira, 3.000 pessoas foram retiradas de cidades leais ao governo, Fua e Kafraya, sitiadas há dois anos pelos rebeldes na província de Idleb (noroeste).

Dois comboios estavam bloqueados nesta quinta-feira. Os veículos com moradores e combatentes de Fua e de Kafraya estavam estacionados em Rashidin, subúrbio rebelde de Aleppo, utilizado como zona de trânsito.

Saída 'condicionada'

Os ônibus do segundo comboio estão detidos em Ramusa, controlada pelo regime, ao sul de Aleppo.

"A saída dos ônibus está condicionada à libertação de prisioneiros das penitenciárias do regime", explicou o OSDH.



"Os ônibus não devem partir antes da libertação de 750 prisioneiros detidos nas penitenciárias do regime e de sua chegada aos setores rebeldes", completou a ONG.

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O acordo concluído pelas duas partes prevê a libertação de 1.500 detentos das prisões do regime em paralelo às duas fases da operação.

Uma segunda fase do acordo está prevista para junho, segundo os termos do pacto de retirada de 30.000 pessoas.

No sábado, a primeira operação de retirada terminou em um massacre quando um carro-bomba explodiu diante dos ônibus haviam saído de Fua e de Kafraya. Ao menos 126 pessoas morreram, incluindo 68 crianças, segundo o OSDH.

O regime de Bashar al-Assad acusou os rebeldes, que negaram qualquer responsabilidade e condenaram o atentado, que não foi reivindicado.

O destino final dos habitantes das localidades rebeldes, segundo o acordo, é a província de Idleb (noroeste), controlada pelos rebeldes e jihadistas. Os moradores de Fua e de Kafraya transitam por Aleppo antes de seguir para as províncias de Damasco e Latakia (oeste).

Os rebeldes, que perderam muitos redutos para as tropas de Assad - apoiadas pela Rússia - se viram forçados a assinar muitos acordos de evacuação. A oposição qualifica as "transferências forçadas de crimes contra a humanidade", enquanto a ONU criticou os "deslocamentos forçados".

Uso 'irrefutável' de gás sarin

Na quarta-feira, a França anunciou que apresentaria em "alguns dias" a prova de que o regime sírio organizou o ataque químico de 4 de abril em Khan Sheikhun, na província de Idleb, que deixou 87 mortos, incluindo várias crianças.

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Já a Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) garantiu na quarta-feira que as análises "das amostras das vítimas indicam uma exposição ao sarin ou a substâncias similares ao sarin (...)" e que "os resultados analíticos obtidos são indiscutíveis".

A OPAQ conseguiu amostras de três vítimas e as analisou em dois laboratórios. O conflito na Síria começou em março de 2011 como revolta popular pró-democrática, reprimida pelo regime, e se tornou um conflito complexo, que envolve extremistas islâmicos e potências internacionais e deixou mais de 320.000 mortos.




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