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KOSOVO

Kosovo elege seu Parlamento

Assembleias eleitorais abriram às 07H00 (02H00 de Brasília)

Publicado em 11/06/2017, às 14h19

Homem se prepara para preencher sua cédula de votação em Pristina, no Kosovo, durante eleições para o Parlamento / Foto: Armend NIMANI / AFP
Homem se prepara para preencher sua cédula de votação em Pristina, no Kosovo, durante eleições para o Parlamento
Foto: Armend NIMANI / AFP
AFP

Os kosovares elegem neste domingo um novo Parlamento, que deverá atuar em um contexto de tensão com a Sérvia, corrupção e desemprego endêmicos e o possível indiciamento por crimes de guerra de algumas autoridades do país.

As assembleias eleitorais abriram às 07H00 (02H00 de Brasília). "Peço aos cidadãos que votem respeitando as regras internacionais e mostrem que fazemos parte da família democrática mundial", declarou a presidente da Comissão Eleitoral, Valdete Daka.

Na capital Pristina, dezenas de pessoas, em sua maioria idosos, esperavam com paciência o início da votação.

As eleições foram convocadas de maneira antecipada depois que o Parlamento aprovou uma moção de censura contra o governo em 5 de maio.

A coalizão no governo não superou um desacordo entre suas duas formações principais: o Partido Democrático de Kosovo (PDK) de Thaçi, e a Liga Democrática de Kosovo (LDK) do primeiro-ministro Isa Mustafa.

Ambos os partidos de centro-direita se enfrentaram sobre a ratificação no Parlamento de um acordo sobre a demarcação da fronteira com Montenegro.

Kosovo, que conquistou sua independência da Sérvia em 2008, fechou em agosto de 2015 um acordo com Montenegro para delimitar uma fronteira entre ambos os países. Essa era uma das condições da União Europeia (UE) para eximir de visto os kosovares, um assunto-chave para este país de 1,8 milhão de habitantes, de maioria albanesa.

A oposição se nega a aceitar o acordo porque considera que entrega a Montenegro vários hectares de terra utilizadas tradicionalmente pelos pastores de Kosovo.



O fato de a LDK voltar a debater o traçado dessa fronteira, antes de examinar a moção de censura apresentada pelos partidos opositores, precipitou a queda do governo.

O PDK se uniu então à oposição e lhe permitiu conseguir o que desejava: a convocação de eleições legislativas antecipadas, um ano antes do fim do mandato do governo.

O principal partido opositor, Vetevendosje, organizou manifestações violentas sobre o assunto fronteiriço, chegando a lançar bombas de gás lacrimogêneo durante várias sessões parlamentares, a fim de impedir os debates sobre a proposta.

Para vários analistas e observadores ocidentais, a decisão do PDK de se unir à oposição poderia ser uma tentativa de reforçar sua legitimidade popular com um sucesso eleitoral, antecipando os possíveis resultados da investigação do tribunal especial criado para julgar ex-chefes rebeldes do Exército Libertação de Kosovo (UCK), acusados de crimes de guerra.

Entre os nomes dos ex-guerrilheiros que poderiam ser denunciados está o do próprio presidente Thaçi.

Guerra

O conflito de 1998-1999 entre rebeldes albano-kosovares e as forças sérvias enviadas por Slobodan Milosevic é a última das guerras que atingiu a ex-Iugoslávia.

A questão não esteve presente na campanha eleitoral. "O verdadeiro risco de instabilidade virá quando começarem as prisões", aponta o European Centre for Minority Issues (ECMI).





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