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MORTES

Ataque de militantes muçulmanos deixa mortos em Mianmar

Ao menos 71 policiais e rebeldes morreram em vários ataques de muçulmanos rohingyas contra vários postos de fronteira

Publicado em 25/08/2017, às 05h17

Oito policiais e 16 militantes armados estão entre as mortos no Myanmar / Foto: Google Maps
Oito policiais e 16 militantes armados estão entre as mortos no Myanmar
Foto: Google Maps
AFP

O governo de Mianmar informou que ataques de militantes da etnia rohingya contra postos de segurança no Estado de Rakhine, no oeste do país, deixaram 71 pessoas mortas. O escritório da líder do país, Aung San Suu Kyi, afirmou na sexta-feira que 59 das mortes foram de rebeldes e 12, de agentes de segurança.

O grupo militante Exército de Salvação Arakan Rohingya assumiu a responsabilidade pelos ataques. Segundo ele, a intenção era defender as comunidades rohingya que têm sofrido com abusos das forças do governo.

Os ataques representam uma escalada na luta armada do grupo, que começou em outubro com ataques que mataram nove pessoas. Essas ações geraram operações de retaliação do Exército que, segundo grupos pelos direitos humanos, resultaram em massivas violações aos direitos humanos, com homicídios, estupros e a queima de muitas residências.

Termo "rohingya" é tabu em Mianmar

O termo "rohingya" é tabu em Mianmar, onde eles são considerados imigrantes do vizinho Bangladesh e por isto são chamados de "bengaleses" neste país de maioria budista, marcado pela influência de monges radicais que denunciam os muçulmanos como uma ameaça.

Estes são os confrontos mais violentos em vários meses na região do estado de Rakhine, cenário de grande tensão entre muçulmanos e budistas.

No estado vivem dezenas de milhares de rohingyas, uma minoria muçulmana vítima de fortes discriminações em Mianmar. Eles não têm acesso a hospitais, escolas nem ao mercado de trabalho.

Mais de 20 delegacias de polícia foram atacadas por 150 rebeldes rohingyas na manhã de sexta-feira, de acordo com o governo civil de Aung San Suu Kyi.



O general Min Aung Hlaing destacou que "os combates prosseguiam" nesta sexta-feira na região de fronteira com Bangladesh, principalmente ao redor das delegacias de polícia das cidades de Kyar Gaung Taung e Nat Chaung.

Os rebeldes roubaram armas em várias delegacias, disse o militar.

O modus operandi se parece com o utilizado em uma série de ataques letais contra postos de fronteira em outubro de 2016.

Após os confrontos, milhares de rohingyas fugiram para o vizinho Bangladesh e denunciaram que o exército cometeu estupros coletivos, torturas e assassinatos em massa.

Várias delegacias atacadas nesta sexta-feira permaneciam cercadas várias horas depois, segundo fontes policiais.

"A situação é complicada. Os militares devem enviar reforços", afirmou o chefe de polícia de Buthidaung, perto da área mais afetada.

O governo birmanês mencionou "a coincidência dos ataques com a publicação do relatório final" da comissão liderada pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan sobre a situação no estado de Rakhine.

A comissão estimulou o governo a dar mais direitos aos rohingyas, para evitar uma "radicalização".

Após os confrontos de 2016, o exército intensificou as ações na região, incendiando vilarejos e obrigando os rohingyas a fugir para Bangladesh.

Não está muito quais grupos rohingyas participam nos ataques, mas muitos alegaram pertencer ao Arakan Rohingya Salvation Army (ARSA), que afirma organizar a insurreição a partir das montanhas de May Yu, norte do estado de Rakhine.

A situação é particularmente difícil para os 120.000 muçulmanos que vivem nos acampamentos de deslocados no estado de Rakhine, de onde poucos podem sair, graças a salvo-condutos.


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