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Marcha

Milhares voltam às ruas na Nicarágua pedindo justiça e democracia

O movimento de protesto começou como manifestações estudantis contra uma reforma do seguro social

Publicado em 09/05/2018, às 22h39

Manifestante acusavam Ortega e sua esposa e vice-presidente, Rosario Murillo, de
Manifestante acusavam Ortega e sua esposa e vice-presidente, Rosario Murillo, de "ladrões" e "assassinos"
Foto: AFP
AFP

Milhares de pessoas marcharam nesta quarta-feira (9) na capital da Nicarágua convocadas por estudantes para exigir justiça e democracia, em uma nova mobilização maciça contra o governo do presidente Daniel Ortega.

A mobilização paralisou a parte oeste de Manágua, com gritos de "povo, se una" e "eram estudantes, não eram criminosos", referindo-se aos 47 mortos pela repressão policial contra os protestos iniciados em 18 de abril.

O movimento de protesto começou como manifestações estudantis contra uma reforma do seguro social, mas a repressão brutal e a detenção arbitrária dos participantes causaram indignação popular e espalharam a mobilização por todo o país.

A rota definida para a manifestação desta quarta foi pequena para a imensa multidão que se reuniu na Catedral de Manágua, o ponto de partida. 

Os manifestantes estavam a pé, em motocicletas e agitando bandeiras da Nicarágua, enquanto gritavam "que vão embora", em uma mensagem a Ortega e sua esposa e vice-presidente, Rosario Murillo, os quais chamavam de "ladrões" e "assassinos".

A marcha organizada pela Coalizão Universitária reuniu estudantes, camponeses, empresários e pessoas de diferentes partes do país, em uma nova marcha em massa em meio à onda de protestos que também deixaram 400 feridos, segundo o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh).

Camponeses aclamados

Uma caravana de camponeses, mobilizada há cinco anos contra um projeto de construção de um canal interoceânico, foi saudada com júbilo por moradores de bairros localizados no caminho para o local da concentração.

Os camponeses foram reprimidos e impedidos de chegar a Manágua durante suas mais de 100 marchas de protesto contra a construção do canal, projeto avaliado em 50 bilhões de dólares e cuja execução hoje está em dúvida.



A presença de moradores da aldeia indígena de Monimbo, em Masaya (sul), um reduto sandinista na luta contra a ditadura de Somoza em 1979, mas que se rebelou contra o governo nos protestos atuais, também foi aplaudida.

Líderes do poderoso Conselho Superior de Empresas Privadas (COSEP), aliados do governo nos últimos 11 anos, participaram da marcha e se declararam na expectativa do início do diálogo para democratizar o país convocado pelas autoridades.

O presidente da União de Produtores Agrícolas (Upanic), Michael Healy, manifestou que espera que "não volte a acontecer o que aconteceu quando grupos de vândalos mataram estudantes; isso não podemos permitir novamente na Nicarágua". 

Healy demandou que chega ao país uma comissão de direitos humanos para fazer a investigação e que encontrem os culpados.

"Queremos que Daniel (Ortega) vá embora porque é muita repressão o que ele está fazendo com o povo. São muitas falhas, por isso pedimos que vá embora", disse à AFP Darling Gaitán, de 45 anos.

Marvin Gutierrez, estudante de Engenharia, quer que "a Nicarágua seja completamente livre de toda a opressão que estão fazendo agora".

Alguns manifestantes aproveitaram o caminho, que passava pela sede do Conselho Supremo Eleitoral (CSE), para deixar mensagens como "fora ditadura", "fora corrupção". Também gritaram "assassinos" ante a sede da Polícia.

O governo, que havia convocado uma marcha em resposta, nesta quarta-feira, em outro setor da capital, reduziu o evento para um concerto pela paz a pedido de empresários e da Igreja Católica para evitar confrontos entre as duas manifestações.




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