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ELEIÇÕES DE 2016

Informante diz que Cambridge Analytica compartilhou dados com Rússia

Christopher Wylie assegurou a uma comissão do Senado que acredita que a Inteligência da Rússia teve acesso a esses dados

Publicado em 16/05/2018, às 19h46

Christopher Wylie, que vazou informações sobre o sequestro de dados privados de milhões de usuários do Facebook pela empresa britânica / Foto: Mandel NGAN / AFP
Christopher Wylie, que vazou informações sobre o sequestro de dados privados de milhões de usuários do Facebook pela empresa britânica
Foto: Mandel NGAN / AFP
AFP

A consultora política Cambridge Analytica compartilhou dados com companhias vinculadas à Inteligência russa e usou pesquisadores deste país, disse um informante em audiência no Congresso sobre a ingerência de Moscou na campanha eleitoral dos Estados Unidos de 2016.

Christopher Wylie, que vazou informações sobre o sequestro de dados privados de milhões de usuários do Facebook pela empresa britânica, assegurou a uma comissão do Senado que acredita que a Inteligência da Rússia teve acesso a esses dados.

Ex-funcionário da consultora britânica, Wylie apontou que o pesquisador russo-americano Alexander Kogan, criador de um aplicativo para obter dados de usuários do Facebook, trabalhava ao mesmo tempo em projetos financiados pela Rússia.

"Isso significa que, além dos dados do Facebook aos quais a Rússia teve acesso, existem motivos razoáveis para suspeitar que a CA (Cambridge Analytica) pode ter sido alvo da Inteligência dos serviços de Segurança russos, e que os serviços de Segurança russos podem ter sido informados da existência dos dados do Facebook da CA", informou Wylie em seu depoimento escrito.

Acrescentou que a Cambridge Analytica "usou pesquisadores russos para coletar seus dados, abertamente compartilhou informações sobre 'campanha de rumores' e 'inoculação de atitude' com companhias e executivos vinculados à agência de Inteligência russa FSB".

A audiência faz parte de uma ampla investigação dos dois lados do Atlântico sobre o uso indevido de dados do Facebook pela consultora britânica que trabalhava para a campanha de Donald Trump durante as eleições de 2016.



Segundo informou o New York Times na terça-feira, o FBI e a Justiça americana investigam a Cambridge Analytica por um possível crime penal. 

'A arma do medo' 

Em sua alocução, Wylie relatou ao grupo que "o espírito da companhia era 'vale tudo'", incluindo "tentar desviar fundos do Ministério da Saúde de um país africano à deriva para apoiar a campanha de reeleição de um político".

O informante também assegurou aos senadores que um dos dos principais objetivos da empresa era desestimular a participação nas eleições, especialmente dos eleitores negros, uma das prioridades de Steve Bannon, aliado de Trump. 

"Estou ciente das pesquisas sobre o que motiva e desmotiva" certos tipos de pessoas a votar, reconheceu.

Uma das técnicas para interferir na participação dos eleitores é recorrer à "arma do medo". 

"Em um país, a CA produziu vídeos com a intenção de suprimir a participação dos eleitores mostrando imagens sádicas de pessoas sendo queimadas vivas, submetidas a amputações forçadas com facões e com a garganta cortada", detalhou. 

"Esses vídeos continham mensagens islamófobas. E fora criadas com a clara intenção de intimidar certas comunidades, catalizar o ódio religioso, retratar os muçulmanos como terroristas e negar os direitos democráticos a certos eleitores", explicou Wylie.

A Cambridge Analytica anunciou no início do mês que estava fechando, incapaz de se recuperar do escândalo do Facebook. 


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