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FRANÇA

Governo de Macron começa a executar primeiras privatizações

O objetivo é financiar um fundo de investimento na inovação tecnológica e reduzir parte da dívida pública

Publicado em 13/06/2018, às 14h45

Macron vai autorizar, pela primeira vez,  a venda de participações estatais, inclusive para capital estrangeiro / Foto: AFP
Macron vai autorizar, pela primeira vez, a venda de participações estatais, inclusive para capital estrangeiro
Foto: AFP
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O governo francês anunciou suas primeiras grandes privatizações no governo do presidente Emmanuel Macron, com o objetivo de financiar um fundo para a inovação e reduzir parte da dívida pública.

Segundo um projeto de lei anunciado na noite desta terça-feira (12), o governo reduzirá sua participação no capital da gestora de aeroportos Aeroports de Paris (ADP), na empresa que tem o monopólio da loteria na França, La Francaise des Jeux, e o grupo energético Engie, embora sem especificar as quantidades. 

Segundo o ministro de Economia, Bruno Le Maire, o Estado francês tem um capital total de cerca de 15 bilhões de euros. O que for obtido com a venda será majoritariamente destinado a um fundo público para promover a inovação tecnológica. 

Durante sua campanha presidencial no ano passado, Macron prometeu investir 10 bilhões de dólares em tecnologia como inteligência artificial e digitalização. 

"Estamos passando de uma lógica de gestor a uma lógica de investimento no futuro", disse Le Maire em entrevista ao jornal econômico Les Echos publicada nesta quarta-feira. 

Macron, que já trabalhou em bancos de investimento, vai autorizar pela primeira vez a venda de participações estatais, inclusive para capital estrangeiro, de empresas até então consideradas muito sensíveis. 

Este é o caso da Alstom, que fabrica, entre outros, os conhecidos trens franceses de alta velocidade, e que deve se fundir com a alemã Siemens, que se tornará a acionista majoritária da nova entidade. 

Por sua vez, uma empresa italiana, a Fincantieri, também assumiu o controle da STX, que administra importantes estaleiros no oeste da França, embora sua gestão seja supervisionada pelo governo francês. 



"Trata-se de repensar o lugar do Estado na economia francesa (...), acreditamos que o Estado pode defender melhor o interesse geral por meio de regulação do que estar presente como acionista", disse Le Maire. 

No caso da Aeroports de Paris, que administra os aeroportos Charles de Gaulle, Orly e Le Bourget, todos na região da capital, o Estado possui 50,6% do capital. 

O ministro Le Maire também explicou que a privatização da La Francaise des Jeux, hoje com 72% nas mãos do Estado, será acompanhada de nova legislação sobre jogos de azar.

No caso da Engie, o Estado já vendeu 4,1% de suas ações em janeiro de 2017, o que levou a sua participação para 28,7%. O resultado dessa venda serviu para contribuir para o resgate da empresa nuclear francesa Areva.

O Estado francês é o maior acionista da Engie, que, além de sua produção de eletricidade, é líder em importações de gás natural liquefeito. 

A lei que autoriza as privatizações deve entrar em vigor no início de 2019. 

Nos últimos 20 anos, grandes empresas como a France Telecom, o banco Crédit Lyonnais, a Air France e várias operadoras de rodovias foram progressivamente passando para mãos privadas. 

No entanto, o Estado ainda tem uma presença importante na defesa, na indústria nuclear e em outras empresas da indústria pesada que deseja manter, por enquanto, em nome da segurança e da soberania nacional. 

Desde a década de 1970, a França aprova um orçamento em equilíbrio e sua dívida pública representa quase 100% de seu Produto Interno Bruto (PIB), nível bem acima da meta de 60% da União Europeia.


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