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REPRESSÃO

Ortega usa de repressão violenta e diz que devolveu a paz à Nicarágua

O presidente da Nicarágua afirmou que derrotou os 'terroristas' que protestam contra o seu governo

Publicado em 02/08/2018, às 13h52

Ortega, ex-guerrilheiro de 72 anos, colocou em andamento a chamada
Ortega, ex-guerrilheiro de 72 anos, colocou em andamento a chamada "Operação Limpeza" para reprimir os manifestantes
Foto: Inti Ocon/ AFP
AFP

O presidente Daniel Ortega garante que devolveu a paz à Nicarágua e que derrotou os "terroristas" que protestam contra seu governo, mas o futuro do país é incerto: o diálogo com a oposição está estancado, os ativistas denunciam perseguições, e muitos fogem do país com medo da repressão.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) informou nesta quinta que o número de vítimas fatais na onda de violência iniciada em 18 de abril subiu para 317 pessoas, sendo 21 policiais e 23 menores de idade, um balanço verificado pelo Mecanismo Especial de Acompanhamento para a Nicarágua (MESENI), posicionado no país.

Ortega, ex-guerrilheiro de 72 anos, colocou em andamento a chamada "Operação Limpeza" para reprimir os manifestantes e as cidades sob seu controle.

"Ele se impõe com balas, não com consenso", afirma à AFP o político e ex-diplomata Mauricio Díaz. "Um país não se constrói desse jeito", completou.

Segundo o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh), a repressão fez mais de 400 detenções ilegais desde o início do conflito.

Das operações repressivas participaram paramilitares fortemente armados, que Ortega admitiu, em uma entrevista, serem "policiais voluntários".

"Há provas explícitas de que esses grupos foram atores da produção da violência", afirmou, na semana passada em Washington, o secretário executivo da CIDH, Paulo Abrão.

Até mesmo os empresários, antes aliados do governo, denunciam invasões de terra por parte de paramilitares como represália por seu apoio aos protestos.

Ortega chama os manifestantes e os bispos que tentam mediar o diálogo com o governo de golpistas por quererem que as eleições de 2021 sejam antecipadas para 2019 como uma saída para a crise.

Tempo de recapacitar 

Desafiando as pressões inclusive internacionais, Ortega descarta antecipar sua saída do governo do país que preside há 11 anos.



O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, declarou esta semana à CNN que "é importante que o presidente Ortega retome a possibilidade de antecipar as eleições, porque não convém se impor pela força".

Já os Estados Unidos responsabilizam Ortega e sua mulher e vice-presidente, Rosario Murillo, pela violência de "grupos parapoliciais favoráveis ao governo".

Washington assinalou que as medidas adotadas até o momento, como as restrições de vistos, são o início de outras potenciais sanções contra a Nicarágua.

Para Juan Felipe Celia, diretor assistente do Centro para a América Latina do Atlantic Council, com sede em Washington, a crise na Nicarágua não vai se resolver com sanções da Casa Branca.

Segundo ele, para Ortega antecipar as eleições, é preciso "pressão popular nas ruas, pressão econômica por parte do setor privado e que a OEA responsabilize o governo pela crise".

"O problema é que Ortega marca o calendário de sua saída em vidas humanas, e não em dias", alertou, por sua vez, o dissidente sandinista Enrique Sáenz. 

Desafio

A oposição encara agora o desafio de manter vivos os protestos e retomar o diálogo, apesar da perseguição que enfrenta.

"Conseguiram dispersar as pessoas, mas os protestos vão ressurgir", afirmou o acadêmico e ex-deputado opositor Eliseo Núñez.

Ortega alega que seus opositores são financiados por "organismos dos Estados Unidos que enviam fundos para promover o terrorismo".

O presidente também disse que a crise não será solucionada com diálogo, e sim com novas regras e com o acompanhamento da ONU para reforçar o trabalho de mediação dos bispos.

Além disso, afirma estar disposto a trabalhar com a OEA em reformas eleitorais, visando às eleições de 2021.

Diante de toda essa crise e violência, milhares de nicaraguenses optaram por pedir asilo à Costa Rica e a outros países, relata o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).





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