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VENEZUELA

América Latina pede a Maduro que aceite ajuda humanitária para conter êxodo de venezuelanos

A fim de "descomprimir" a crise que está por trás da migração em massa de venezuelanos pela região a América Latina

Publicado em 09/09/2018, às 17h06

A interiorização é uma das iniciativas do governo brasileiro criada para ajudar venezuelanos em situação de extrema vulnerabilidade 
 / Foto: Divulgação/ Governo Federal
A interiorização é uma das iniciativas do governo brasileiro criada para ajudar venezuelanos em situação de extrema vulnerabilidade
Foto: Divulgação/ Governo Federal
JC Online

A América Latina pediu nesta terça-feira ao governo de Nicolás Maduro que aceite sua ajuda humanitária, a fim de "descomprimir" a crise que está por trás da migração em massa de venezuelanos pela região.

Apesar da insistência de Caracas em negar as dimensões do fenômeno, os delegados de onze governos reunidos em Quito assinaram uma declaração que pede que Maduro receba a cooperação. 

As nações que assinaram "fazem um pedido pela abertura de um mecanismo de assistência humanitária que permita descomprimir a crítica situação, dando atenção imediata na origem aos cidadãos afetados", diz o texto.

No evento técnico, que terminou após dois dias de deliberações, participaram 13 países. A Bolívia, aliada da Venezuela, se absteve de assinar o texto, enquanto a República Dominicana sinalizou que o faria depois, porque seu governo foi representado por um conselheiro da embaixada. 

Com este novo pronunciamento, a região se distancia ainda mais da visão de Maduro sobre o que está acontecendo no país. 

O poderoso dirigente venezuelano Diosdado Cabello disse que a reunião foi uma "vergonha". 

"O grupo acaba de se unir, (...) este que é de dar nojo, vergonha, no Equador. Que lástima, que vergonha com o Equador. Eles fizeram uma declaração, palavras mais, palavras menos, (em que) acabam pedindo dinheiro", criticou Cabello, presidente da Assembleia Constituinte.

Na segunda-feira, o governo chavista acusou funcionários das Nações Unidas de justificar uma "intervenção internacional" pelo alto número de migrantes venezuelanos, que Maduro cifrou pela primeira vez em 600.000 nos dois últimos anos.

Seus dados diferem dos apontados pelas Nações Unidas. Segundo o organismo, cerca de 2,3 milhões de venezuelanos vivem no exterior, dos quais 1,6 milhão abandonou o país desde 2015, com a piora da escassez de medicamentos e alimentos em meio à hiperinflação que corrói os salários. Caracas, no entanto, insiste que não se trata de uma crise humanitária. 

 TODOS OU NENHUM

O encontro regional se desenvolveu na véspera da sessão extraordinária da OEA que será realizada nesta quarta-feira, em Washington, para tratar a crise migratória.

Os países reunidos em Quito, entre eles Colômbia, Peru e Equador, sobrecarregados pela chegada maciça de venezuelanos, também concordaram em se apoiar mutuamente na atenção de seus nacionais na Venezuela.



Além disso, pediram a Maduro que garanta a seus cidadãos que migram o acesso a documentos de identidade e de viagem.

"Acho que mandamos uma mensagem importante aos milhões de venezuelanos que andam percorrendo nosso continente (...), lhes dissemos que vamos reconhecer os documentos vencidos para efeitos migratórios", afirmou o diretor de Assuntos Consulares e Imigração do Chile, Raúl Sanhueza.

"Sairemos juntos dessa crise, que é a crise mais importante que a região já teve, ou não sairá ninguém ileso dela". 

Além de Bolívia e República Dominicana, participaram da reunião Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Chile, Equador, México, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai.

Na denominada Declaração de Quito, as nações decidiram "continuar trabalhando de maneira individual e cooperar segundo cada país estime adequado e oportuno, com a provisão de assistência humanitária; aceso a mecanismos de permanência regular, incluindo a consideração de processos de regularização migratória".

Também se comprometeram a combater o tráfico de pessoas, o tráfico ilícito de migrantes, a discriminação e a xenofobia.

Durante suas longas travessias a pé ou de ônibus, os venezuelanos têm recebido ajuda, mas em alguns lugares se viram envolvidos em conflitos com a população local. O governo brasileiro enviou tropas ao estado fronteiriço de Roraima, após alguns episódios violentos.

 RECURSOS INDISPENSÁVEIS

No encontro em Quito, os governos também pediram ajuda financeira para regularizar os imigrantes. 

Duro crítico do governo de Maduro, os Estados Unidos deram ajuda a Colômbia e Brasil para atender os venezuelanos, enquanto o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, anunciou na semana passada recursos europeus, na quantia de 35 milhões de euros.

"Concordamos que é muito difícil para os Estados enfrentar (...) os requerimentos nos serviços públicos que somos obrigados a fornecer", declarou o diretor de Assuntos Consulares do Peru, César Bustamante.

Com a onda de venezuelanos, o Equador mantém desde agosto passado uma emergência migratória para províncias fronteiriças com a Colômbia - onde chegam da Venezuela - e Peru, atraídos por melhores condições para obter emprego.





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