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MIGRAÇÃO

México deporta 98 migrantes centro-americanos por tentar entrar nos EUA

O governo do México deportou 98 migrantes centro-americanos que tentaram cruzar a fronteira até os Estados Unidos

Publicado em 26/11/2018, às 16h27

Os migrantes foram repelidos pelos agentes americanos com gás lacrimogêneo e balas de borracha / Foto: PEDRO PARDO / AFP
Os migrantes foram repelidos pelos agentes americanos com gás lacrimogêneo e balas de borracha
Foto: PEDRO PARDO / AFP
AFP

O governo do México deportou 98 migrantes centro-americanos que foram detidos após a fracassada e inesperada tentativa de cerca de 500 deles de cruzar a fronteira até os Estados Unidos

Eles foram repelidos pelos agentes americanos com gás lacrimogêneo e balas de borracha.

"São 98 as pessoas colocadas à disposição do Instituto Nacional de Migração (INM) e que foram deportadas", disse à emissora Televisa Gerardo García, comissário da autoridade migratória.

A Patrulha Fronteiriça dos Estados Unidos também declarou nesta segunda-feira (26) que prendeu 42 migrantes centro-americanos que conseguiram pular a cerca de metal e uma segunda, com arame farpado, que divide Tijuana da americana San Diego. 

García assegurou à rádio local que "há instigadores" na caravana migrante - que chegou a Tijuana há uma semana após sair de Honduras - para promover tentativas de cruzar ilegalmente a fronteira, como aconteceu no domingo. 

"Aproveitam o anonimato da massa para suas atividades e, por isso, não foram detidos", explicou, se referindo a uma dezena de supostos instigadores.

Enquanto isso, a notícia da fracassada tentativa correu pelo abrigo onde estão amontoados cerca de 5.000 migrantes da caravana. 

Para lá voltaram, assustados e com suas roupas sujas e rasgadas, os migrantes que tentaram superar o muro fronteiriço e não foram pegos.

"Estamos com o coração e a esperança destruídos. Nos iludimos de que já havíamos conseguido chegar aos Estados Unidos, que nos dariam refúgio", conta à AFP Andy Colón, hondurenha de 20 anos que viaja com a sua irmã e dois filhos.

O abrigo amanheceu cercado de um forte dispositivo policial. Alguns migrantes incomodados pularam as grades do local quando policiais federais os impediram momentaneamente de ir à rua.

 Momento violento 

No domingo, ao meio-dia, Tijuana foi palco do momento mais importante vivido por esta caravana, que percorreu mais de 4.000 quilômetros até o noroeste mexicano.

Quando mil centro-americanos faziam uma manifestação na ponte fronteiriça de El Chaparral, exigindo que os Estados Unidos lhes permitisse pedir refúgio, metade do grupo se separou e foi em direção à fronteira.



Homens e mulheres, muitas com crianças pequenas, se confundiam entre os empurrões, gritos e choros, enquanto tentavam escalar ou atravessar por espaços a primeira barreira.

Os sobrevoos baixos de helicópteros militares americanos, o gás lacrimogêneo e as balas de borracha lançadas do norte fizeram os migrantes recuarem. 

Ao menos três pessoas se machucaram ou foram intoxicadas, segundo autoridades mexicanas.

Após o incidente, essa parte da fronteira foi fechada por algumas horas pelos Estados Unidos.

O governo de Honduras condenou o uso de balas de borracha contra os migrantes e pediu "que respeitem os direitos humanos".

Em contrapartida, o incômodo dos moradores locais se acentuou, ao considerarem que a caravana alterou sua vida, que se desenvolve dos dois lados da fronteira.

"Aborreceram no domingo todos os que trabalham decentemente aqui na fronteira", disse à AFP Jesús Tirado, motorista de transporte.

 'Explosão de desenvolvimento' 

"Vamos usar a tolerância zero porque a polícia está em desvantagem", declarou à AFP, sob anonimato, um comando da polícia local.

No domingo à noite, o presidente eleito do México, Andrés Manuel López Obrador, que assumirá o poder no sábado que vem, se reuniu com seus principais colaboradores após saber do incidente na fronteira.

Marcelo Ebrard, que será seu chanceler, disse à imprensa que o novo governo "mudará a política migratória mexicana, que é muito restritiva" e tentará fazer uma "explosão de desenvolvimento" na América Central para evitar estas migrações.

Do outro lado está o presidente americano, Donald Trump, que advertiu que quem cruzasse ilegalmente não teria direito a pedir refúgio, além de ameaçar fechar os mais de 3.200 quilômetros de fronteira com o México.

Também pressiona para que o México abrigue os migrantes enquanto os Estados Unidos analisam suas solicitações de refúgio.

Nesta segunda-feira, Trump voltou a fazer críticas no Twitter: "O México deveria enviar os migrantes agitadores de bandeiras, muitos dos quais são criminosos frios, de volta aos seus países. De avião, em ônibus, da maneira que for, mas NÃO entrarão nos EUA. Fecharemos a fronteira permanentemente se for necessário".




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