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Avanço na ciência

Tetraplégico volta a andar com exoesqueleto controlado pelo cérebro

Avanço na medicina oferece esperança aos tetraplégicos que buscam recuperar o movimento

Publicado em 04/10/2019, às 23h00

Há quatro anos, o francês Thibault caiu de uma varanda de uma boate a 12 metros de altura, lesionou sua medula espinhal e o deixou paralisado dos ombros para baixo / Foto: HO / CLINATEC ENDOWMENT FUND / AFP
Há quatro anos, o francês Thibault caiu de uma varanda de uma boate a 12 metros de altura, lesionou sua medula espinhal e o deixou paralisado dos ombros para baixo
Foto: HO / CLINATEC ENDOWMENT FUND / AFP
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Um francês, identificado apenas como Thibault, que ficou tetraplégicoapós um acidente pode andar novamente graças a um exoesqueleto controlado pelo cérebro, um avanço que oferece esperança aos tetraplégicos que buscam recuperar o movimento, disseram cientistas nesta sexta-feira (4). 

O paciente treinou por meses, aproveitando seus sinais cerebrais para controlar um avatar simulado por computador para executar movimentos básicos antes de usar o dispositivo robótico para caminhar. 

Os médicos que conduziram o estudo alertaram que o dispositivo está a anos de estar disponível para o público, mas enfatizaram que ele tem "o potencial de melhorar a qualidade de vida e a autonomia dos pacientes". 

O homem envolvido no estudo, identificado apenas como Thibault, de 28 anos e natural de Lyon, disse que a tecnologia lhe deu uma nova vida. 

Há quatro anos, ele caiu de uma varanda de uma boate a 12 metros de altura. O acidente lesionou sua medula espinhal e o deixou paralisado dos ombros para baixo. 

"Quando você está na minha posição, quando não pode fazer nada com seu corpo (...) eu queria fazer algo com meu cérebro", disse Thibault à AFP. 

Treinando em um sistema de avatar de videogame por meses para adquirir as habilidades necessárias para operar o exoesqueleto, ele disse que precisou "reaprender" movimentos naturais do zero. 

"Não posso ir para casa amanhã no meu exoesqueleto, mas cheguei a um ponto em que posso andar. Ando quando quero e paro quando quero", afirmou. 

A lesão da medula espinhal cervical deixa cerca de 20% dos pacientes paralisados nos quatro membros e é a lesão mais grave do seu tipo. 

"O cérebro ainda é capaz de gerar comandos que normalmente moveriam os braços e as pernas, mas não há nada para conduzi-los", disse Alim-Louis Benabid, professor emérito de Grenoble e autor principal do estudo, publicado na revista The Lancet Neurology.



Uma equipe de especialistas do Hospital de Grenoble Alpes, da empresa biomédica Cinatech e do centro de pesquisa CEA começaram implantando dois dispositivos de gravação em ambos os lados da cabeça de Thibault, entre o cérebro e a pele. 

Eles leem seu córtex sensório-motor

Cada decodificador transmite os sinais cerebrais que são traduzidos por um algoritmo nos movimentos nos quais o paciente pensou. É esse sistema que envia comandos físicos que o exoesqueleto executa. 

Thibault usou o avatar e o videogame para pensar sobre executar tarefas físicas básicas, como caminhar e estender a mão para tocar objetos. 

Usando o avatar, o videogame e o exoesqueleto combinados, ele conseguiu cobrir a extensão de um campo e meio de futebol americano ao longo de muitas sessões. 

Vários estudos anteriores usaram implantes para estimular músculos no próprio corpo dos pacientes, mas o estudo de Grenoble é o primeiro a usar sinais cerebrais para controlar um exoesqueleto robótico. 

Especialistas envolvidos na pesquisa dizem que isso poderia levar a cadeiras de rodas controladas pelo cérebro para pacientes paralisados. 

"Não se trata de transformar o homem em máquina, mas de responder a um problema médico", disse Benabid. "Estamos falando de 'homem reparado', não de 'homem aumentado'. 

Em um comentário sobre o estudo, Tom Shakespeare, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, disse que o sistema de exoesqueleto está "muito longe das possibilidades clínicas utilizáveis". 

Mas Thibault disse que o estudo oferece "uma mensagem de esperança" para pessoas como ele. "Isso é possível, mesmo com a nossa deficiência".




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